{"id":835,"date":"2009-10-08T09:21:48","date_gmt":"2009-10-08T12:21:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=835"},"modified":"2009-10-08T09:21:48","modified_gmt":"2009-10-08T12:21:48","slug":"tagore-o-poeta-universal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/10\/08\/tagore-o-poeta-universal\/","title":{"rendered":"Tagore, o Poeta Universal"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #000080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-836\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/Digitalizar0004-300x452.jpg\" alt=\"Digitalizar0004\" width=\"300\" height=\"452\" \/>N\u00f3s aprendemos a conhecer Cristo de modo particular atrav\u00e9s dos mission\u00e1rios crist\u00e3os, e foi, muitas vezes, seu modo de ser crist\u00e3o que nos escondeu Cristo. At\u00e9 hoje eles t\u00eam procurado destruir nossas pr\u00e1ticas religiosas com sua doutrina, for\u00e7ando-nos a combat\u00ea-los para nos defendermos. Quando o homem luta, ele n\u00e3o \u00e9 isento nos julgamentos. Assim n\u00f3s, todos envolvidos pelo combate, ao golpear os crist\u00e3os, golpeamos tamb\u00e9m Cristo. E pensar em golpear como inimigos os grandes homens da terra \u00e9 um suic\u00eddio. Na realidade, demonstrando o \u00f3dio pelo inimigo, estamos envilecendo os grandes ideais de nosso pa\u00eds, estamos nos apequenando.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Rabindranath Tagore\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">[Tagore, Rabindranath. O Cristo. Tradu\u00e7\u00e3o de Jairo Veloso Vargas. \u2013 S\u00e3o Paulo: Paulinas, 1997, p. 14. \u2013 (Cole\u00e7\u00e3o: Sabedoria).]<\/span><\/em><\/p>\n<p>Na Apresenta\u00e7\u00e3o escrita para servir de introdu\u00e7\u00e3o ao livro <em>O Cristo<\/em>, uma antologia de escritos do poeta indiano Rabindranath Tagore dedicados ao Mestre da Galil\u00e9ia, o padre italiano Marino Rigon, mission\u00e1rio xavieriano radicado em Bangladesh, afirma: \u201cA espiritualidade de Tagore, homem e poeta atra\u00eddo por toda forma e valor n\u00e3o material, \u00e9 um argumento muito vasto e complexo para poder ser enfrentado num estudo r\u00e1pido\u201d (p. 5). E, mais adiante, completa, referindo-se \u00e0 espiritualidade do poeta bengalense:<\/p>\n<p><em>Falando de si mesmo em A Religi\u00e3o do homem, uma colet\u00e2nea de confer\u00eancias por ele proferida em 1930, Tagore diz que a sua procura de Deus passa pela sensibilidade de um poeta, n\u00e3o de um te\u00f3logo. Religi\u00e3o e <\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_837\" style=\"width: 311px\" class=\"wp-caption alignright\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-837\" class=\"size-full wp-image-837\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/tagore-1.jpg\" alt=\"Rabindranath Tagore\" width=\"301\" height=\"393\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/tagore-1.jpg 301w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/tagore-1-300x392.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/tagore-1-120x157.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><\/em><p id=\"caption-attachment-837\" class=\"wp-caption-text\">Rabindranath Tagore<\/p><\/div>\n<p><em>poesia seguiram o mesmo percurso; o artista e o homem de f\u00e9 procuraram juntos, por caminhos paralelos. \u201cMinha vida religiosa seguiu a mesma linha misteriosa de crescimento da minha vida po\u00e9tica, por caminhos n\u00e3o sinalizados. S\u00e3o como marido e\u00a0mulher e, se bem que tiv\u00e9ssemos tido um longo per\u00edodo de noivado, eu n\u00e3o me apercebi. Por muito tempo n\u00e3o compreendi\u201d. A poesia de Tagore foi, por isso, quase o registro de sua experi\u00eancia religiosa<\/em> (p. 8).