{"id":5823,"date":"2017-05-18T08:52:38","date_gmt":"2017-05-18T11:52:38","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5823"},"modified":"2017-05-18T08:52:38","modified_gmt":"2017-05-18T11:52:38","slug":"a-vida-transverberada-pela-beleza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2017\/05\/18\/a-vida-transverberada-pela-beleza\/","title":{"rendered":"A vida transverberada pela Beleza"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #800080\">No par\u00e1grafo que abre o livro \u201cHist\u00f3ria do ate\u00edsmo: os descrentes no mundo ocidental, das origens aos nossos dias\u201d, \u00a0George Minois, historiador das mentalidades religiosas, indaga: \u201cUma hist\u00f3ria da descren\u00e7a [incroyance] e do ate\u00edsmo, numa \u00e9poca em que se proclama por toda parte a \u00b4volta da religi\u00e3o`, a \u00b4revanche de Deus` e o \u00b4reencantamento do mundo`, seria uma provoca\u00e7\u00e3o, um ato de inconsci\u00eancia, um arca\u00edsmo ou um del\u00edrio?\u201d(p. 1) concluindo, no cap\u00edtulo final da obra: \u201cA civiliza\u00e7\u00e3o do ano 2000 \u00e9 ateia. O fato de ainda falar de Deus, Al\u00e1, Iav\u00e9 ou outros n\u00e3o muda nada, porque o conte\u00fado do discurso n\u00e3o \u00e9 mais religioso, mas pol\u00edtico, sociol\u00f3gico, psicol\u00f3gico. O pr\u00f3prio sagrado deixou de existir; nem o homem, que era visto no s\u00e9culo XIX como sucessor de Deus, tomou o seu lugar. Basta ver como ele \u00e9 tratado, como \u00e9 manipulado, como \u00e9 martirizado, para se convencer de que a humanidade n\u00e3o foi divinizada. No naufr\u00e1gio generalizado dos valores, resta apenas um sagrado irredut\u00edvel: eu. E \u00e9 em \u00faltima inst\u00e2ncia no eu que teremos de nos alicer\u00e7ar para construir uma nova racionalidade\u201d (p. 730).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Em que pese a consist\u00eancia dos argumentos aduzidos pelo autor, custa-me aceitar que devamos desistir dessa dimens\u00e3o t\u00e3o vital para o ser humano sintetizada na palavra sagrado. Admitamos ou n\u00e3o, ela continua mais presente do que se poderia supor. Considere-se, por exemplo, o halo de sacralidade experimentado pelos cat\u00f3licos ao longo dessa semana, por ocasi\u00e3o da celebra\u00e7\u00e3o dos cem anos das apari\u00e7\u00f5es de F\u00e1tima. Antero de Figueiredo expressou-o de forma lapidar no livro \u201cF\u00e1tima: gra\u00e7as, segredos, mist\u00e9rios\u201d, ao comentar a representa\u00e7\u00e3o iconogr\u00e1fica de Nossa Senhora de F\u00e1tima, em que interagem as dimens\u00f5es natural e sobrenatural: \u201cDuas naturezas distintas? Sim, mas unidas: a Vida \u00e9 composta de vida finita e de vida infinita, ambas postas, vis\u00edveis e invis\u00edveis, no mesmo painel da exist\u00eancia. D\u00edptico humano e divino, eis o quadro que sintetiza todo o anelo do fraco que se arrima ao forte; todo o apelo da criatura ao Criador: &#8211; aquela sofreguid\u00e3o do esp\u00edrito \u00e0 Beleza, aquele suspiro de alma pelo Ideal, aquela transfigura\u00e7\u00e3o do ser em Deus\u201d (p. 15).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Para alguns te\u00f3logos, a f\u00e9 \u00e9 fruto da gra\u00e7a; para outros, trata-se de uma decis\u00e3o pessoal, um ato volitivo e livre, portanto. Para mim, apenas um leigo, n\u00e3o \u00e9 uma coisa nem outra, resultando, antes, de uma intera\u00e7\u00e3o entre ambas. N\u00e3o conseguiria viver de outra forma que n\u00e3o amparado na convic\u00e7\u00e3o de que o sagrado \u00e9 um dado real tanto quanto o mundo material em que vivemos e nos movemos. Talvez ao assumir tal perspectiva, eu esteja apostando numa ilus\u00e3o. Que seja. Ainda assim, \u00e9 uma ilus\u00e3o que tem me proporcionado um olhar sobre a vida que lhe confere um colorido diferente, posto que transverberado pelo influxo dessa Beleza de que fala Antero de Figueiredo.\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No par\u00e1grafo que abre o livro \u201cHist\u00f3ria do ate\u00edsmo: os descrentes no mundo ocidental, das origens aos nossos dias\u201d, \u00a0George Minois, historiador das mentalidades religiosas,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24],"tags":[],"class_list":["post-5823","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-21-justificacao-da-esperanca"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5823","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5823"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5823\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}