{"id":776,"date":"2009-09-30T09:21:08","date_gmt":"2009-09-30T12:21:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=776"},"modified":"2009-09-30T09:21:08","modified_gmt":"2009-09-30T12:21:08","slug":"uma-viagem-estetica-pelo-barroco-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/09\/30\/uma-viagem-estetica-pelo-barroco-brasileiro\/","title":{"rendered":"Uma viagem est\u00e9tica pelo barroco brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000080\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-777\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/177606_4.jpg\" alt=\"177606_4\" width=\"300\" height=\"282\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/177606_4.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/177606_4-120x113.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Os tesouros do barroco mineiro \u201cesquecidos\u201d, desde a segunda metade do s\u00e9culo XIX, come\u00e7aram a ser redescobertos nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX. Entre as mais importantes contribui\u00e7\u00f5es para tal fato encontram-se os escritos de M\u00e1rio de Andrade, como o artigo para a<\/em> Revista do Brasil<em>, de 1920, surgido de sua primeira viagem a Minas Gerais, em 1919. Os modernos buscavam e questionavam as ra\u00edzes mais prpfundas da vida cultural brasileira. Com M\u00e1rio de Andrade, surge uma cr\u00edtica art\u00edstica calcada em preceitos t\u00e9cnicos, fundados em conhecimentos hist\u00f3ricos e est\u00e9ticos.<\/em><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Maria Jos\u00e9 Spiteri Tavolaro Passos<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><em>[Barroco mem\u00f3ria viva: a extens\u00e3o da universidade. Em: Tirapeli, Percival (organizador). Arte Sacra Colonial: barroco mem\u00f3ria viva. \u2013 2\u00aa. ed. \u2013 S\u00e3o Paulo: Imprensa Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo: editora UNESP, 2005, p. 254.]<\/em> \u00a0<\/span><\/p>\n<p>Entrando h\u00e1 alguns dias na livraria da Editora Vozes, me deparei com um livro que despertou logo minha aten\u00e7\u00e3o por suas dimens\u00f5es e pelo colorido da capa. Parei diante da g\u00f4ndola onde se encontrava exposto. Como n\u00e3o pudesse folhe\u00e1-lo por estar protegido por um inv\u00f3lucro de pl\u00e1stico, a solu\u00e7\u00e3o foi procurar a Teresinha &#8211; para quem n\u00e3o existem dificuldades nem obst\u00e1culos intranspon\u00edveis quando se trata de atender a demanda dos clientes -, e indagar se seria poss\u00edvel folhear o livro sem compromisso. No ato o pl\u00e1stico foi rasgado, e em poucos minutos eu me deleitava com a exuber\u00e2ncia do barroco brasileiro exposto em belas imagens nas p\u00e1ginas do livro <em>Arte Sacra Colonial: barroco mem\u00f3ria viva<\/em>, organizado por Percival Tirapeli.<\/p>\n<p>No texto de Apresenta\u00e7\u00e3o, Antonio Manoel dos Santos Silva, ex-Reitor da UNESP, afirma: \u201cO Movimento <em>Barroco Mem\u00f3ria Viva<\/em> do Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (UNESP) vem apostando, desde 1989, no barroco brasileiro, em especial o paulista, verdadeira viagem est\u00e9tica de gozo visual e arrebatamento sonoro que tanto animou a \u00e9poca colonial. Assim, o <em>Barroco Mem\u00f3ria Viva<\/em> promoveu palestras, cursos e viagens culturais, em parte apresentados, finalmente, neste livro, reunindo alunos, professores, pesquisadores e funcion\u00e1rios do Instituto de Artes, al\u00e9m de um p\u00fablico cada vez maior de interessados. O resultado desse trabalho \u2013 reconhecido como Projeto Permanente da Reitoria da UNESP \u2013 traduz-se nesta obra que traz como tem\u00e1tica central o templo religioso como express\u00e3o do pensamento da Igreja dos s\u00e9culos XVII e XVIII. Os artigos aqui reunidos prov\u00eam especialmente das palestras apresentadas nos cursos promovidos sobre o barroco, refereindo-se sbretudo ao Estado de S\u00e3o Paulo, com incurs\u00f5es pelos Estados da Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro\u201d (p. 7).\u00a0\u00a0<\/p>\n<div id=\"attachment_779\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-779\" class=\"size-full wp-image-779\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/Anjos-tocheiros1.jpg\" alt=\"Anjos tocheiros, s\u00e9c. XVIII - Museu de Arte Sacra, BA, p. 160\" width=\"400\" height=\"592\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/Anjos-tocheiros1.jpg 400w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/Anjos-tocheiros1-300x444.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/Anjos-tocheiros1-120x178.