{"id":5812,"date":"2017-03-21T13:37:07","date_gmt":"2017-03-21T16:37:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5812"},"modified":"2017-03-21T13:37:07","modified_gmt":"2017-03-21T16:37:07","slug":"o-vendedor-de-ilusoes-poeticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2017\/03\/21\/o-vendedor-de-ilusoes-poeticas\/","title":{"rendered":"O vendedor de ilus\u00f5es po\u00e9ticas"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">J\u00e1 basta de conversas bobas\/prosas inocentes \u2013 quem n\u00e3o sabe a veracidade\/e ainda n\u00e3o descobriu o seu ser radiante&#8230; \/\/ Entretanto, n\u00e3o \u00e9 isso que procuro\/por que teima&#8230;\/Realmente \u00e9 um absurdo\/ o que fazer&#8230; requeiro aux\u00edlio. \/\/\u00a0 Cansado dessa extensa jornada&#8230;\/Aspiro encontrar uma cintil\u00e2ncia\/Luz Divina para ajudar a alcan\u00e7ar o alvo. \/\/ N\u00e3o desejo jogos, passeios in\u00fateis\/nem me deparar com pessoas inv\u00e1lidas, chega\/de cargas negativas \u2013 pesadas&#8230; \/\/ N\u00e3o quero ir para tr\u00e1s e sim para diante de voc\u00ea\/Leve-me&#8230; sou a sua imagem&#8230; veja se me enxerga\/E conduza-me no seu \u00edntimo&#8230;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Alfredo Pinto J\u00fanior<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">[<strong>J\u00fanior, Alfredo Pinto. Arte de Descrever \u2013 Trajet\u00f3ria em Poemas<\/strong>\u00a0\u2013 7\u00aa ed. Revista e ampliada. \u2013 Fortaleza: Express\u00e3o Gr\u00e1fica e Editora, 2016, Papos, p. 27]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Semana passada meu sogro, Sr. Benedito Marcondes, chegou \u00e0 minha casa \u00a0me trazendo um livro. Na ocasi\u00e3o, quase n\u00e3o tivemos oportunidade de conversar sobre o presente, pois eu estava meio assoberbado preparando um curso que ministraria no dia seguinte. Mas do que ele falou naquela noite, uma express\u00e3o me ficou ecoando nos ouvidos ao longo dos dias seguintes: \u201cVendedor de ilus\u00f5es\u201d. Esta manh\u00e3, j\u00e1 tendo conclu\u00eddo a leitura, liguei pra ele pra perguntar como aquele livro chegara \u00e0s suas m\u00e3os. Disse-me ele: \u201cVasco, eu estava num mercadinho no Eus\u00e9bio quando se aproximou de mim um rapaz com alguns livros debaixo do bra\u00e7o. Perguntou se eu n\u00e3o gostaria de adquirir um exemplar. Pelo entusiasmo demonstrado, percebi que se tratava de um vendedor de ilus\u00f5es\u201d. E concluiu: \u201cVoc\u00ea j\u00e1 pensou, rapaz, num pa\u00eds como o nosso o cara sair por estes rinc\u00f5es do interior do Nordeste vendendo seus pr\u00f3prios livros! \u00c9 muita coragem! No ato adquiri dois exemplares: um pra mim e um pra voc\u00ea\u201d. Referia-se ele ao livro \u201cArte de Descrever \u2013 Trajet\u00f3ria em Poemas\u201d, do poeta paraibano Alfredo Pinto J\u00fanior, sobre o qual tecerei, a seguir, algumas breves impress\u00f5es provocadas em mim pela leitura .<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Uma das t\u00f4nicas da po\u00e9tica de Alfredo Pinto J\u00fanior \u00e9 o romantismo, o amor a dois, expresso em versos como os do poema Minha \u201csorte\u201d: \u201cNo mundo afora te conheci\/um mundo sem cores, sem flores\/sem meios, sem soma. \/\/ N\u00e3o sei o porqu\u00ea de tanta sorte\/que sorte a minha! Minha sorte. \/\/ Eu, uma crian\u00e7a perdida com o olhar para o al\u00e9m\/com \u00e2nsia, sem vontade de viver\/te conheci \u2013 admiti a minha linda, fina flor. \/\/ Oh! Que tanta sorte, sorte minha, minha sorte\/ter me deparado com voc\u00ea\/ e nos nossos abra\u00e7os o consolo, a esperan\u00e7a&#8230;\/a inspira\u00e7\u00e3o de viver uma nova vida\/uma nova cria\u00e7\u00e3o, uma nova vis\u00e3o. \/\/ Nas estradas que h\u00e3o de vir\/com o cora\u00e7\u00e3o a palpitar, iremos juntos\/com os olhares ativos, altivos\/com o sorriso espl\u00eandido iremos alcan\u00e7ar \/\/ Assim, iremos chegar\u201d (p.44).