{"id":6111,"date":"2021-04-07T21:16:09","date_gmt":"2021-04-08T00:16:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=6111"},"modified":"2021-04-07T21:16:09","modified_gmt":"2021-04-08T00:16:09","slug":"o-que-e-edificado-no-coracao-se-eterniza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2021\/04\/07\/o-que-e-edificado-no-coracao-se-eterniza\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 edificado no cora\u00e7\u00e3o se eterniza"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">Seria preciso dizer a cada manh\u00e3: meu Deus, enviai-me vosso Esp\u00edrito; que Ele me fa\u00e7a conhecer quem sou eu e quem sois v\u00f3s.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney (Santo Cura d\u2019Ars)<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">[<strong>Blanc, Pierre. Orar 15 dias com o Cura d\u2019Ars<\/strong>. (Tradu\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Dutra). \u2013 Aparecida, SP: Editora Santu\u00e1rio, 2000, p. 73. (Cole\u00e7\u00e3o Orar 15 dias \u2013 5)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Essa manh\u00e3, ao olhar no celular as mensagens de whatsapp, encontrei uma que me surpreendeu. Dizia o seguinte: \u201cParab\u00e9ns, Prof. Vasco Arruda, por fazer parte dessa hist\u00f3ria e ter ajudado a construir um mundo novo para todos n\u00f3s que passamos pelo nosso querido ICRE. 57 anos de vida!\u201d Li a mensagem umas tr\u00eas vezes, motivado por uma profus\u00e3o de pensamentos e emo\u00e7\u00f5es que me acometeram no momento. Uma mensagem t\u00e3o simples, mas t\u00e3o significativa a ponto de me comover tanto. Fora enviada por um ex-aluno que, com o tempo, se tornaria um amigo dileto, o Franz\u00e9 Freitas. Fiquei um temp\u00e3o pensando no que escrevera o Franz\u00e9. Afinal, quem sou eu para merecer que algu\u00e9m diga que fiz algo que tenha contribu\u00eddo para a constru\u00e7\u00e3o de um mundo novo? O certo \u00e9 que a frase me impactou bastante, me proporcionando, antes de tudo, a oportunidade para rememorar diversos momentos da minha passagem pelo ICRE, inclusive a forma surpreendente como aconteceu o meu ingresso na institui\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Tudo come\u00e7ou numa tarde de s\u00e1bado de maio de 1987, durante um churrasco no apartamento de um casal de amigos. Naquele semestre eu concluiria o curso de psicologia na UFC. Pois bem, de repente chega um dos convidados, o prof. Cauby Ribeiro Tupinamb\u00e1 e, ao me ver, foi logo perguntando: \u201cE a\u00ed, Vasco, est\u00e1 preparado pra come\u00e7ar a dar aula quarta-feira?\u201d Achando que fosse uma brincadeira, perguntei: \u201cComo \u00e9 que \u00e9?\u201d Ele respondeu: \u201cH\u00e1 dias vinha tentando falar contigo. Estou com o meu tempo muito cheio na UFC e n\u00e3o vou poder continuar dando aulas no ICRE. Tinha pensado em propor teu nome para me substituir\u201d. Fiquei at\u00f4nito. Ele me acalmou e disse que eu n\u00e3o me preocupasse, pois ele me \u00a0conhecia e sabia que eu daria conta do recado. Resumindo, na semana seguinte eu comparecia ao ICRE para ser apresentado ao saudoso Mons. Landim e, no mesmo dia, \u00e0 turma de Din\u00e2mica de grupo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Como j\u00e1 disse, isso aconteceu em maio de 1987. Acabei permanecendo no ICRE at\u00e9 2008. Teria muito o que relatar aqui sobre minha trajet\u00f3ria de rica aprendizagem no ICRE, mas n\u00e3o quero me alongar neste texto que tem o prop\u00f3sito apenas de ser uma ligeira homenagem a essa institui\u00e7\u00e3o de cujo quadro de profissionais tive o privil\u00e9gio de fazer parte n\u00e3o por m\u00e9rito meu, mas pela miseric\u00f3rdia de Deus que supera e extrapola todos os limites que se possa imaginar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Embora tenha ingressado como algu\u00e9m que estava sendo convidado para desempenhar a miss\u00e3o de professor, n\u00e3o tenho d\u00favidas de que, se n\u00e3o aprendi mais do que ensinei, no m\u00ednimo, aprendi tanto quanto ensinei. O ICRE era uma institui\u00e7\u00e3o de ensino diferenciada. Na verdade, encontrei ali uma fam\u00edlia que trabalhava unida em prol de um mesmo objetivo. A prop\u00f3sito do que digo, hoje, pouco depois de ler a mensagem do Franz\u00e9, vi a mensagem do Ant\u00f4nio Carlos, no grupo criado por ele no Whatsapp ao qual atribuiu o significativo nome de Unidos pelo ICRE, em que dizia: \u201cCaros amigos, lembro que hoje \u00e9 anivers\u00e1rio do ICRE. 57 anos. Louvemos a Deus por tantas coisas