{"id":5679,"date":"2015-11-22T12:01:16","date_gmt":"2015-11-22T15:01:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5679"},"modified":"2015-11-22T12:01:16","modified_gmt":"2015-11-22T15:01:16","slug":"acreditar-no-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2015\/11\/22\/acreditar-no-amor\/","title":{"rendered":"Acreditar no amor"},"content":{"rendered":"<p>Ter\u00e7a-feira passada encontrava-me absorto em meus afazeres, quando fui interrompido por um colega de trabalho. Apontando um livro que se encontrava sobre um dos bir\u00f4s, indagou: \u201c\u00c9 seu?\u201d De imediato respondi: \u201cN\u00e3o, por qu\u00ea?\u201d Ao que ele respondeu: \u201cEste livro \u00e9 a sua cara\u201d. \u201cA Minha cara?\u201d, retorqui, surpreso. \u201c\u00c9\u201d, redarguiu, \u201cauto-ajuda, amor&#8230;\u201d, completando, quase num murm\u00fario: \u201cVoc\u00ea acredita no amor; eu, n\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Sem saber se via no coment\u00e1rio um elogio ou uma velada censura, me senti impactado pela \u00faltima frase. N\u00e3o sei fundamentado em que o colega afirmara com tanta certeza minha cren\u00e7a no amor. Tampouco me ocorreu, na ocasi\u00e3o, perguntar. O fato \u00e9 que, na manh\u00e3 seguinte, voltei a pensar no assunto. Foi a\u00ed que lembrei do livro\u00a0 \u201cA revolu\u00e7\u00e3o do amor: por uma espiritualidade laica\u201d, do fil\u00f3sofo franc\u00eas Luc Ferry.<\/p>\n<p>Defensor do que tem sido chamado de humanismo secular, assim introduz Luc ferry o tema do amor: \u201c\u00c9 uma evid\u00eancia que salta aos olhos, que percorre e transtorna permanentemente nossa vida privada. No entanto, mal ousamos confess\u00e1-la, a n\u00e3o ser na mais estrita intimidade: \u00e9 o amor que d\u00e1 sentido a nossa exist\u00eancia. \u00c9 ele que nos obriga, ao menos no que diz respeito aos nossos filhos, a n\u00e3o ceder ao pessimismo, a nos interessar, apesar de tudo, pelo futuro, a n\u00e3o negligenciar totalmente a vida pol\u00edtica, que, ali\u00e1s, consideramos insignificante\u201d (p. 13).<\/p>\n<p>Poucas palavras, pode-se dizer, se tornaram t\u00e3o desgastadas quanto a palavra amor. Provavelmente seja esse o motivo por que n\u00e3o poucas pessoas se recusem hoje com tanta veem\u00eancia a trat\u00e1-la com a seriedade que mereceria. O Velho bord\u00e3o do \u201camor ao pr\u00f3ximo\u201d, t\u00e3o caro ao cristianismo, j\u00e1 quase n\u00e3o faz eco numa civiliza\u00e7\u00e3o em que o outro \u00e9 tratado, antes de qualquer coisa, com desconfian\u00e7a. Apesar da evid\u00eancia apontada por Luc Ferry, h\u00e1 outras evid\u00eancias no sentido contr\u00e1rio, tantas e t\u00e3o gritantes, que tornam dif\u00edcil e arriscado alicer\u00e7ar, hoje, o sentido da vida no amor. \u00a0Em que pese essa constata\u00e7\u00e3o, ainda assim \u00e9 preciso optar. E provavelmente a op\u00e7\u00e3o mais vi\u00e1vel seja a que aponta no sentido da aposta em uma perspectiva do amor calcado na \u00e9tica e no compromisso com a vida, pois essa \u00e9, tamb\u00e9m, a aposta na esperan\u00e7a, sem a qual a vida se torna insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Concluo informando, para saciar a curiosidade de algum poss\u00edvel leitor, que o livro que motivou a reda\u00e7\u00e3o deste artigo foi \u201cCurar&#8230; o stress, a ansiedade e a depress\u00e3o sem medicamentos nem psican\u00e1lise\u201d, de David Servan-Schreber. Vou adquirir um exemplar. Quem sabe aconte\u00e7a que, ao virar uma de suas p\u00e1ginas, eu me depare, enfim, com esta cara que venho procurando h\u00e1 mais de cinquenta anos e da qual, at\u00e9 o momento, tive apenas discretos e imprecisos vislumbres, n\u00e3o me tendo sido poss\u00edvel, ainda, precisar-lhe os contornos com a almejada nitidez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ter\u00e7a-feira passada encontrava-me absorto em meus afazeres, quando fui interrompido por um colega de trabalho. Apontando um livro que se encontrava sobre um dos bir\u00f4s,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[46,67,135,137,159],"class_list":["post-5679","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-25-loucura-mansa","tag-a-ansiedade-e-a-depressao-sem-medicamento-nem-psicanalise","tag-amor","tag-curar-o-stress","tag-depressao","tag-dr-david-servan-schreiber"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5679\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}