{"id":5972,"date":"2019-05-22T22:30:22","date_gmt":"2019-05-23T01:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5972"},"modified":"2019-05-22T22:30:22","modified_gmt":"2019-05-23T01:30:22","slug":"quanto-pode-uma-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2019\/05\/22\/quanto-pode-uma-palavra\/","title":{"rendered":"Quanto pode uma palavra?"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">Todas as tuas palavras, cada noite, sob a luz da candeia, eu as assinalava uma a uma, fixava-as para n\u00e3o se perderem; todos os teus atos, tamb\u00e9m. \u201cUma \u00fanica palavra tua\u201d, dizia eu, \u201cpode salvar uma alma\u201d. Se deixar de registr\u00e1-la e n\u00e3o revel\u00e1-la aos homens, essa alma n\u00e3o se salvar\u00e1 por minha culpa.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Nikos Kazantz\u00e1kis<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">[<strong>Kazantz\u00e1kis, Nikos. O pobre de Deus<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o \u00cdsis Borges Belchior da Fonseca. \u2013 S\u00e3o Paulo: Arx, 2002, p. 20]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Depois de muitos anos, retornei hoje \u00e0 leitura de um livro que tenho comigo h\u00e1 quatorze anos. N\u00e3o \u00e9 um livro qualquer, mas um daqueles que, muito mais que uma publica\u00e7\u00e3o, com o passar do tempo faz-se para a gente companheiro de caminhada. Porque sempre nos fala como um amigo querido e atento cada vez que se precisa de um conselho ou orienta\u00e7\u00e3o. Foi isso que se tornou para mim O pobre de Deus, obra de autoria do escritor grego Nikos Kazantz\u00e1kis, o mesmo autor de A \u00faltima tenta\u00e7\u00e3o de Cristo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Fiquei impressionado quando, certa vez, nos tempos em que eu ainda era professor no Instituto de Ci\u00eancias Religiosas, ao conversar com um aluno que se tornara frade capuchinho e lhe falar da minha admira\u00e7\u00e3o por este livro, ele observou: \u201cEu decidi me tornar frade depois da leitura deste livro\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">A leitura de um livro pode provocar numa pessoa decis\u00e3o t\u00e3o s\u00e9ria quanto a tomada por aquele jovem? Pois a verdade \u00e9 que pode, sim. E penso que, em alguns casos, talvez n\u00e3o seja nem mesmo necess\u00e1ria a leitura da obra inteira. Pode ser que uma frase apenas seja suficiente. Ou, talvez, menos que isso, uma palavra somente baste. Nikos Kazantz\u00e1kis o sabia muito bem, quando p\u00f5e na boca de Frei Le\u00e3o a admoesta\u00e7\u00e3o: \u201cUma \u00fanica palavra tua pode salvar uma alma\u201d. E para que tais palavras n\u00e3o se percam, apressa-se em fazer delas o registro escrito, conforme afirma na conclus\u00e3o do trecho citado em ep\u00edgrafe.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">De mim, n\u00e3o direi que uma palavra me salvou, mas muitas, dispersas em livros diversos, todos elos de um valor para a minha vida que eu n\u00e3o saberia aquilatar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Devo, de fato, a alguns livros o n\u00e3o me ter estra\u00e7alhado nem me perdido no dif\u00edcil caminho que escolhi trilhar. Quanto a esses, O pobre de Deus sobressai com um dos mais significativos. Talvez possa arriscar dizer que ele me provocou uma mudan\u00e7a quase t\u00e3o s\u00e9ria e radical quanto a do meu aluno capuchinho. S\u00e3o Francisco e Santa Clara o sabem muito bem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Ao finalizar este breve texto, fa\u00e7o um \u00a0momento de sil\u00eancio e reverencio, movido pela mais profunda gratid\u00e3o, essas figuras maravilhosas das quais Nikos kazantz\u00e1kis \u00e9, para mim, um dos maiores luminares. \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as tuas palavras, cada noite, sob a luz da candeia, eu as assinalava uma a uma, fixava-as para n\u00e3o se perderem; todos os teus&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-5972","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-02-arcano-ii-no-principio-era-o-verbo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5972"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5972\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5973,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5972\/revisions\/5973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}