{"id":5861,"date":"2017-12-02T19:13:01","date_gmt":"2017-12-02T22:13:01","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5861"},"modified":"2017-12-02T19:13:01","modified_gmt":"2017-12-02T22:13:01","slug":"ajustando-a-vela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2017\/12\/02\/ajustando-a-vela\/","title":{"rendered":"Ajustando a vela"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 muitos anos, quanto li pela primeira vez O fio da navalha, romance do escritor brit\u00e2nico Somerset Maugham (1874-1965), brotou em mim um profundo desejo de conhecer os mestres indianos. Uma das minhas primeiras descobertas, ocorrida de forma casual e surpreendente, foi Ramakrishna Paramahansa (1836-1886). Uma biografia sua veio ao meu encontro de maneira absolutamente inesperada. Naquele livro travei o primeiro contato com a sabedoria indiana. Fiquei profundamente impressionado com a figura e o pensamento de Ramakrishna. Essa semana andei folheando a biografia em busca de uma frase sua citada no livro. Diz o mestre: <em>\u201cA brisa da gra\u00e7a divina sopra sobre todos n\u00f3s. Mas precisamos ajustar a vela para que ela a receba.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, de repente, essa frase me veio \u00e0 mente. As circunst\u00e2ncias, suponho, mobilizaram mem\u00f3rias inconscientes trazendo de volta a frase h\u00e1 muito esquecida. Pus-me a matutar sobre a met\u00e1fora proposta por Ramakrishna. N\u00e3o s\u00e3o poucas as vezes em que percebemos que as coisas n\u00e3o est\u00e3o caminhando como imagin\u00e1ramos. Eis que nos sentimos, de repente, imersos numa letargia tamanha como se o vento n\u00e3o estivesse soprando e o barco da vida ficasse encalhado.<\/p>\n<p>Em ocasi\u00f5es assim, talvez seja necess\u00e1rio fazer uma ligeira reflex\u00e3o para tentar checar o que est\u00e1, de fato, acontecendo. N\u00e3o resta d\u00favida de que, algumas vezes, o vento n\u00e3o nos \u00e9 favor\u00e1vel, parando de soprar ou soprando em outra dire\u00e7\u00e3o. Mas nem sempre \u00e9 assim. Ser\u00e1 que, antes de culpar a falta de vento, n\u00e3o seria mais recomend\u00e1vel verificar a vela do nosso barco?<\/p>\n<p>Claro que culpar o vento \u00e9 muito mais c\u00f4modo. Reajustar a vela do barco pode ser trabalhoso. H\u00e1 o risco at\u00e9 mesmo da vela sofrer algum dano, devido \u00e0 impetuosidade do vento. Nesse caso, uma certa prud\u00eancia pode ser necess\u00e1ria. Mas o ajuste talvez n\u00e3o implique, necessariamente, uma mudan\u00e7a radical de rumo. \u00c9 prov\u00e1vel que se trate muito mais de adequar a nossa vela \u00e0 natureza do vento que sopra, e do qual ainda n\u00e3o nos hav\u00edamos dado conta, para que o barco possa seguir sereno em dire\u00e7\u00e3o ao almejado porto. Creio que todos temos um porto ao qual se destina o barco da vida. Igualmente acredito que, de vez em quando, sejamos agraciados com bons ventos que sopram em nossa dire\u00e7\u00e3o, impelindo o barco.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos recusemos, pois, a navegar, quando somos solicitados a isso. Barco algum foi feito para ficar parado num porto, mas para navegar. Assim \u00e9 a vida. Aproveitemos, pois, a brisa, quando ela soprar enfunando a nossa vela, antes que a eterna calmaria se fa\u00e7a, mesmo que para isso sejam necess\u00e1rios ajustes ao longo da travessia.\u00a0 E se nos faltar a certeza quanto \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do porto para o qual navegamos, lembremos as palavras de Ramakrisnha e entreguemo-nos com f\u00e9 \u00e0 Provid\u00eancia, que a gra\u00e7a divina far\u00e1 o resto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muitos anos, quanto li pela primeira vez O fio da navalha, romance do escritor brit\u00e2nico Somerset Maugham (1874-1965), brotou em mim um profundo desejo&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28],"tags":[],"class_list":["post-5861","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-25-loucura-mansa"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5861","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5861"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5861\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5862,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5861\/revisions\/5862"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5861"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5861"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5861"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}