{"id":852,"date":"2009-10-10T06:21:41","date_gmt":"2009-10-10T09:21:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=852"},"modified":"2009-10-10T06:21:41","modified_gmt":"2009-10-10T09:21:41","slug":"uma-madona-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/10\/10\/uma-madona-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"Uma Madona para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #000080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-853\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/9788534930970-299x469.jpg\" alt=\"9788534930970\" width=\"299\" height=\"469\" \/>O mito da Madona que se tornou a Padroeira do Brasil come\u00e7ou em 1717. Ela foi encontrada no rio Para\u00edba, que cruza a fronteira entre os estados de S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, por Domingos Alves Garcia e seu filho, Jo\u00e3o Alves. Al\u00e9m de pai e filho, tamb\u00e9m estava presente o tio de Jo\u00e3o, Felipe Pedroso, que era casado com a irm\u00e3 de Domingos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Lucy Penna<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">[Penna, Lucy. Aparecida do Brasil: A Madona Negra da abund\u00e2ncia. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2009, p. 17. \u2013 (Cole\u00e7\u00e3o Temas marianos).]<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\">Aproveitando o ensejo da festa de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, a ser comemorada na pr\u00f3xima segunda-feira, 12 de outubro, quero apresentar hoje um dos livros mais singulares dentre as publica\u00e7\u00f5es dedicadas \u00e0 mariologia. Refiro-me \u00e0 obra <em>Aparecida do Brasil: A Madona Negra da abund\u00e2ncia<\/em>, escrita por Lucy Coelho Penna. A autora \u00e9 doutora em Psicologia Cl\u00ednica, residindo em Goi\u00e2nia onde fundou o N\u00facleo Junguiano do Cerrado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\">O livro \u00e9 dividido em duas partes. A primeira intitula-se <em>O feminino sagrado<\/em> e a segunda, <em>Aparecida e a alma brasileira<\/em>. Valendo-se de conceitos tomados de empr\u00e9stimo \u00e0 psicologia junguiana, a autora tece uma bela e peculiar an\u00e1lise de Nossa Senhora Aparecida, enfocando-a sob uma perspectiva arquet\u00edpica. Depois de situar historicamente o encontro da imagem pelos pescadores nas \u00e1guas do rio Para\u00edba, Lucy Penna aborda aspectos m\u00edticos relacionados ao feminino, passando pela Madona Negra, figura arquet\u00edpica presente em diversas culturas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\">A abordagem das hierofanias femininas culmina com uma an\u00e1lise de tr\u00eas arqu\u00e9tipos onipresentes na cultura brasileira. Escreve Lucy Penna no cap\u00edtulo 5, <em>As senhoras das \u00e1guas<\/em>:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><em>Deusas das \u00e1guas significam aspectos da alma brasileira. A intensidade das devo\u00e7\u00f5es \u00e0s divindades femininas neste pa\u00eds mostra que elas t\u00eam uma fun\u00e7\u00e3o muito importante no &#8220;self&#8221; cultural. Escolhi duas representantes de cada uma das tr\u00eas principais vertentes da nossa cultura para abordar o intrigante simbolismo que mescla \u00e1gua com feminino. Da tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena emerge a famosa Yara de longos cabelos pretos. Uma divindade proveniente de uma cultura ancestral, cujos restos cer\u00e2micos foram encontrados na Ilha de Maraj\u00f3, na Amaz\u00f4nia, tamb\u00e9m ser\u00e1 associada com a seca e as enchentes. Conheceremos melhor a face de Aparecida e Nazar\u00e9, que abrigam sob seus mantos a maioria dos cat\u00f3licos. Pedimos licen\u00e7a para chamar Yemanj\u00e1 e Oxum, deusas de dois continentes. Tecendo fios simb\u00f3licos entre essas grandes senhoras, vamos navegar nas \u00e1guas doces de Oxum e nas ondas salgadas da sedutora Yemanj\u00e1. A malevol\u00eancia de Yara escapa nas n\u00e9voas do tempo. Nos redemoinhos da instigante deusa do Maraj\u00f3 ecoa o ronco da pororoca. A luz azul de Aparecida embala sonhos que aliviam as dores da alma e o colo \u00famido de Nazar\u00e9, a m\u00e3e da Amaz\u00f4nia regala de frescor o corpo suado do trabalho<\/em> (p. 71).