<\/p>\n<p>De fato, \u00e9 dif\u00edcil, quase imposs\u00edvel, resumir em poucas palavras toda a riqueza da espiritualidade de Tagore, a menos que aceit\u00e1ssemos correr o risco de, ao final, ao inv\u00e9s de um texto, ter diante de n\u00f3s um grande tratado de espiritualidade. Meu interesse pela poesia \u2013 e, por via de consequ\u00eancia, pela hist\u00f3ria de vida -, do poeta nascido um s\u00e9culo antes de mim em Calcut\u00e1, na \u00cdndia, brotou quando li pela primeira vez seu livro intitulado <em>Gitanjali<\/em>. Nesse livro, est\u00e1 expressa toda a m\u00edstica de Tagore. A \u00e2nsia por Deus pulula em cada palavra, em cada verso. Depois que o li, lancei-me em busca de outras obras do poeta. Tamb\u00e9m procurei me informar sobre sua biografia, pois a forma como ele fala de Deus, anelo maior de sua incans\u00e1vel busca, faz eco muito profundo em mim, tamb\u00e9m um buscador ainda a caminho.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Rabindranath Tagore nasceu em Calcut\u00e1, em 1861, e faleceu em Santiniketan, Bengala, em 1941. Foi m\u00fasico, poeta, contista, teatr\u00f3logo e fil\u00f3sofo. Em 1901 fundou uma escola superior de filosofia em Santiniketan, transformada em Universidade em 1921. Em 1913 foi agraciado com o Pr\u00eamio Nobel de Literatura.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Tagore foi um homem de larga vis\u00e3o, e sua espiritualidade jamais se restringiu aos limites de uma \u00fanica religi\u00e3o. Seu cora\u00e7\u00e3o era\u00a0 amplo o suficiente para reconhecer Deus em diferentes manifesta\u00e7\u00f5es religiosas. Coube ao padre cat\u00f3lico Marino Rigon organizar uma antologia de escritos, os quais foram selecionados e traduzidos por ele diretamente do idioma bengali, dedicados pelo poeta a Cristo e ao cristianismo. Provavelmente um dos mais belos tributos prestados ao cristianismo se encontra nas palavras escritas por Tagore em 24 de janeiro de 1941. Diz o poeta:<\/p>\n<p><em>O cristianismo prestou grande homenagem ao homem porque aquele que os crist\u00e3os adoram ligou-se \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana fazendo-se homem. Por isso, percebemos que aqueles que s\u00e3o verdadeiramente crist\u00e3os espalharam por todo o pa\u00eds o amor para com o homem.<\/em><\/p>\n<p><em>Se ainda, algumas vezes, pensamos que em sua doutrina h\u00e1 algo de imperfeito, reconhecemos, no entanto, que esta religi\u00e3o soube unir a humanidade pelo menos em um ponto: na dedica\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo. E isso \u00e9 o mais elevado reconhecimento para uma religi\u00e3o. Encontrei verdadeiramente uma humanidade maravilhosa onde via a grandeza dessa religi\u00e3o, seja nas obras liter\u00e1rias, seja no comportamento das pessoas. Ali verdadeiramente n\u00e3o h\u00e1 mais pobreza, mas uma cortesia magn\u00edfica que resplandece al\u00e9m das controv\u00e9rsias e dos interesses pessoais<\/em> (p. 60\/61).\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Laura Santoro Ragaini, num ensaio sobre Tagore publicado em adendo ao livro <em>O Cristo<\/em>, afirma: \u201c<em>Bisso Kobi<\/em>, Poeta Universal, chamam-no na p\u00e1tria. \u00c9 o t\u00edtulo que ainda hoje melhor lhe assenta\u201d (p. 96). Na pr\u00f3xima semana, postarei neste blog mais um texto dedicado ao grande Mestre-poeta Rabindranath Tagore, o qual ter\u00e1 como fundamento as poesias de Gitanjali.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00f3s aprendemos a conhecer Cristo de modo particular atrav\u00e9s dos mission\u00e1rios crist\u00e3os, e foi, muitas vezes, seu modo de ser crist\u00e3o que nos escondeu Cristo&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-835","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-44-o-que-aprendi-com-os-mestres"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=835"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/835\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}