{"id":5781,"date":"2017-01-02T20:13:18","date_gmt":"2017-01-02T23:13:18","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5781"},"modified":"2017-01-02T20:13:18","modified_gmt":"2017-01-02T23:13:18","slug":"um-dicionario-para-bibliofilos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2017\/01\/02\/um-dicionario-para-bibliofilos\/","title":{"rendered":"Um dicion\u00e1rio para bibli\u00f3filos"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">Anopist\u00f3grafo, colaturas, <\/span><\/em><span style=\"color: #800080\">cul-de-lampe<\/span><em><span style=\"color: #800080\">, facustol, ozalide, dente-de-cachorro, corandel. Desculpem-me aqueles que leem estas linhas em uma livraria em que os livros permanecem fechados em embalagens pl\u00e1sticas, ou, eventualmente, aqueles que as leem em uma reprodu\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, mas apenas abrindo este <strong>Dicion\u00e1rio do Livro: Da Escrita ao Livro Eletr\u00f4nico<\/strong>, poder\u00e3o descobrir os sentidos exatos e espec\u00edficos, relacionados ao mundo bibliogr\u00e1fico, dessas palavras e express\u00f5es.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Jos\u00e9 Mindlin<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">[ Faria, Maria Isabel Ribeiro de.; Peric\u00e3o, Maria da Gra\u00e7a. <strong>Dicion\u00e1rio do Livro: Da Escrita ao Livro Eletr\u00f4nico<\/strong> . \u2013 S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, 2008, trecho do texto da contracapa.]<\/span><\/p>\n<p>Dia 15 de dezembro tinha sido a data marcada para a minha posse na <em>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bibli\u00f3filos<\/em>, por ocasi\u00e3o do jantar anual de confraterniza\u00e7\u00e3o promovido pela agremia\u00e7\u00e3o no Ideal clube. Ansiei muito por este dia, pois ingressar num sodal\u00edcio composto por amantes do livro era um sonho acalentado h\u00e1 muito tempo. Eis que agora, sem que eu jamais tivesse manifestado a quem quer que seja meu anseio, ele se realizaria.<\/p>\n<p>Pela manh\u00e3 me dirigi \u00e0 Livraria Arte e Ci\u00eancia com o objetivo de adquirir alguns livros sobre bibliofilia para assinalar a data, pois ali sempre encontro bons livros sobre o assunto. Dentre os escolhidos, gostaria de comentar aqui um que considero de particular interesse pelo fato de constituir uma esp\u00e9cie de comp\u00eandio particularmente valioso para aqueles que, como eu, t\u00eam no livro uma de suas maiores paix\u00f5es.<\/p>\n<p>Trata-se do \u201cDicion\u00e1rio do Livro: Da Escrita ao Livro Eletr\u00f4nico\u201d. A alentada obra foi escrita por duas autoras portuguesas, Maria Isabel Faria e Maria da Gra\u00e7a Peric\u00e3o, ambas especialistas em cataloga\u00e7\u00e3o e \u00a0conserva\u00e7\u00e3o de livros.<\/p>\n<p>Contando com nada menos que 22.957 entradas, uma das grandes virtudes da obra \u00e9\u00a0 o cuidado que tiveram as autoras de, a par da inser\u00e7\u00e3o de neologismos e termos contempor\u00e2neos associados \u00e0 tem\u00e1tica do livro, terem tido o cuidado de \u00a0compilar tamb\u00e9m verbetes arcaicos ou em desuso, que corriam o risco de se perderem caso n\u00e3o fossem registrados, conforme afirmam:<\/p>\n<p>\u201cExaminando este dicion\u00e1rio, a primeira coisa que surpreende (e n\u00e3o fomos n\u00f3s as menos surpresas!&#8230;) \u00e9 o consider\u00e1vel n\u00famero de palavras e express\u00f5es que \u00e9 usado na arte gr\u00e1fica e nas ind\u00fastrias afins. Evidentemente que n\u00e3o temos a veleidade de ter recolhido todos os voc\u00e1bulos de um universo t\u00e3o extenso como este sem termos esquecido algum, mas pareceu-nos que seria uma perda irrepar\u00e1vel deixar passar a oportunidade da sua divulga\u00e7\u00e3o, apesar da limita\u00e7\u00e3o que desde o in\u00edcio lhe reconhecemos, pela enorme quantidade e diversidade de dom\u00ednios terminol\u00f3gicos que abarca. Tamb\u00e9m \u00e9 prov\u00e1vel que a terminologia rec\u00e9m-chegada e os neologismos todos os dias criados e ainda n\u00e3o fixados, at\u00e9 por esse fato, possam n\u00e3o ter sido consignados; todavia, no que respeita \u00e0 terminologia mais antiga, ca\u00edda em desuso e que corria o risco de desaparecer irremediavelmente, essa ter\u00e1 sido recolhida quase na totalidade. Ali\u00e1s, a garantia do seu registro foi um dos nossos objetivos primordiais ao concebermos esta obra (p. 14).