{"id":89,"date":"2009-07-13T06:59:59","date_gmt":"2009-07-13T11:59:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=89"},"modified":"2009-07-13T06:59:59","modified_gmt":"2009-07-13T11:59:59","slug":"ser-brasileiro-ou-o-paradoxo-como-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/07\/13\/ser-brasileiro-ou-o-paradoxo-como-identidade\/","title":{"rendered":"Ser brasileiro ou O paradoxo como identidade"},"content":{"rendered":"<address><span style=\"color: #000080\">Gilberto Freyre seria o mestre do equil\u00edbrio dos contr\u00e1rios. Sua obra est\u00e1 perpassada por antagonismos. Mas dessas contradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o nasce uma dial\u00e9tica, n\u00e3o h\u00e1 a supera\u00e7\u00e3o dos contr\u00e1rios, nem por consequ\u00eancia se vislumbra qualquer sentido da Hist\u00f3ria. Os contr\u00e1rios se justap\u00f5em, frequentemente de forma amb\u00edgua, e convivem em harmonia. <\/span><\/address>\n<address><span style=\"color: #000080\">Fernando Henrique Cardoso<\/span><\/address>\n<address><span style=\"color: #000080\">[Um livro perene. Apresenta\u00e7\u00e3o a Casa Grande e Senzala. Gilberto Freyre. 51a. ed. S\u00e3o Paulo: Global, 2006, p. 23.]<\/span><\/address>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos anos venho indagando a mim mesmo sobre o que significa ser brasileiro. Quando digo sou brasileiro, mais que declarar minha filia\u00e7\u00e3o ao Brasil, estou afirmando uma identidade. Mas o que \u00e9, exatamente, essa identidade?\u00a0A quest\u00e3o tem me inquietado e mexido comigo ao longo de muitos anos. N\u00e3o s\u00e3o poucos os estudiosos, tanto brasileiros quanto estrangeiros, que t\u00eam se aventurado a oferecer uma poss\u00edvel resposta para a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Um dos primeiros foi Gilberto Freyre.\u00a0Num texto anterior, postado neste blog, \u00a0mencionei rapidamente este grande pernambucano por quem nutro uma grande admira\u00e7\u00e3o, ao me referir \u00e0 visita que fiz a\u00a0Apipucos. Seguramente retornarei muitas vezes a este estudioso da alma brasileira neste blog. Hoje gostaria de citar um pequeno texto po\u00e9tico em que Gilberto Freyre descreve a si mesmo. O fa\u00e7o por considerar que, nele, o\u00a0autor de Casa Grande e Senzala, ao descrever a si mesmo, resume a ess\u00eancia do que, parece-me, significa ser brasileiro: o paradoxo.\u00a0Penso que\u00a0nada caracteriza melhor a alma brasileira do que o paradoxo. Parece-me que, ao falar de superposi\u00e7\u00e3o das contradi\u00e7\u00f5es em Gilberto Freyre, Fernando Henrique, sem que cite a palavra, est\u00e1 se referindo ao paradoxo. Esse aspecto\u00a0se destaca sobremaneira na descri\u00e7\u00e3o que\u00a0o soci\u00f3logo pernambucado\u00a0faz de si mesmo. Ao falar de si, ele resume o ser brasileiro:<\/p>\n<address>&#8220;Se me perguntarem quem sou, direi que n\u00e3o sei classificar-me. N\u00e3o sei definir-me. Sei que sou um &#8216;eu&#8217; muito consciente de si pr\u00f3prio. Mas esse &#8216;eu&#8217; n\u00e3o \u00e9 um s\u00f3. Esse\u00a0&#8216;eu&#8217; \u00e9 um conjunto de &#8216;eus&#8217;. Uns que se harmonizam outros que se contradizem. Por\u00a0 exemplo, eu sou, numas coisas, muito conservador e, noutras, muito revolucion\u00e1rio. Eu sou um sensual e sou um m\u00edstico. Eu sou um indiv\u00edduo muito voltado para o passado, muito interessado no presente e muito preocupado com o futuro. N\u00e3o sei qual dessas preocupa\u00e7\u00f5es \u00e9 maior em mim. Mas todas elas como que coexistem e at\u00e9 me levaram a conceber uma id\u00e9ia de tempo, porventura nova: a do tempo tr\u00edbio.\u00a0A de que o tempo nunca \u00e9 s\u00f3 passado, nem s\u00f3 presente, nem s\u00f3 futuro, mas os tr\u00eas simultaneamente. Vivo nesses tr\u00eas tempos simultaneamente. Sou um brasileiro de Pernambuco. Gosto muito de minha prov\u00edncia. Sou sedent\u00e1rio e ao mesmo tempo n\u00f4made. Gosto da rotina e gosto da aventura. Gosto dos meus chinelos e gosto de viajar. Meu nome \u00e9 Gilberto Freyre&#8221;. <\/address>\n<address><\/address>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gilberto Freyre seria o mestre do equil\u00edbrio dos contr\u00e1rios. Sua obra est\u00e1 perpassada por antagonismos. 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