{"id":5768,"date":"2016-10-15T13:29:29","date_gmt":"2016-10-15T16:29:29","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5768"},"modified":"2016-10-15T13:29:29","modified_gmt":"2016-10-15T16:29:29","slug":"e-desde-aquele-encontro-eu-nunca-mais-fui-o-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2016\/10\/15\/e-desde-aquele-encontro-eu-nunca-mais-fui-o-mesmo\/","title":{"rendered":"E desde aquele encontro eu nunca mais fui o mesmo"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">Vamos partir do princ\u00edpio de que n\u00e3o existem hiatos no tempo. Vamos supor que a vida de Teresa tenha sido um tanto semelhante \u00e0 de todas as pessoas: um lento ac\u00famulo de experi\u00eancias que parecem se enfileirar ao acaso mas \u2013 a\u00ed sim \u2013 subitamente ganham sentido e transformam-se em uma realidade inteiramente nova. Vamos aceitar a hip\u00f3tese de que o caminho da santidade tamb\u00e9m possa ser uma constru\u00e7\u00e3o, um trabalho de formiguinha, cheio de percal\u00e7os, d\u00favidas e hesita\u00e7\u00f5es. Mas, sobretudo, vamos imaginar que nada do que vivemos se perde. Toda experi\u00eancia pode vir a ser \u00fatil, at\u00e9 mesmo o deixar-se levar pelas circunst\u00e2ncias, desde que tenhamos os olhos muito abertos para aprender.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Rosa Amanda Strausz<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">[<strong>Strausz, Rosa Amanda. Teresa, a santa apaixonada<\/strong>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2055, p. 105.]<\/span><\/p>\n<p>Hoje, a exemplo do que fa\u00e7o diariamente, levantei cedo para fazer minhas ora\u00e7\u00f5es matinais. Um fato, por\u00e9m, deu um toque diferente a essa rotina. \u00c9 que hoje se celebra a Festa de Santa Teresa d\u2019\u00c1vila. Al\u00e9m do calend\u00e1rio civil que toda pessoa segue ao longo do ano, cada um de n\u00f3s tem seu calend\u00e1rio particular. Este \u00e9 composto daquelas datas que elegemos como nossas datas. S\u00e3o dias especiais, para os quais nos preparamos e aos quais damos um destacado valor. Pois bem, dentre as datas do meu calend\u00e1rio particular, duas est\u00e3o especialmente assinaladas: 28 de mar\u00e7o e 15 de outubro. Ambas est\u00e3o associadas a uma mesma pessoa, Santa Teresa d\u2019\u00c1vila. Na primeira, celebra-se o anivers\u00e1rio de seu nascimento; na segunda, a sua passagem para a outra vida. Sempre me preparo de uma forma muito especial para essas datas. Este ano n\u00e3o foi diferente. Aqui estou, pois, como parte das minhas homenagens particulares \u00e0 Mestra, escrevendo este artigo.<\/p>\n<p>Motivado pela data, iniciei, domingo passado, a releitura de trechos do livro da jornalista carioca Rosa Amanda Strausz, \u201cTeresa, a santa apaixonada\u201d, que eu havia sublinhado anteriormente. A autora escolheu muito bem o t\u00edtulo do livro, pois Santa Teresa era n\u00e3o apenas uma santa apaixonada, como, tamb\u00e9m, apaixonante. Imposs\u00edvel se aproximar de sua vida e obra sem se sentir dominado por sua fascinante figura.<\/p>\n<p>Comigo foi assim, desde o in\u00edcio, e esse fasc\u00ednio s\u00f3 tem aumentado com o tempo. No dia 20 de abril desse ano de 2016 completaram-se duas d\u00e9cadas desde que adquiri o volume de suas Obras Completas. Desde ent\u00e3o, o mergulho em seus escritos tem me levado a descobrir sempre novas nuances da experi\u00eancia religiosa, especialmente no que toca \u00e0 pr\u00e1tica da ora\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, n\u00e3o fosse o providencial amparo da Mestra e eu, certamente, j\u00e1 teria h\u00e1 muito desistido desse caminho, t\u00e3o dif\u00edcil e tortuoso.<\/p>\n<p>Santa Teresa fascina porque convence. Sua capacidade de atrair para o seu projeto aqueles que dela se aproximam \u00e9 surpreendente. Mas se ela convence \u00e9, principalmente, porque tudo o que escreve partiu de uma experi\u00eancia vivida at\u00e9 as \u00faltimas consequ\u00eancias. Quando lemos sobre a sua experi\u00eancia da busca de Deus, pela via da ora\u00e7\u00e3o, sentimo-nos irresistivelmente convocados a trilhar o caminho que ela trilhou. E cada vez que fraquejamos e pensamos \u201ceu n\u00e3o serei capaz de ir t\u00e3o longe\u201d, ela se faz presente, incentivando-nos e instando para que n\u00e3o desistamos.<\/p>\n<p>Tenho dialogado muito com Santa Teresa. Todos os dias. Diariamente. Todas as manh\u00e3s. Uma manh\u00e3 que, por algum motivo, eu deixe de comparecer \u00e0 sua presen\u00e7a para a nossa conversa cotidiana, provoca-me uma grande falta, um v\u00e1cuo. O dia n\u00e3o fica completo sem esse encontro. Trato com ela como se trata com uma grande amiga, sobretudo com muita intimidade e total convic\u00e7\u00e3o de que ela me escuta e me responde. E responde mesmo. Eu n\u00e3o me atreveria a emprestar para ningu\u00e9m o meu exemplar de suas Obras Completas. \u00c0s margens de suas p\u00e1ginas est\u00e3o registrados momentos muito \u00edntimos e pessoais de nossos di\u00e1logos matinais. Intitulo-os os meus \u201cdi\u00e1logos matinais com Santa Teresa d\u2019\u00c1vila\u201d.<\/p>\n<p>Para concluir, cito um trecho do livro acima mencionado, que d\u00e1 bem uma ideia do que pode significar o encontro com a mestra avilesa: \u201cPronto. De agora em diante, seria assim. A experi\u00eancia que propunha n\u00e3o era para todos, mas apenas para aqueles realmente desejosos de encontrar o caminho pela via do sens\u00edvel. E essa corda ela sabia tocar muito bem com as palavras. Uma vez que pousasse os olhos sobre a figura de um companheiro, n\u00e3o o deixaria sair ileso do encontro\u201d (p. 167).<\/p>\n<p>Acho que ela um dia p\u00f4s os olhos sobre mim. E eu n\u00e3o sa\u00ed ileso do encontro. Nunca mais fui o mesmo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos partir do princ\u00edpio de que n\u00e3o existem hiatos no tempo. 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