{"id":5878,"date":"2018-03-10T23:36:00","date_gmt":"2018-03-11T02:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5878"},"modified":"2018-03-10T23:36:00","modified_gmt":"2018-03-11T02:36:00","slug":"simplesmente-virgem-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2018\/03\/10\/simplesmente-virgem-maria\/","title":{"rendered":"Simplesmente Virgem Maria"},"content":{"rendered":"<p><em>Quando a Sant\u00edssima Virgem entra numa alma, faz desabrochar nela uma luminosa primavera; dissipa as nuvens sombrias da tristeza, da d\u00favida e do des\u00e2nimo. Os cora\u00e7\u00f5es que se d\u00e3o sinceramente a Ela s\u00e3o inundados de claridade, de paz e de felicidade. Quereis transformar vossa vida? Quereis praticar facilmente as virtudes que vos parecem inacess\u00edveis e que Deus entretanto vos pede? Quereis conhecer as alegrias inef\u00e1veis que somente o amor de Jesus\u00a0 pode proporcionar e que faziam as del\u00edcias dos Santos? Quereis experimentar em v\u00f3s essas maravilhas? Se o quereis seriamente, n\u00e3o hesiteis um s\u00f3 segundo: dirigi-vos a Maria. N\u00e3o h\u00e1 caminho mais direto para ir a Nosso Senhor.<\/em><\/p>\n<p><em>Padre Thomas de Saint-Laurent<\/em><\/p>\n[<strong>Padre Thomas de Saint-Laurent. A Virgem Maria<\/strong>. \u2013 S\u00e3o Paulo: Artpress, 1996, p. 11. (S\u00e9rie Cultura Religiosa n\u00ba 3).]\n<p>Dentre os muitos livros que se perfilam na prateleira da minha estante dedicada \u00e0 mariologia h\u00e1 um que, apesar de suas pequenas dimens\u00f5es e de seu reduzido n\u00famero de p\u00e1ginas, mereceu ocupar um lugar de destaque pelo conte\u00fado. Trata-se de um livrinho que tem o singelo t\u00edtulo de A Virgem Maria, de autoria do Padre Thomas de Saint-Laurent. Devo esta j\u00f3ia muito rara a uma querida amiga, F\u00e1tima Vasconcelos, que mo presenteou h\u00e1 alguns anos. Senti-me atra\u00eddo e envolvido por sua leitura logo na Introdu\u00e7\u00e3o, em que afirma o autor: \u201cA devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora \u00e9 um dos sinais mais infal\u00edveis de predestina\u00e7\u00e3o\u201d (p. 11). Um b\u00e1lsamo para aqueles que, como eu, t\u00eam cultivado essa devo\u00e7\u00e3o desde a inf\u00e2ncia, embora nem de longe eu me julgue um predestinado.<\/p>\n<p>Conclu\u00edda a Introdu\u00e7\u00e3o, segue-se o cap\u00edtulo I, dedicado ao tema da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, um dos dogmas marianos a que tenho me dedicado ultimamente. A prop\u00f3sito, afirma o Padre Thomas de Saint-Laurent: \u201cO privil\u00e9gio da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o consiste na isen\u00e7\u00e3o da hereditariedade fatal que carregamos ao nascer. O momento que d\u00e1 a vida aos nossos corpos, d\u00e1 morte \u00e0s nossas almas. Nascemos filhos da c\u00f3lera: natura filii irae (Ef 2,3). Em todo o tempo de nossa exist\u00eancia passageira sentimos pesar imensamente sobre n\u00f3s as consequ\u00eancias da queda original. Deixamo-nos seduzir pelo erro. N\u00e3o possu\u00edmos em n\u00f3s mesmos a for\u00e7a para resistir a todas as tenta\u00e7\u00f5es. Nossa carne corrompida \u00e9 queimada pelo fogo maldito da concupisc\u00eancia. Nossos cora\u00e7\u00f5es s\u00e3o dilacerados pela prova\u00e7\u00e3o. Nossos corpos s\u00e3o torturados pela doen\u00e7a. A horr\u00edvel morte nos aterra, enfim. Suprema ignom\u00ednia, a podrid\u00e3o decomp\u00f5e nosso cad\u00e1ver e os vermes disputam nossos despojos. Como nos esmaga o an\u00e1tema que Deus lan\u00e7ou sobre o pecado de Ad\u00e3o! Como se compreende o grito de ang\u00fastia que J\u00f3 lan\u00e7ava em sua mis\u00e9ria: \u201cMaldito o dia em que fui concebido\u201d (J\u00f3 3,3)\u201d (p. 20)<\/p>\n<p>\u201cPelo contr\u00e1rio, mil e mil vezes bendito o dia em que foi concebida