boas que Ele realizou atrav\u00e9s do ICRE, com a colabora\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s. E comemoremos. Parab\u00e9ns a todos n\u00f3s\u201d. O Ant\u00f4nio Carlos &#8211; nosso google, como bem-humoradamente afirmou o Beto -, foi certeiro na escolha da palavra, totalmente aplic\u00e1vel ao ICRE em sua verdadeira acep\u00e7\u00e3o etimol\u00f3gica: colabora\u00e7\u00e3o. Era isso o que nos caracterizava a todos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Tudo feito com muita seriedade e dedica\u00e7\u00e3o, mas sem nunca faltar um toque que, para mim, era uma das caracter\u00edsticas mais marcantes do nosso querido ICRE: o bom humor. O Mons. Landim de vez em quando se sa\u00eda com uma anedota que fazia todos rirem, seja nas reuni\u00f5es de professores, seja em momentos de descontra\u00e7\u00e3o na secretaria durante o intervalo das aulas. A Maria Lu\u00edza, nossa saudosa Malu, sempre com uma boa piada, agora deve estar dando boas gargalhadas ladeada pelo Mons. Landim e pela Ir. Elizabeth. Conversar na secretaria com a Ivoneide e a Cesarina, ent\u00e3o, era uma festa. E pra completar, o D\u00e1rio e o Eli\u00e9rton, que sempre me tratavam pela pomposa alcunha de \u201cMagister\u201d (n\u00e3o me perguntem de onde eles tiraram isso nem, tampouco, o que significa).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">O ICRE tem quase a minha idade, sou apenas dois anos mais velho. Portanto, dois anos ap\u00f3s o meu nascimento, era fundada uma institui\u00e7\u00e3o onde eu teria o raro privil\u00e9gio de vivenciar alguns dos momentos mais maravilhosos e marcantes da minha vida. Resta a gratid\u00e3o a Deus por tanta generosidade, especialmente por poder, hoje, rabiscar esse breve relato pescando alguns fatos e momentos registrados na mem\u00f3ria. O motivo \u00e9 mesmo para comemora\u00e7\u00e3o. O ICRE jamais deixar\u00e1 de existir, porque est\u00e1 imortalizado no cora\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s, pois \u00e9 esse o terreno em que ele foi edificado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">N\u00e3o poderia deixar de fazer um \u00faltimo registro. Antes de lecionar no ICRE, nunca havia entrado na vetusta Igreja do Semin\u00e1rio da Prainha. Pois bem, a primeira vez que adentrei aquele recinto sagrado, fui tomado por grande emo\u00e7\u00e3o, devido a uma imagem de Cristo no Gets\u00eamani, que ali se encontra exposta. Para mim, trata-se da cena mais marcante do Evangelho. Em nenhuma outra ocasi\u00e3o me sinto t\u00e3o perto de Cristo. Para mim, \u00e9 quando a verdadeira humanidade de Cristo se manifesta, ao mesmo tempo em que a sua total disponibilidade ao plano de Deus. Gosto tanto da imagem que me fiz fotografar ao seu lado, e tenho dela fotografias tiradas de diversos \u00e2ngulos. Desde a primeira vez que a vi, sempre que estava no ICRE e via a Igreja aberta, entrava para fazer uma ora\u00e7\u00e3o aos p\u00e9s da imagem. Teria o que falar, ainda, da imagem do santo Cura D\u2019Ars, no centro do jardim, que muito me impressionou, mas vou deixar para outra ocasi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Gostaria de concluir esse texto no estilo bem-humorado que sempre caracterizou o ICRE, relatando um fato protagonizado por mim quando a Irm\u00e3 Elizabeth dirigia a institui\u00e7\u00e3o. Certo dia, durante o inverno, fui acometido por uma rouquid\u00e3o exatamente num dia em que deveria dar aula. Liguei para a secretaria a fim de informar que eu n\u00e3o poderia ir. Ao dizer \u201cal\u00f4\u201d, respondeu-me do outro lado da linha ningu\u00e9m menos que a pr\u00f3pria Irm\u00e3 Elizabeth. Informei pra ela o motivo do meu telefonema. Ela me saiu com esta: \u201cEstes cearenses s\u00e3o muito engra\u00e7ados. Passam o ano inteiro rezando pra chover, mas quando chove todos adoecem logo. Primeiro foi o Beto, que n\u00e3o veio dar aula porque est\u00e1 com dor na garganta; agora \u00e9 o Vasco, que n\u00e3o vem porque est\u00e1 rouco. Venha para o ICRE! Se n\u00e3o puder dar aula, passe uma atividade para os alunos fazerem, mas venha\u201d. Como diz o ditado popular, pus minha viola no saco e disse apenas um t\u00edmido \u201cEst\u00e1 bem\u201d. Pouco tempo depois eu adentrava a sala de aula, com rouquid\u00e3o e tudo. \u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seria preciso dizer a cada manh\u00e3: meu Deus, enviai-me vosso Esp\u00edrito; que Ele me fa\u00e7a conhecer quem sou eu e quem sois v\u00f3s. 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