{"id":844,"date":"2009-10-09T06:21:16","date_gmt":"2009-10-09T09:21:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=844"},"modified":"2009-10-09T06:21:16","modified_gmt":"2009-10-09T09:21:16","slug":"a-saudade-que-eu-gosto-de-ter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/10\/09\/a-saudade-que-eu-gosto-de-ter\/","title":{"rendered":"A saudade que eu gosto de ter"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #000080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-845\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/roberto.jpg\" alt=\"roberto\" width=\"200\" height=\"200\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/roberto.jpg 200w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/roberto-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/roberto-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/>Da janela o horizonte\/ A liberdade de uma estrada eu posso ver\/ O meu pensamento voa livre em sonhos\/ Pra longe de onde estou\/ Eu \u00e0s vezes penso at\u00e9 onde essa estrada\/ Pode levar algu\u00e9m\/ Tanta gente j\u00e1 se arrependeu e eu\/ Eu vou pensar, eu vou pensar\/ Quantas vezes eu pensei sair de casa\/ Mas eu desisti\/ Pois eu sei l\u00e1 fora eu n\u00e3o teria\/ O que eu tenho agora aqui\/ Meu pai me d\u00e1 conselhos\/ Minha m\u00e3e vive falando sem saber\/ Que eu tenho meus problemas\/ E que \u00e0s vezes s\u00f3 eu posso resolver&#8230;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">\u00c0 janela. Roberto Carlos \u2013 Erasmo Carlos<\/span><\/em><\/p>\n<p>Tarde de ter\u00e7a-feira. No est\u00fadio da R\u00e1dio UNIFOR, procurei me acomodar de maneira confort\u00e1vel diante do microfone. \u00c0 minha esquerda sentou-se a estagi\u00e1ria do Curso de Jornalismo,\u00a0Clara Magalh\u00e3es. \u00c0 direita, de p\u00e9, postou-se Mara Rebou\u00e7as, a outra estagi\u00e1ria, munida de caneta e um bloco de anota\u00e7\u00f5es. Sentada \u00e0 direita, Indira, ali desempenhando simultaneamente o papel de filha e estagi\u00e1ria, nos observava. Preparado o cen\u00e1rio, Clara disparou a primeira pergunta: <em>Como Roberto Carlos entrou na sua vida?<\/em><\/p>\n<p>Como resposta, eu disse que, para quem, como eu, viveu sua juventude no Brasil entre os anos sessenta e setenta, de alguma forma, quer queira quer n\u00e3o, guarda a lembran\u00e7a de algum epis\u00f3dio que teve como fundo alguma m\u00fasica de Roberto Carlos. No meu caso, especificamente, rememorei alguns fatos que ficaram impressos de forma indel\u00e9vel na minha mem\u00f3ria, tornando-se parte da minha hist\u00f3ria de vida.<\/p>\n<p>Quando Indira me perguntou se eu aceitaria o convite de suas colegas\u00a0para comparecer \u00e0 R\u00e1dio UNIFOR a fim de falar um pouco sobre Roberto Carlos, respondi afiramtivamente, embora eu n\u00e3o seja o que se pode chamar de um grande f\u00e3 do Rei. A condi\u00e7\u00e3o para a entrevista era que eu fizesse uma sele\u00e7\u00e3o de algumas m\u00fasicas que estivessem associadas a epis\u00f3dios da minha vida, e cuja letra eu pudesse comentar.<\/p>\n<p>Por sorte, no \u00faltimo natal o meu irm\u00e3o Mauro Jorge e\u00a0minha cunhada, Sandra,\u00a0me haviam presenteado com um estojo contendo 45 CDs do Roberto Carlos. Munido, portanto, de suficiente material, na manh\u00e3 em que deveria dar a entevista lancei-me \u00e0 tarefa da sele\u00e7\u00e3o. Embora n\u00e3o ou\u00e7a os discos com muita frequ\u00eancia, a tarefa foi mais f\u00e1cil do que imaginara inicialmente.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Para ser franco, no momento em que aceitei o convite algumas m\u00fasicas se impuseram imediatamente como as primeiras que deveriam constar da sele\u00e7\u00e3o. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, quatro das\u00a0can\u00e7\u00f5es\u00a0de que mais gosto dentre as que comp\u00f5em o vasto repert\u00f3rio do Rei se encontram num mesmo CD.<\/p>\n<p>Alem daquelas quatro, escolhi outras nove. Gravei-as num \u00fanico disco e levei para o est\u00fadio. Ficou assim a minha sele\u00e7\u00e3o: 1. Parei na contra-m\u00e3o; 2. Ora\u00e7\u00e3o de um triste; 3. Oh! Meu imenso amor; 4. Amada amante; 5. Eu s\u00f3 tenho um caminho; 6. \u00c0 janela; 7. \u00c0 dist\u00e2ncia; 8. O div\u00e3; 9. \u00c9 tempo de amar; 10. A montanha; 11. Mucuripe; 12. Um milh\u00e3o de amigos; 13. Jovens tardes de domingo.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderia falar aqui dos motivos que me levaram a escolher cada uma das can\u00e7\u00f5es, pois, inevitavelmente, o texto ficaria longo demais e correria o risco de cansar os leitores. Gostaria, no entanto, de me reportar a duas\u00a0que s\u00e3o muito especiais, para mim duas obras-primas da MPB, ambas compostas por Roberto Carlos e Erasmo Carlos. S\u00e3o elas: <em>\u00c0 janela<\/em> e <em>O div\u00e3<\/em>.<\/p>\n<p>Cada vez que ou\u00e7o uma dessas m\u00fasicas, minhas lembran\u00e7as me transportam imediatamente \u00e0 minha adolesc\u00eancia em Massap\u00ea. Uma imagem surge n\u00edtida em minha mente: num final de tarde de inverno, estou \u00e0 porta da minha casa e, depois de ter chovido bastante, o c\u00e9u ainda nublado, observo a \u00e1gua que corre pela sarjeta. De repente, uma janela \u00e9 aberta numa casa que fica quase confrontando \u00e0 de meus pais. A pessoa que a abrira, nossa conterr\u00e2nea Elza Azevedo Vasconcelos,\u00a0 aparece e, depois de dar uma olhada na rua, entra e se dirige \u00e0 radiola que ficava na mesma sala.\u00a0Come\u00e7o, ent\u00e3o,\u00a0a ouvir a can\u00e7\u00e3o que tem por nome, exatamente, <em>\u00c0 janela<\/em>. A ela se seguriam as demais 11 m\u00fasicas do disco, incluindo <em>O div\u00e3<\/em>. Por que tal cena ficou gravada de forma t\u00e3o forte na minha mente, apenas Freud poder\u00e1 responder.\u00a0Por algum motivo, todo aquele passado se faz muito presente cada vez que ou\u00e7o os seguintes versos, na voz anasalada do Rei:<\/p>\n<p><em>Eu venho aqui me deito e falo\/ Pra voc\u00ea que s\u00f3 escuta\/ N\u00e3o entende a minha luta\/ Afinal, de que me queixo\/ S\u00e3o problemas superados\/ Mas o meu passado vive\/ Em tudo que eu fa\u00e7o agora\/ Ele est\u00e1 no meu presente\/ Mas eu apenas desabafo\/ Confus\u00f5es da minha mente.<\/em><\/p>\n<p>Ao final da entrevista, quando Clara me perguntou se eu queria falar mais alguma coisa, eu disse o seguinte: Agrade\u00e7o a voc\u00eas a oportunidade de ter estado aqui e remorado alguns momentos e epis\u00f3dios da minha vida. Por fim, Parafraseando a can\u00e7\u00e3o <em>Outra vez<\/em>, composi\u00e7\u00e3o de Isolda e um dos grandes sucessos de Roberto Carlos, gostaria de concluir com as seguintes palavras: <em>Das lembran\u00e7as que eu trago na vida, as m\u00fasicas de Roberto Carlos s\u00e3o uma das saudades que eu gosto de ter<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da janela o horizonte\/ A liberdade de uma estrada eu posso ver\/ O meu pensamento voa livre em sonhos\/ Pra longe de onde estou\/ Eu&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-844","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-12-arcano-xii-no-umbral-do-extase"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/844","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=844"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/844\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=844"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=844"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=844"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}