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Poema que tem seu complemento em outro, intitulado Lindo visual, que \u00e9 quase uma continuidade do anterior, no qual tece loas \u00e0 esposa amada: \u201cAo me encantar fico a imaginar\/os frutos que iremos desfrutar\/ e a del\u00edcia do bem estar. \/\/ Lindo \u00e9, exuberante o seu interior\/a sua fisionomia, seu exterior\/e o nosso verdadeiro amor. \/\/ Ao estar com voc\u00ea sinto a melodia infinita\/harmonia pr\u00e9-estabelecida, o viver da natureza \/\/ ou\u00e7o o sibilar dos p\u00e1ssaros\/o soprar dos ventos, o dan\u00e7ar das folhas. \/\/ \u00d3 minha primeira tudo&#8230;\/E sempre esposa\u201d (p. 45).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">A tem\u00e1tica da busca espiritual, mais especificamente, do amor a Deus, \u00e9 outro fio condutor da cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do autor, patenteada em poemas como \u00d3 meu Deus: \u201c\u00d3 meu Deus, muito obrigado\/por ter me salvado\/por ter nos livrado\/por saber do meu medo\/por ver a minha cegueira \/\/ \u00d3 Senhor, muito obrigado\/por ter me salvado. \/\/ \u00d3 Pai, meu Deus, muito obrigado\/ por ter me salvado\/por ter nos livrado\/por saber do meu medo\/por ver a minha cegueira \u00a0\/\/ \u00d3 Senhor dos Ex\u00e9rcitos,\/muito obrigado por ter me salvado!\u201d(p. 53)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Saliente-se, ainda, a completar o vi\u00e9s m\u00edstico-religioso dos versos de Alfredo Pinto J\u00fanior, os diversos poemas em que sobressai a figura daquele que o poeta escolheu para seu Mestre, ratificado, por exemplo, num poema cujo t\u00edtulo, \u201c\u00d3 Jesus&#8230;!\u201d, \u00e9 uma invoca\u00e7\u00e3o ao homenageado: \u201cPelas estradas da vida percorri pelas sombras&#8230;\/Sem o raio de luz, sem vis\u00e3o. \/\/ Mas os encontrei ao conhecer as palavras infinitas\/as verdadeiras palavras, a Palavra do Senhor. \/\/ \u00d3 Jesus n\u00e3o demores n\u00e3o!\/precisamos de Paz, eterna Paz\/a Paz do Senhor. \/\/ \u00d3 Senhor&#8230;\/Deus, por favor! (p. 82).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Um discreto toque filos\u00f3fico tamb\u00e9m transparece em algumas de suas cria\u00e7\u00f5es, dentre as quais destacaria os versos de Resposta: \u201cO tempo \u00e9 a melhor resposta pra tudo\/tudo acompanhado com calma. \/\/ Nunca sabemos do futuro cem por cento\/a n\u00e3o ser da primeira morte e do ju\u00edzo final&#8230; \/\/ Pense no sim e n\u00e3o no talvez. \/\/ Os pensamentos e as a\u00e7\u00f5es positivas\/podem se tornar realidade&#8230; \/\/ Veja o belo e n\u00e3o a nevoada.\u201d(p. 46).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-5814 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/03\/Alfredo-Pinto-J\u00fanior.jpg\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"140\" \/>Nascido em 25 de mar\u00e7o de 1977, em Capina Grande-PB, Alfredo Jos\u00e9 Pinto de Oliveira J\u00fanior teve suas cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias publicadas nos jornais Di\u00e1rio da Borborema, PB Letras e Folha do Cariri. \u201cArte de Descrever \u2013 Trajet\u00f3ria em Poemas\u201d, j\u00e1 na s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o, foi originalmente publicado em 2008 pelo projeto FUMIC \u2013 Fundo Municipal de Incentivo \u00e0 Cultura da Prefeitura de Campina Grande.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">A completar o livro, o autor oferece ao leitor uma sele\u00e7\u00e3o de pensamentos de sua lavra, num dos quais, como algu\u00e9m que elegeu a escrita po\u00e9tica como forma privilegiada de afirma\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia, afirma: \u201cFoi atrav\u00e9s das palavras que me expandi&#8230;\u201d<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 basta de conversas bobas\/prosas inocentes \u2013 quem n\u00e3o sabe a veracidade\/e ainda n\u00e3o descobriu o seu ser radiante&#8230; \/\/ Entretanto, n\u00e3o \u00e9 isso que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":5813,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[64,83,340],"class_list":["post-5812","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-03-arcano-iii-digressoes-de-um-bibliofilo","tag-alfredo-pinto-junior","tag-arte-de-descrever-trajetoria-em-poemas","tag-poesia-paraibana"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5812"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5812\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}