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em virtude da complexidade do tema, a obra lan\u00e7a m\u00e3o, inclusive, de voc\u00e1bulos de outras \u00e1reas, dentre as quais podem ser citadas a arquitetura e a liturgia. A prop\u00f3sito, informam as autoras: \u201cUma quest\u00e3o que poder\u00e1 deixar o leitor perplexo \u00e9 a de aparecerem inseridos numa obra desta natureza termos arquitet\u00f4nicos ou lit\u00fargicos, por exemplo. Tal circunst\u00e2ncia poder\u00e1, \u00e0 primeira vista, levar a pensar numa sele\u00e7\u00e3o terminol\u00f3gica incorreta ou feita de uma forma apressada, o que efetivamente n\u00e3o aconteceu. A inser\u00e7\u00e3o desses termos neste texto justifica-se pelo fato de, no tratamento t\u00e9cnico do livro antigo ilustrado, por exemplo, poder haver necessidade de descrever portadas de estilo arquitet\u00f4nico, referir gravuras com inscri\u00e7\u00f5es, etc., o que traz consigo o recurso obrigat\u00f3rio ao uso dessa terminologia. No que respeita aos termos lit\u00fargicos (ora\u00e7\u00f5es, diferentes partes do of\u00edcio divino, horas can\u00f4nicas, partes da B\u00edblia) e a outros ligados \u00e0 ambi\u00eancia religiosa ou a termos musicais (libreto, nota\u00e7\u00e3o musical, partitura e diversos g\u00eaneros de m\u00fasica), a sua inclus\u00e3o fica a dever-se \u00e0 circunst\u00e2ncia de tais informa\u00e7\u00f5es serem necess\u00e1rias a quem tem a seu cargo a descri\u00e7\u00e3o de c\u00f3dices iluminados ou outros ou o tratamento t\u00e9cnico de fundos bibliogr\u00e1ficos musicais antigos. Inclu\u00edmos ainda os aspectos da composi\u00e7\u00e3o, edi\u00e7\u00e3o e os da encaderna\u00e7\u00e3o, dado que esta constitui o \u00faltimo est\u00e1gio da montagem do livro tradicional como unidade f\u00edsica (p. 16).<\/p>\n<p>Em que pese o t\u00edtulo que dei a esta resenha, n\u00e3o se pense, entretanto, que o Dicion\u00e1rio do Livro interesse apenas a bibli\u00f3filos: \u201cUma obra como esta destina-se a um universo muito vasto. Ela dirige-se, poder\u00e1 dizer-se, a quantos, de uma ou outra forma, interv\u00eam no percurso do livro, tais como: fabricantes de papel, autores, tip\u00f3grafos, impressores, encadernadores, ilustradores, designers, leitores, etc.; bibliotec\u00e1rios, arquivistas, documentalistas e demais t\u00e9cnicos que trabalham com informa\u00e7\u00e3o; bibli\u00f3filos, alfarrabistas, pessoas e entidades ligadas \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o do livro antigo ou moderno; pesquisadores; pessoas que trabalham no mundo dos neg\u00f3cios da informa\u00e7\u00e3o; estudantes de Bibliografia, Biblioteconomia, Ci\u00eancias Documentais, Ci\u00eancias da Informa\u00e7\u00e3o, Arquivologia, etc.; curiosos, que a compulsar\u00e3o como recorrem a qualquer outro dicion\u00e1rio t\u00e9cnico e quantos, em suma, est\u00e3o ligados \u00e0 escrita e \u00e0 ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o registrada em suporte papel ou eletr\u00f4nico\u201d (p. 15).<\/p>\n<p>Inicialmente publicado em Portugal, o &#8220;Dicion\u00e1rio do Livro: da Escrita ao Livro Eletr\u00f4nico&#8221;, editado no Brasil pela Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo, \u00e9, segundo informa Jos\u00e9 Mindlin, provavelmente o \u00fanico existente em l\u00edngua portuguesa. Uma obra que os aficionados pelo livro compulsar\u00e3o com imenso prazer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anopist\u00f3grafo, colaturas, cul-de-lampe, facustol, ozalide, dente-de-cachorro, corandel. 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