{"id":5777,"date":"2016-11-25T14:54:28","date_gmt":"2016-11-25T17:54:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5777"},"modified":"2016-11-25T14:54:28","modified_gmt":"2016-11-25T17:54:28","slug":"conversa-de-hagiologo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2016\/11\/25\/conversa-de-hagiologo\/","title":{"rendered":"Conversa de hagi\u00f3logo"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns tr\u00eas anos uma amiga muito querida, a desembargadora Gizela Nunes da Costa, interpelou-me nestes termos: \u201cEu gostaria de lhe convidar para uma reuni\u00e3o da Academia Brasileira de Hagiologia\u201d. Fiquei surpreso com o convite. Eu n\u00e3o sabia da exist\u00eancia de tal sodal\u00edcio, uma institui\u00e7\u00e3o com status de academia dedicada ao estudo da vida e obra dos santos.<\/p>\n<p>Dias depois l\u00e1 estava eu, na capela de Nossa Senhora de Lourdes do Col\u00e9gio da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, onde a agremia\u00e7\u00e3o se re\u00fane mensalmente, assistindo a uma palestra sobre o patrono de um dos acad\u00eamicos. A Academia Brasileira de Hagiologia-ABRAHGI (http:\/\/hagiologia.blogspot.com.br\/) \u00e9 composta por quarenta cadeiras, cada uma tendo por patrono ou patronesse um santo ou santa.<\/p>\n<p>Desde muito cedo fascinado pela vida e obra dos santos, logo me tornei um frequentador ass\u00edduo das reuni\u00f5es da ABRAHGI. O encontro mensal com aqueles homens e mulheres dedicados ao af\u00e3 de defender a causa dos santos provocou-me algumas quest\u00f5es que passaram a martelar a minha cabe\u00e7a cada vez que retornava para casa. Qual o sentido de se falar em santidade hoje? Ou melhor, \u00e9 cab\u00edvel, ainda, no mundo secularizado em que se vive, sustentar uma proposta de santidade?<\/p>\n<p>Uma das minhas atitudes mais imediatas, em face dos questionamentos, foi o retorno a alguns livros que, h\u00e1 algum tempo, eu n\u00e3o folheava. Retornei \u00e0s p\u00e1ginas da \u201cAutobiografia\u201d de Santo Ant\u00f4nio Maria Claret, das biografias de Tereza Benedita da Cruz (Edith Stein) e de Dom Bosco, o primeiro santo de que me tornei devoto, aos dez anos de idade. Voltei, tamb\u00e9m, a me encantar com a releitura dos maravilhosos relatos da \u201cLegenda \u00c1urea: vidas de santos\u201d, do italiano Jacopo de Varazze.<\/p>\n<p>Encantamento. Essa \u00e9 a palavra. A vida est\u00e1 desencantada, e precisamos, urgentemente, reencant\u00e1-la. O contato com a maravilhosa vida dos santos \u00e9 um poss\u00edvel caminho para tal reencantamento. Talvez seja esse um bom motivo para estud\u00e1-los. Eles nos mostram, com sua exist\u00eancia, que as possibilidades humanas v\u00e3o muito al\u00e9m do que se possa imaginar. Recordo, a prop\u00f3sito, o surpreendente e impactante trecho do livro \u201cTeresa de \u00c1vila ou o divino prazer\u201d, da francesa Elisabeth Reynaud, ao qual sempre retorno cada vez que penso a quest\u00e3o da santidade: \u201cO santo \u00e9 uma forma avan\u00e7ada da humanidade. Deu alguns passos a mais nas metamorfoses do Homo Sapiens. O santo nos interessa porque tem a sabedoria de ser louco, vale dizer, de ultrapassar as fronteiras do natural para inventariar outras formas de comunica\u00e7\u00e3o com o invis\u00edvel. Provavelmente ser\u00e1 alcan\u00e7ado pela ci\u00eancia nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, pois experimenta sozinho, sem ter pretendido, o campo das descobertas magn\u00e9ticas que o futuro est\u00e1 para nos revelar. Ele vibra com conhecimentos inexprim\u00edveis, pois n\u00e3o \u00e9 nem o cientista nem o t\u00e9cnico daquilo que vivencia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 uns tr\u00eas anos uma amiga muito querida, a desembargadora Gizela Nunes da Costa, interpelou-me nestes termos: \u201cEu gostaria de lhe convidar para uma reuni\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[37],"tags":[54,56,163,200,204,205,225,248,251,375,381,384,386,418,430],"class_list":["post-5777","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-34-conversa-de-hagiologo","tag-abrahgi","tag-academia-brasileira-de-hagiologia","tag-elisabeth-reynaud","tag-gizlela-nunes-da-costa","tag-hagilogia","tag-hagiologo","tag-jacopo-de-varazze","tag-legenda-aurea","tag-lenda-dourada","tag-santa-teresa-davila","tag-santidade","tag-santo-antonio-maria-claret","tag-santos","tag-tiago-de-varazze","tag-vidas-de-santos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5777","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5777"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5777\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5777"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5777"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5777"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}