{"id":950,"date":"2009-11-03T06:21:44","date_gmt":"2009-11-03T09:21:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=950"},"modified":"2009-11-03T06:21:44","modified_gmt":"2009-11-03T09:21:44","slug":"um-saber-tao-antigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/11\/03\/um-saber-tao-antigo\/","title":{"rendered":"Um saber t\u00e3o antigo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000080\"><em>A uma invas\u00e3o do fant\u00e1stico exterior deveria corresponder uma explora\u00e7\u00e3o do fant\u00e1stico interior. Haver\u00e1 um fant\u00e1stico interior? E aquilo que o homem faz n\u00e3o ser\u00e1 a proje\u00e7\u00e3o daquilo que ele \u00e9 ou vir\u00e1 a ser? \u00c9, portanto, a esta explora\u00e7\u00e3o do fant\u00e1stico interior que vamos proceder. Ou, pelo menos, esfor\u00e7ar-nos-emos por fazer sentir que essa explora\u00e7\u00e3o seria necess\u00e1ria, e esbo\u00e7ar um m\u00e9todo.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><em>[Pauwels, Louis; Bergier, Jacques. O Despertar dos m\u00e1gicos: introdu\u00e7\u00e3o ao realismo fant\u00e1stico. Tradu\u00e7\u00e3o de Gina de Freitas. 26\u00aa. ed. \u2013 Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996, p. 345.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>Desde tempos imemoriais o homem sempre se deixou fascinar pela busca dos grandes mist\u00e9rios. Parece que se pode identificar, na maioria das sociedades humanas, um tipo de saber que s\u00f3 \u00e9 dado a conhecer a determinados indiv\u00edduos ou a grupos restritos de pessoas. Este saber em geral est\u00e1 cercado por uma aura de mist\u00e9rio e de sacralidade. \u00c9 como se fosse algo de um poder t\u00e3o grande que aos profanos n\u00e3o seria l\u00edcito permitir o acesso. Em alguns casos, tal conhecimento \u00e9 guardado debaixo de sete chaves, sendo transmitido somente atrav\u00e9s da tradi\u00e7\u00e3o oral.<\/p>\n<p>Recordo aqui, a prop\u00f3sito, a pol\u00eamica em que se envolveu o etn\u00f3logo franc\u00eas Pierre Verger quando come\u00e7ou a publicar seus livros sobre o Candombl\u00e9, pois, de acordo com alguns de seus cr\u00edticos, ele teria revelado conhecimentos que lhe foram transmitidos pelos Babalorix\u00e1s os quais n\u00e3o poderiam ser publicados. De fato, tais conhecimentos, de natureza inici\u00e1tica, eram transmitidos apenas oralmente e, ainda assim, apenas a inciados. Vale mencionar que o pr\u00f3prio Verger foi um iniciado, tendo recebido no Candombl\u00e9 o t\u00edtulo de <em>Fatumbi<\/em>, t\u00edtulo este que ele de bom grado incorporou ao seu nome, passando a assinar Pierre Fatumbi Verger.<\/p>\n<p>Bem, esse conhecimento, de natureza secreta, se tornou conhecido como esot\u00e9rico, para diferenci\u00e1-lo de um outro, dito exot\u00e9rico. Assim, esoterismo, grafado com a letra &#8220;s&#8221;, denomina toda uma categoria de saber em geral de natureza inici\u00e1tica, quase sempre restrita a um pequeno grupo de indiv\u00edduos. Quanto ao saber dito exot\u00e9rico, grafado com a letra &#8220;x&#8221;, diz respeito ao conhecimento comum, a que qualquer pessoa pode ter acesso. O estabelecimento dessa diferen\u00e7a se deve \u00e0 escola pitag\u00f3rica, que ministrava os dois tipos de conhecimento. Para ter acesso ao conhecimento esot\u00e9rico, era necess\u00e1rio que o ne\u00f3fito passasse por uma s\u00e9rie de inicia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 que tal saber tem de t\u00e3o especial, que o torna interdito \u00e0s pessoas comuns? Por que ele s\u00f3 pode ser transmitido depois de um longo processo de inicia\u00e7\u00e3o? O que ele faculta ou propicia a quem o det\u00e9m? Que garantias ou condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o requeridas de quem o busca? Por que, enfim, h\u00e1 um temor t\u00e3o grande de que venha a cair nas m\u00e3os de pessoas inescrupulosas ou a\u00e9ticas? E, afinal, existe mesmo este saber dito esot\u00e9rico ou tudo n\u00e3o passa de fantasia de mentes ociosas?<\/p>\n<p>Desde o advento da Teoria da Relatividade, formulada por Albert Einstein, sabe-se que a mat\u00e9ria \u00e9 n\u00e3o mais que energia condensada, noutras palavras, tudo \u00e9 energia. Pois bem, o fato \u00e9 que, de acordo com v\u00e1rias tradi\u00e7\u00f5es esot\u00e9ricas, a energia que permeia a vida e todos os corpos \u00e9 manipul\u00e1vel. Um dos objetivos do conhecimento esot\u00e9rico seria, exatamente, a manipula\u00e7\u00e3o de tais energias. Nesse sentido, o saber poderia ser usado tanto para o bem quanto para o mal, gerando, de acordo com o objetivo com que fosse usado, consequ\u00eancias ben\u00e9ficas ou mal\u00e9ficas. Sua posse, portanto, exigiria uma conduta eminentemente \u00e9tica de seu detentor. Da\u00ed porque\u00a0tal saber exige uma s\u00e9rie de requisitos para que a ele se tenha acesso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A uma invas\u00e3o do fant\u00e1stico exterior deveria corresponder uma explora\u00e7\u00e3o do fant\u00e1stico interior. Haver\u00e1 um fant\u00e1stico interior? 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