{"id":891,"date":"2009-10-15T06:21:36","date_gmt":"2009-10-15T09:21:36","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=891"},"modified":"2009-10-15T06:21:36","modified_gmt":"2009-10-15T09:21:36","slug":"a-missa-epitome-do-misterio-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/10\/15\/a-missa-epitome-do-misterio-cristao\/","title":{"rendered":"A Missa, ep\u00edtome do mist\u00e9rio crist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #000080\">Ningu\u00e9m poder\u00e1 ter d\u00favidas: se existir uma institui\u00e7\u00e3o da nossa cultura tradicional que merece que n\u00e3o nos contentemos somente com o conhecimento de sua superf\u00edcie, mas que aprofundemos com todo cuidado e amor sua g\u00eanese e sua evolu\u00e7\u00e3o e que procuremos conhecer o sentido \u00faltimo de seus detalhes, ent\u00e3o esta \u00e9, mesmo salvo considera\u00e7\u00f5es mais profundas, a liturgia da Santa Missa que \u00e9 celebrada diariamente em centenas de milhares de altares, e para a qual acorre\u00a0a cada domingo todo o povo crist\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Josef A. Jungmann S.J.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">[Jungmann, Josef A. Missarum sollemnia: origens, liturgia, hist\u00f3ria e teologia da missa romana. Tradu\u00e7\u00e3o de Monika Ottermann. \u2013 5\u00aa. ed. corr. \u2013 S\u00e3o Paulo: Paulus, 2009, p. 5.]<\/span><\/em><\/p>\n<p>Apesar de todos os reveses pelos quais tem passado a minha f\u00e9, nunca consegui assistir indiferente a uma missa. Sinto brotar em mim um senso de rever\u00eancia que se imp\u00f5e naturalmente cada vez que o sacerdote ergue a h\u00f3stia no momento da consagra\u00e7\u00e3o. Parece que, efetivamente, presencia-se naquela ocasi\u00e3o um evento de \u00edndole sobrenatural. Considero aquele um momento de tal grandiosidade e mist\u00e9rio que, parece-me, apenas o mais absoluto sil\u00eancio pode ser-lhe condizente. Por esse motivo, procuro me manter silenciosamente at\u00e9 mesmo em pensamento, permanecendo apenas presente, absolutamente presente, sem em nada pensar. No momento da transubstancia\u00e7\u00e3o, permito-me experimentar o sil\u00eancio absoluto e intranspon\u00edvel de Deus. Ante mist\u00e9rio de tamanha grandiosidade, inating\u00edvel para a limitada mente humana, esta \u00e9, parece-me, a \u00fanica atitude l\u00edcita, pois ali Deus se faz homem e se d\u00e1 a experimentar sob as esp\u00e9cies do p\u00e3o e do vinho.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o da transubstancia\u00e7\u00e3o tem feito rolar muita tinta da pena de te\u00f3logos e eruditos ao longo dos s\u00e9culos. O tema tem motivado discuss\u00f5es e debates sempre acalorados. A origem do rito remonta \u00e0quele que pode ser considerado o epis\u00f3dio fundador do cristianismo: a institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia por Cristo na \u00faltima ceia, assim narrado por Lucas:\u00a0<\/p>\n<p><em>Chegada que foi a hora, Jesus p\u00f4s-se \u00e0 mesa, e com ele os ap\u00f3stolos. Disse-lhes: \u201cTenho desejado ardentemente comer convosco esta P\u00e1scoa, antes de sofrer. Pois vos digo: n\u00e3o tornarei a com\u00ea-la, at\u00e9 que ela se cumpra no Reino de Deus\u201d. Pegando o c\u00e1lice, deu gra\u00e7as e disse: \u201cTomai este c\u00e1lice e distribu\u00ed-o entre v\u00f3s. Pois vos digo: j\u00e1 n\u00e3o tornarei a beber do fruto da videira, at\u00e9 que venha o Reino de Deus\u201d. Tomou em seguida o p\u00e3o e depois de ter dado gra\u00e7as, partiu-o e deu-lho, dizendo: \u201cIsto \u00e9 o meu corpo, que \u00e9 dado por v\u00f3s; fazei isto em mem\u00f3ria de mim\u201d. Do mesmo modo tomou tamb\u00e9m o c\u00e1lice, depois de cear, dizendo: \u201cEste c\u00e1lice \u00e9 a Nova Alian\u00e7a em meu sangue, que \u00e9 derramado por v\u00f3s&#8230;\u201d<\/em> (Lc 22, 14-20).\u00a0<\/p>\n<div id=\"attachment_893\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-893\" class=\"size-full wp-image-893\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/juan-de-juanes1.jpg\" alt=\"Santa Ceia. - Juan de Juanes (1523-1579)\" width=\"500\" height=\"351\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/juan-de-juanes1.jpg 500w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/juan-de-juanes1-300x211.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/10\/juan-de-juanes1-120x84.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><p id=\"caption-attachment-893\" class=\"wp-caption-text\">Santa Ceia. - Juan de Juanes (1523-1579)<\/p><\/div>\n<p>Jung reconheceu no rito crist\u00e3o da missa uma fun\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica muito importante, o que o motivou a dedicar dois estudos ao assunto. Na introdu\u00e7\u00e3o ao primeiro desses estudos, afirma o psic\u00f3logo su\u00ed\u00e7o: \u201cA missa \u00e9 um mist\u00e9rio ainda bastante vivo, cujos prim\u00f3rdios remontam aos primeiros tempos do Cristianismo. Seria sup\u00e9rfluo insistir que essa vitalidade se deve a um dinamismo psicol\u00f3gico indubit\u00e1vel, e isso implica que a Psicologia deve estud\u00e1-la. \u00c9 \u00f3bvio que tal estudo s\u00f3 pode ser feito de um ponto de vista puramente fenomenol\u00f3gico, pois as realidades da f\u00e9 ultrapassam o dom\u00ednio da Psicologia\u201d (Jung, C. G. <em>O s\u00edmbolo da transforma\u00e7\u00e3o na missa<\/em>. Em: Psicologia da religi\u00e3o ocidental e oriental. Tradu\u00e7\u00e3o do Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha. \u2013 Petr\u00f3polis: Vozes, 1983, p. 205.- (Obras completas de C. G. Jung, v. 11).<\/p>\n<p>No rito da missa, parece-me, est\u00e1 condensado todo o mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o e revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3s. Talvez exatamente nesse aspecto resida o seu poder de despertar e mobilizar afetos de uma magnitude tal que seus efeitos talvez n\u00e3o tenham sido ainda devidamente aquilatados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m poder\u00e1 ter d\u00favidas: se existir uma institui\u00e7\u00e3o da nossa cultura tradicional que merece que n\u00e3o nos contentemos somente com o conhecimento de sua superf\u00edcie,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-891","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-09-arcano-ix-caminhos-do-sagrado"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/891","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=891"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/891\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=891"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=891"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=891"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}