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\">A leitura de <em>Aparecida do Brasil<\/em> se converteu para mim em deleitoso navegar pelas fluidas e fluentes id\u00e9ias disseminadas pela autora ao longo do livro. Leitores interessados por mitologia e psicologia junguiana, al\u00e9m daqueles que t\u00eam especial apre\u00e7o por estudos tendo por escopo a nossa brasilidade, encontrar\u00e3o na leitura desta obra instigantes motivos para reflex\u00e3o. No meu caso particular, al\u00e9m de ser um apaixonado pelos tr\u00eas temas, fui agraciado por\u00a0Deus com o colo \u00famido de uma certa Nazar\u00e9, no qual tenho encontrado, ao longo de vinte anos, conforto e acolhimento nos momentos em que somente a presen\u00e7a feminina pode socorrer as minhas car\u00eancias e fragilidades masculinas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\">Concluo com o trecho final do livro, no qual Lucy Penna se refere com maestria e rara beleza \u00e0 figura de Nossa Senhora Aparecida:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><em>Aparecida emerge das \u00e1guas como se tivesse passado por uma inicia\u00e7\u00e3o. Est\u00e1 transformada n\u00e3o apenas na apar\u00eancia, como tamb\u00e9m no poder dos s\u00edmbolos que expressa. Quando ali caiu, ou foi atirada, era apenas mais uma imagem barroca de Nossa Senhora. Emerge do seu mergulho como quem ressuscita.<\/em> <em><span style=\"color: #0000ff\">Vem para transformar a consci\u00eancia de uma na\u00e7\u00e3o. Atrai <\/span><\/em><\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_859\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><em><span style=\"color: #0000ff\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-859\" class=\"size-medium wp-image-859\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/d302321-300x206.jpg\" alt=\"Bas\u00edlica de Nossa Senhora Aparecida\" width=\"300\" height=\"206\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/d302321-300x206.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/d302321-120x82.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/d302321.jpg 620w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/span><\/em><p id=\"caption-attachment-859\" class=\"wp-caption-text\">Bas\u00edlica de Nossa Senhora Aparecida<\/p><\/div>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff\">multid\u00f5es. Instiga oposi\u00e7\u00f5es. Mistura cren\u00e7as e povos. Torna-se uma l\u00edder.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\"><span style=\"color: #0000ff\"><em>Aparecida, entretanto, n\u00e3o est\u00e1 confinada a uma igreja. (&#8230;) Em vez de propriedade de uma institui\u00e7\u00e3o, Aparecida \u00e9 do Brasil. Sua for\u00e7a transcende a fr\u00e1gil e pequena apar\u00eancia. H\u00e1 muito mais em Aparecida do que a figura de terracota por tr\u00e1s do vidro blindado. Somos cocriadores de Aparecida junto com as \u00e1guas do rio Para\u00edba. Somos parceiros de Deus e respons\u00e1veis pela implementa\u00e7\u00e3o do projeto que Aparecida veio trazer \u00e0 na\u00e7\u00e3o. As m\u00e3os das mulheres e dos homens que a tocaram, para manchar, golpear, e tamb\u00e9m para restaurar, s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto as palavras que usamos para cantar para ela. Aparecida existe na ousadia dos gestos an\u00f4nimos de solidariedade. Ela se agiganta nos atos de amorosidade a cada minuto. Aparecida dentro de n\u00f3s materializa a energia dos brasileiros e brasileiras como cocriadores com a Natureza para que germine o aut\u00eantico ouro do cora\u00e7\u00e3o. A sabedoria no uso dos dons que recebemos de Deus<\/em> <\/span>(p. 206\/207).<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mito da Madona que se tornou a Padroeira do Brasil come\u00e7ou em 1717. 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