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-779\" class=\"wp-caption-text\">Anjos tocheiros, s\u00e9c. XVIII - Museu de Arte Sacra, BA, p. 160<\/p><\/div>\n<div class=\"mceTemp\">Al\u00e9m da Apresenta\u00e7\u00e3o e da Introdu\u00e7\u00e3o, o livro oferece ao leitor ao longo de seus dezoito cap\u00edtulos uma rara oportunidade de conhecer em profundidade o rico universo do barroco brasileiro. A obra \u00e9 dividida em cinco partes: I \u2013 Arquitetura e Urbanismo: dos altares \u00e0s pra\u00e7as; II \u2013 Ornamenta\u00e7\u00f5es: a alma dourada; III \u2013 A Palavra: o verbo entre Deus e o homem; IV \u2013 A M\u00fasica: a voz, o instrumento de Deus; V \u2013 Barroco: redescoberta do barrroco. Al\u00e9m das valiosas informa\u00e7\u00f5es disseminadas nos textos, o leitor vai se deleitar tamb\u00e9m com as mais de cem ilustra\u00e7\u00f5es que lhes servem de suporte. \u00a0<\/div>\n<p>No cap\u00edtulo tr\u00eas, <em>Frei Galv\u00e3o: um arquiteto paulista<\/em>, o autor, Benedito Lima de Toledo, escreve, ao se referir ao Mosteiro da Luz: \u201cFrei Galv\u00e3o revelou-se arquiteto de m\u00e9rito. O convento que projetou \u00e9 bem arejado e saud\u00e1vel, com corredores desafogados e abertura para p\u00e1tios ajardinados. Suas acomoda\u00e7\u00f5es, hoje, s\u00e3o bem ajustadas ao programa. O convento foi inaugurado em 1788 a igreja e o coro, em 1802. At\u00e9 1822, ano de sua morte, Frei Galv\u00e3o trabalhou na obra sem ter podido v\u00ea-la completa, o que, ademais, \u00e9 fato que a hist\u00f3ria da arquitetura registrou in\u00fameras vezes\u201d (p. 40).<\/p>\n<p>E completa, a prop\u00f3sito da resisit\u00eancia do Mosteiro da Luz \u00e0s investidas do crescimento da Metr\u00f3pole, que nem sempre respeita as vetustas edifica\u00e7\u00f5es: \u201cO Mosteiro da Luz \u00e9 o mais eloquente documento da arquitetura colonial que sobreviveu em S\u00e3o Paulo, e sobreviveu com toda a sua integridade. Quem conhece a permanente muta\u00e7\u00e3o dessa cidade constata que esse fato \u00e9 realmente extraordin\u00e1rio, para n\u00e3o dizer um milagre\u201d (p. 41).<\/p>\n<p>A essa observa\u00e7\u00e3o, se poderia retrucar: quem sabe se n\u00e3o seria este mais um milgare a ser creditado aos muitos atribu\u00eddos ao Frei Galv\u00e3o, agora j\u00e1 elevado \u00e0 gl\u00f3ria dos altares?\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div id=\"attachment_781\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-781\" class=\"size-full wp-image-781\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/artesacra_360x2711.jpg\" alt=\"Mosteiro da Luz - O Museu de Arte Sacra ocupa o andar t\u00e9rreo da ala esquerda da igreja, p. 35 \" width=\"360\" height=\"271\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/artesacra_360x2711.jpg 360w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/artesacra_360x2711-300x226.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/artesacra_360x2711-120x90.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><p id=\"caption-attachment-781\" class=\"wp-caption-text\">Mosteiro da Luz - O Museu de Arte Sacra ocupa o andar t\u00e9rreo da ala esquerda da igreja, p. 35 <\/p><\/div>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">O organizador do\u00a0livro<\/span>\u00a0 ====================================<\/p>\n<p><strong>Percival Tirapeli<\/strong>, paulista, nascido em Nhandeara, em 1952, \u00e9 professor <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-782\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/Percival-Tirapeli.jpg\" alt=\"Percival Tirapeli\" width=\"235\" height=\"342\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/Percival-Tirapeli.jpg 235w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/09\/Percival-Tirapeli-120x175.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 235px) 100vw, 235px\" \/>doutor, livre-docente e titular em Arte Brasileira na Universidade Estadual Paulista, UNESP, pesquisador e professor em cursos de gradua\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista, UNESP, S\u00e3o Paulo, capital. Na \u00e1rea de pesquisa sobre a arte colonial paulista, realizou a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado Arquitetura religiosa no contexto urbano do Vale do Para\u00edba, em 1984, iniciando assim a base para apresente obra. Doutorou-se em 1989, em Artes Pl\u00e1sticas, pela Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Como artista pl\u00e1stico, \u00e9 pioneiro no uso da xerografia (1975), participou de Bienais Nacional e Internacional de S\u00e3o Paulo e exp\u00f5e em sal\u00f5es de arte desde 1972. Realizou exposi\u00e7\u00f5es individuais em galerias de diversas cidades brasileiras, e em Roma. Possui obras no acervo do Museu de Arte Contempor\u00e2nea da USP (MAC), na Pinacoteca do Estado de S\u00e3o Paulo, na Pinacoteca da Prefeitura de Santo Andr\u00e9 e no Museu de Arte Contempor\u00e2nea em Florian\u00f3polis, Santa Catarina. Como curador fez exposi\u00e7\u00f5es do Museu de Arte Moderna em S\u00e3o Paulo (MAM), no Centro de Refer\u00eancia do Professor &#8211; M\u00e1rio Covas e na exposi\u00e7\u00e3o Do barro ao barro no Sesc Pomp\u00e9ia S\u00e3o Paulo, e no Sesc de Taubat\u00e9 (2003).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os tesouros do barroco mineiro \u201cesquecidos\u201d, desde a segunda metade do s\u00e9culo XIX, come\u00e7aram a ser redescobertos nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX. 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