{"id":626,"date":"2009-09-11T06:21:43","date_gmt":"2009-09-11T09:21:43","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=626"},"modified":"2009-09-11T06:21:43","modified_gmt":"2009-09-11T09:21:43","slug":"tarde-te-amei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/09\/11\/tarde-te-amei\/","title":{"rendered":"Tarde te amei"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #000080\">Tarde te amei, \u00f3 beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova! Tarde demais eu te amei! Eis que habitavas dentro de mim e eu te procurava do lado de fora! Eu, disforme, lan\u00e7ava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Estavas comigo, mas eu n\u00e3o estava contigo. Retinham-me longe de ti as tuas criaturas, que n\u00e3o existiriam se em ti n\u00e3o existissem. Tu me chamaste, e teu grito rompeu a minha surdez. Fulguraste e brilhaste e tua luz afugentou a minha cegueira. Espargiste tua fragr\u00e2ncia e, respirando-a, suspirei por ti. Eu te saboreei, e agora tenho fome e sede de ti. Tu me tocaste, e agora estou ardendo no desejo de tua paz.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Santo Agostinho<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">[Santo Agostinho. Confiss\u00f5es. Tradu\u00e7\u00e3o de Maria Luiza Jardim Amarante. \u2013 S\u00e3o Paulo: Paulus, 1997, p. 299. \u2013 (Patr\u00edstica; 10)]<\/span><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_627\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-627\" class=\"size-full wp-image-627\" alt=\"S\u00e3o Nicolau de Tolentino\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/d2495be1900ac4d2359e41bd4843e60c.jpg\" width=\"150\" height=\"190\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/d2495be1900ac4d2359e41bd4843e60c.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/d2495be1900ac4d2359e41bd4843e60c-120x152.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><p id=\"caption-attachment-627\" class=\"wp-caption-text\">S\u00e3o Nicolau de Tolentino<\/p><\/div>\n<p>Ontem a Igreja Cat\u00f3lica comemorou a festa de S\u00e3o Nicolau de Tolentino. De um modo geral, a vida dos santos est\u00e1 repleta de prod\u00edgios, nem sempre ver\u00eddicos, pois se sabe que a tradi\u00e7\u00e3o popular encarrega-se, com o passar dos anos, de florear a hist\u00f3ria destes her\u00f3is do cristianismo. S\u00e3o Nicolau, no entanto, nascido em 1245 e falecido em 1305, destaca-se pelo volume de milagres que lhe foram atribu\u00eddos quando de seu processo de canoniza\u00e7\u00e3o, que totalizaram nada menos que 301\u00a0devidamente confirmados e autenticados, entre os quais se destacam a ressurrei\u00e7\u00e3o da menina de 12 anos, Filipina de Fermo.<\/p>\n<p>S\u00e3o Nicolau de Tolentino nasceu em Castel Sant\u2019Angelo, em Pantano, na diocese de Fermo. Aos 12 anos foi acolhido como oblato entre os agostinianos de sua vila natal, sendo ordenado sacerdote em Cingoli. Mais tarde fixou-se em Tolentino, fato que conferiu renome a essa cidade. O santo, como agostiniano, foi um grande devoto de Santo Agostinho, e \u00e9 este o motivo que me levou a me referir a ele neste texto. A sua morte \u00e9 um dos mais belos e edificantes epis\u00f3dios entre os muitos narrados por seus bi\u00f3grafos. Relata-se que ao constatar a grande alegria e felicidade que se lhe estampavam na face nos seus \u00faltimos momentos de vida,\u00a0um dos seus confrades teria indagado\u00a0sobre o motivo para tanta alegria, ao que\u00a0teria respondido o Santo: <em>Eu vejo o Senhor meu Deus, junto com sua Sant\u00edssima M\u00e3e e meu pai, Santo Agostinho<\/em>.<\/p>\n<p>Alguns leitores que me t\u00eam acompanhado neste blog sabem que tenho especial interesse pelos escritos de Santo Agostinho, tendo dedicado j\u00e1 alguns textos ao fundador da Patr\u00edstica. Minha inicia\u00e7\u00e3o ao pensamento desse Santo se deu, como tem ocorrido com muita gente, com a leitura das <em>Confiss\u00f5es<\/em>, sua autobiografia. Na ocasi\u00e3o, quando ainda estudante universit\u00e1rio, senti-me profundamente perturbado pelas reflex\u00f5es e relatos do Santo. Aquela leitura, seguramente, operou em mim algumas mudan\u00e7as.<\/p>\n<p>Um dos aspectos do pensamento de Santo Agostinho que mais me atrai \u00e9 a<\/p>\n<div id=\"attachment_628\" style=\"width: 205px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-628\" class=\"size-full wp-image-628\" alt=\"Santo Agostinho\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/stoagostinho.jpg\" width=\"195\" height=\"300\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/stoagostinho.jpg 195w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/stoagostinho-120x185.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 195px) 100vw, 195px\" \/><p id=\"caption-attachment-628\" class=\"wp-caption-text\">Santo Agostinho<\/p><\/div>\n<p>import\u00e2ncia por ele atribu\u00edda \u00e0 vida interior como lugar de manifesta\u00e7\u00e3o de Deus. Na perspectiva agostiniana, \u00e9 na intimidade do indiv\u00edduo que se fazem sentir ou, mais que isso, de onde brotam, o amor e a miseric\u00f3rdia divinos. Conclui-se, portanto, que Deus deve ser buscado, primordialmente, dentro, e n\u00e3o fora do indiv\u00edduo. Uma das frases mais conhecidas e mais citadas de Santo Agostinho confirma essa premissa, quando diz: <em>Deus \u00e9 mais \u00edntimo a n\u00f3s do que n\u00f3s mesmos<\/em>.<\/p>\n<p>Os textos de Santo Agostinho nos convidam \u00e0 experi\u00eancia de Deus muito mais que \u00e0 compreens\u00e3o de Deus. Pois de que adianta compreend\u00ea-lO se n\u00e3o O encontramos? Eu arriscaria dizer que o encontro levar\u00e1, por fim, \u00e0 compreens\u00e3o, n\u00e3o sendo verdade, por\u00e9m, o inverso. Do ponto de vista de Agostinho, importa antes encontr\u00e1-lO que compreend\u00ea-lO, mesmo que uma coisa n\u00e3o implique, necessariamente,\u00a0na outra. \u00c9 o que se infere da exorta\u00e7\u00e3o feita nas <em>Confiss\u00f5es<\/em>:<\/p>\n<p><em>Que exulte e prefira encontrar-te, n\u00e3o te compreendendo, a n\u00e3o te encontrar, compreendendo<\/em> (p. 27).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tarde te amei, \u00f3 beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova! Tarde demais eu te amei! 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