{"id":5761,"date":"2016-10-04T09:20:00","date_gmt":"2016-10-04T12:20:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5761"},"modified":"2016-10-04T09:20:00","modified_gmt":"2016-10-04T12:20:00","slug":"o-sempre-fascinante-sigmund-freud","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2016\/10\/04\/o-sempre-fascinante-sigmund-freud\/","title":{"rendered":"O sempre fascinante Sigmund Freud"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre com expectativa que aguardo a tradu\u00e7\u00e3o de um novo livro de Elisabeth Roudinesco. Dessa vez n\u00e3o foi diferente. H\u00e1 duas semanas iniciava, emocionado, a leitura de \u201cSigmund Freud em sua \u00e9poca e em nosso tempo\u201d, biografia de Freud escrita pela historiadora e psicanalista francesa.<\/p>\n<p>Logo nas primeiras p\u00e1ginas Elisabeth Roudinesco tra\u00e7a um retrato preciso do biografado: \u201cEste livro, portanto, dividido em quatro partes, narra a vida de um homem ambicioso, oriundo de uma antiga linhagem de negociantes da Gal\u00edcia oriental, que se d\u00e1 ao luxo, ao longo de uma \u00e9poca turbulenta \u2013 esfacelamento dos imp\u00e9rios centrais, Primeira Guerra Mundial, crise econ\u00f4mica, triunfo do nazismo -, de ser ao mesmo tempo um conservador esclarecido que busca libertar o sexo para melhor control\u00e1-lo, um decifrador de enigmas, um observador atento da esp\u00e9cie animal, um amigo das mulheres, um estoico fan\u00e1tico por antiguidades, um \u2018desilusionista\u2019 do imagin\u00e1rio, um herdeiro do romantismo alem\u00e3o, um dinamitador das certezas da consci\u00eancia, mas, tamb\u00e9m e acima de tudo talvez, um judeu vienense, desconstrutor do juda\u00edsmo e das identidades comunit\u00e1rias, aferrado tanto \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o dos tr\u00e1gicos gregos (\u00c9dipo) como \u00e0 heran\u00e7a do teatro shakespeariano (Hamlet)\u201d (p. 11).<\/p>\n<p>Desde Ernest Jones, autor de uma das mais importantes biografias do criador da psican\u00e1lise, Sigmund Freud sobressai como um dos homens que mais teve a vida escarafunchada. No af\u00e3 de desvendar-lhe a intimidade, alinham-se turifer\u00e1rios e detratores. A par disso, destacam-se, tamb\u00e9m, respeit\u00e1veis estudiosos da vida e obra freudianas.<\/p>\n<p>Embora a muitos parecesse que n\u00e3o restava mais nada a dizer sobre Freud, o livro de Elisabeth Roudinesco veio desmentir a suposi\u00e7\u00e3o. Parte consider\u00e1vel dos arquivos Freud, preservados no departamento de manuscritos da Biblioteca do Congresso de Washington, apenas recentemente se tornaram acess\u00edveis. Foi essa uma das fontes de que se valeu a autora para escrever sua biografia, e isso j\u00e1 constitui um diferencial importante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s anteriores. Dentre as informa\u00e7\u00f5es valiosas do livro vale destacar a lista dos pacientes de Freud.<\/p>\n<p>O melhor de tudo, entretanto, est\u00e1 no enfoque dado pela autora ao biografado. Das p\u00e1ginas de \u201cSigmund Freud na sua \u00e9poca e em nosso tempo\u201d emerge um homem profundamente humano, com tudo o que isso comporta de contradi\u00e7\u00f5es e fragilidades, mas, nem por isso, menos apaixonante.<\/p>\n<p>Para quem vasculhou dimens\u00f5es t\u00e3o profundas e obscuras, entretanto, n\u00e3o poderia ser diferente, como assevera Roudinesco: \u201cNunca \u00e9 demais dizer como Freud, homem do Iluminismo e decifrador dos verdadeiros enigmas da psique humana, em contraponto a seu amor \u00e0 ci\u00eancia, n\u00e3o cansou de desafiar simultaneamente as for\u00e7as obscuras pr\u00f3prias da humanidade para jogar luzes sobre sua pujan\u00e7a subterr\u00e2nea, correndo o risco de nela se perder\u201d (p. 330).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 sempre com expectativa que aguardo a tradu\u00e7\u00e3o de um novo livro de Elisabeth Roudinesco. Dessa vez n\u00e3o foi diferente. 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