a Rainha do C\u00e9u! No instante solene em que Deus criou uma alma para uni-la \u00e0quele pequeno corpo virginal, Ele a fez sair alv\u00edssima, radios\u00edssima, pur\u00edssima de suas m\u00e3os poderosas. Nem um s\u00f3 minuto, nem um s\u00f3 segundo, nem uma s\u00f3 fra\u00e7\u00e3o infinitesimal de segundo p\u00f4de o dem\u00f4nio projetar sobre Maria um olhar de orgulho odiento e cobi\u00e7\u00e1-La como sua presa. Diante desse espet\u00e1culo foi ele tomado de terr\u00edvel furor; reconheceu nEla a Mulher prometida, a Imaculada que deveria esmagar-lhe a cabe\u00e7a sob seu calcanhar virginal\u201d (p. 21).<\/p>\n<p>A este seguem-se dez outros cap\u00edtulos ao longo dos quais o autor nos apresenta a figura da Virgem Maria como quem fala de um ente muito pr\u00f3ximo e muito querido, de cuja amizade tem o privil\u00e9gio de privar. Em virtude desse estilo utilizado pelo Padre Thomas em seu livro, resulta que aos poucos vamos nos sentindo mais e mais atra\u00eddos por Nossa Senhora, de quem emana uma grande do\u00e7ura e benevol\u00eancia.<\/p>\n<p>A certa altura sugere Padre Thomas: \u201cVossa alma est\u00e1 desencorajada sob o golpe da prova\u00e7\u00e3o? O que fizestes, pois, na hora do sofrimento? V\u00f3s vos abandonastes a essa tristeza morna que paralisa nossas for\u00e7as. Omitistes, em vosso abatimento, vossos deveres de estado, talvez at\u00e9 mesmo vossas pr\u00e1ticas de piedade. Cumpria ter-vos atirado instintivamente nos bra\u00e7os de vossa M\u00e3e celeste; dever\u00edeis ter rezado a Ela a todo custo. Se n\u00e3o tivestes sequer a for\u00e7a de murmurar uma simples Ave-Maria, dever\u00edeis ao menos ter clamado por Ela invocando seu Nome bendito. Imediatamente Ela Se teria inclinado sobre v\u00f3s, vos teria consolado e reconfortado\u201d , concluindo, a seguir: \u201cMaria \u00e9 a vida de nossas almas porque Ela nos d\u00e1 Jesus, o Autor de toda vida\u201d (p. 14).<\/p>\n<p>O Padre Thomas de Saint-Laurent nasceu em Lyon, Fran\u00e7a, a 7 de maio de 1879, e faleceu em Uz\u00e8s, a 11 de novembro de 1949. Em sua fecunda vida sacerdotal exerceu uma prodigiosa atividade apost\u00f3lica, distinguindo-se muito cedo como insigne pregador e escritor. Foi ordenado Sacerdote em 1909, sendo designado, no ano seguinte, P\u00e1roco da Igreja de Santa Perp\u00e9tua, em Nimes. Dentre suas atividades sacerdotais destacam-se as que exerceu como capel\u00e3o da Juventude Cat\u00f3lica, desde 1912, e como Mission\u00e1rio Apost\u00f3lico, a partir de 1919.<\/p>\n<p>No \u00faltimo cap\u00edtulo do seu cativante livrinho, Padre Thomas de Saint-Laurent faz uma afirma\u00e7\u00e3o bastante ousada. Diz ele: \u201cFalamos com frequ\u00eancia, ao longo desta obra, do poder que a M\u00e3e de Cristo possui nos c\u00e9us. Caro leitor, cumpre-vos tirar destas medita\u00e7\u00f5es uma certeza absoluta: a Sant\u00edssima Virgem n\u00e3o Se recusar\u00e1 jamais a ouvir vossas preces. Ainda que para atend\u00ea-las devesse realizar um milagre, se esse milagre fosse necess\u00e1rio \u00e0 vossa salva\u00e7\u00e3o Ela n\u00e3o hesitaria em faz\u00ea-lo. Tal \u00e9 a cren\u00e7a universal da Igreja. Se quereis tornar s\u00f3lida em v\u00f3s essa convic\u00e7\u00e3o, percorrei os in\u00fameros volumes dos Santos e dos te\u00f3logos\u201d (p. 108).<\/p>\n<p>De minha parte, devo dizer que, para tornar s\u00f3lida a convic\u00e7\u00e3o expressa nas palavras do Padre Thomas, n\u00e3o me foi necess\u00e1rio recorrer aos tais volumes dos santos nem dos te\u00f3logos a que ele se refere.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a Sant\u00edssima Virgem entra numa alma, faz desabrochar nela uma luminosa primavera; dissipa as nuvens sombrias da tristeza, da d\u00favida e do des\u00e2nimo. 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