{"id":496,"date":"2019-02-20T15:42:23","date_gmt":"2019-02-20T18:42:23","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/?p=496"},"modified":"2019-02-20T15:42:23","modified_gmt":"2019-02-20T18:42:23","slug":"o-relacionamento-entre-grandes-corporacoes-e-startups","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/2019\/02\/20\/o-relacionamento-entre-grandes-corporacoes-e-startups\/","title":{"rendered":"O relacionamento entre grandes corpora\u00e7\u00f5es e startups"},"content":{"rendered":"<h3>Texto por\u00a0Bernardo Castellini Bichucher, formado em Engenharia Mec\u00e2nica pela USP, Bernardo trabalhou durante sua gradua\u00e7\u00e3o nas mais diversas \u00e1reas, desde aeron\u00e1utica at\u00e9 ao desenvolvimento integrado de produtos inovadores. Hoje \u00e9 analista na EloGroup trabalhando na frente de gest\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o. Como hobbies, \u00e9 viciado em m\u00fasica na arte de cozinhar!<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-497\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-content\/uploads\/sites\/72\/2019\/02\/texto-bernardo.jpg\" alt=\"\" width=\"646\" height=\"478\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-content\/uploads\/sites\/72\/2019\/02\/texto-bernardo.jpg 646w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-content\/uploads\/sites\/72\/2019\/02\/texto-bernardo-300x222.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-content\/uploads\/sites\/72\/2019\/02\/texto-bernardo-120x89.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 646px) 100vw, 646px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que ouvimos esse nome por a\u00ed, <em>startups<\/em>. Existem zilh\u00f5es de conceitos diferentes sobre este tipo de empresa e aquela que eu utilizo bastante no meu dia a dia foi dita pelo Eric Ries (por sinal, se voc\u00ea ainda n\u00e3o leu os livros dele, vai agora comprar&#8230; Correndo!) que diz: \u201cStartup \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o humana criada para entregar um novo produto ou servi\u00e7o em condi\u00e7\u00f5es de extrema incerteza\u201d. Afinal, esta incerteza \u00e9 fruto de um mundo atual extremamente din\u00e2mico, conectado e veloz, com novas empresas surgindo \u2013 e outras falindo \u2013 cada vez mais r\u00e1pido. Um estudo da consultoria de inova\u00e7\u00e3o Innosight diz que se voc\u00ea fosse dono de uma das empresas da S&amp;P500 (500 ativos mais bem cotados nas bolsas americanas NYSE e NASDAQ) em 1965, muito provavelmente sua empresa continuaria fazendo parte deste \u00edndice pelos pr\u00f3ximos 33 anos. Em 2016, esse n\u00famero cairia para 24 anos. Em 2027? A previs\u00e3o \u00e9 apenas de 12&#8230;<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o, com esse mundo extremamente vol\u00e1til, r\u00e1pido e cheio de novas <a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/2018\/06\/15\/tipos-de-crescimento-em-startups\/\"><em>startups <\/em>crescendo<\/a> ao ponto de se tornarem unic\u00f3rnios (<em>evaluation <\/em>de +US$1bi), <strong>como \u00e9 poss\u00edvel uma grande corpora\u00e7\u00e3o, criada h\u00e1 muitos anos, repleta de ritos bem engessados e com uma cultura tradicional, poder se posicionar como inovadora, rejuvenescida, \u00e1gil<\/strong>&#8230;? A resposta \u00e9 mais simples do que parece: trazendo essas <em>startups <\/em>para dentro de casa. Esta ideia \u00e9 englobada por outro conceito chamado de <em>Open Innovation,<\/em> termo famoso depois do lan\u00e7amento do livro de Henry Chesbourgh (2003) \u201c<em>Open Innovation: the new imperative for creating and profiting from technology<\/em>\u201d. Basicamente, a ideia por tr\u00e1s da Inova\u00e7\u00e3o Aberta consiste no <em>mindset<\/em> de que uma empresa pode, e deve, utilizar ideias e novas formas de <em>go-to market<\/em> oriundas de fontes internas e tamb\u00e9m externas, para desenvolver <a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/2019\/02\/13\/irado-mas-essa-t\u2026i-e-muito-melhor\/\">novas tecnologias<\/a>. Parece simples, n\u00e3o? Pois preparem-se para ver a meleca&#8230;<\/p>\n<p>O grande problema, \u00e9 que o modus operandi de qualquer grande corpora\u00e7\u00e3o \u00e9 tradicionalmente constru\u00eddo para assassinar qualquer tipo de modelo de trabalho um pouco mais parecido com o das <em>startups<\/em>. Processos extremamente burocr\u00e1ticos, mentalidade completamente adversa a riscos e a opera\u00e7\u00e3o do dia a dia s\u00e3o alguns exemplos de caracter\u00edsticas intr\u00ednsecas a estas empresas que sufocam algum tipo de inova\u00e7\u00e3o um pouquinho mais disruptiva dentro de casa.<\/p>\n<p>\u201cMas Bernardo, eu tenho uma empresa gigantesca, fundada h\u00e1 muitos anos e que j\u00e1 iniciou os trabalhos de relacionamento com <em>startups<\/em>, mas n\u00e3o tenho tido bons resultados&#8230; O que que eu estou fazendo de errado?\u201d Bom, s\u00f3 com uma frase t\u00e3o curta assim, eu n\u00e3o sei te medicar. Mas te garanto que inova\u00e7\u00e3o aberta n\u00e3o \u00e9 uma receita de bolo. Cada corpora\u00e7\u00e3o ter\u00e1 a sua forma de se relacionar com o ecossistema inovador. O importante \u00e9 ter estas iniciativas recebendo a devida aten\u00e7\u00e3o (l\u00ea-se c-level apoiando), alinhadas \u00e0 estrat\u00e9gia da empresa, com governan\u00e7a, gest\u00e3o, recursos alocados&#8230; Mas te digo mais, leitor da Varanda Casa Azul, existe sim um erro extremamente comum e o ponto central de todo esse texto: <strong>O relacionamento entre grandes corpora\u00e7\u00f5es e startups deve passar por um processo de ganho de maturidade.<\/strong><\/p>\n<p>Um artigo bem legal para se ler sobre o assunto chama \u201c<em>Winning Together \u2013 a guide to successful corporate-startup collaborations<\/em>\u201d do Nesta, uma funda\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica. Este texto retrata um pouco das diferentes maneiras de se relacionar com <em>startups<\/em>: contrata\u00e7\u00e3o, hackathons, coworkings, programas de acelera\u00e7\u00e3o, fundos de investimento, etc., e como estes programas se atrelam a 4 principais objetivos de uma colabora\u00e7\u00e3o corpora\u00e7\u00e3o-startup:<\/p>\n<ol>\n<li>Rejuvenescimento da cultura corporativa<\/li>\n<li>Posicionar a corpora\u00e7\u00e3o como uma empresa inovadora<\/li>\n<li>Resolver desafios de neg\u00f3cio<\/li>\n<li>Expans\u00e3o para novos mercados.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Por exemplo, caso seu objetivo neste relacionamento seja expandir para novos mercados, \u00e9 muito mais prov\u00e1vel alcan\u00e7a-lo atrav\u00e9s de investimentos na <em>startup<\/em> em si, ao inv\u00e9s de investir na cria\u00e7\u00e3o de um coworking. Agora, se o seu objetivo principal \u00e9 rejuvenescer sua cultura interna, pra qu\u00ea comprar uma <em>startup<\/em>? Roda um hackathon que isso j\u00e1 incentiva seus colaboradores a mudarem de <em>mindset<\/em>!<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o, se voc\u00ea, executivo de uma grande empresa, tem vontade de come\u00e7ar este relacionamento e ter dos mais diversos programas dentro de casa, eu aconselho come\u00e7ar pequeno. \u00c9 muito comum observarmos no mercado empresas com grandes programas de <em>startups<\/em> e \u00ednfimos resultados. Isto devido exatamente a falta de maturidade das empresas ao se mostrarem dispon\u00edveis para estes relacionamentos! N\u00e3o funciona rodar um programa de acelera\u00e7\u00e3o de <em>startups<\/em> com fundo de <a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/2019\/01\/09\/a-arte-de-atrair\u2026para-seu-negocio\/\">investimento<\/a> logo no dia 0, porque a empresa n\u00e3o est\u00e1 preparada! A organiza\u00e7\u00e3o vai gastar dinheiro, tempo de seus executivos, mentores, e depois do programa o que vai acontecer? Nada. Por que a empresa n\u00e3o se preparou.<\/p>\n<p>Agora, se eu sou uma grande corpora\u00e7\u00e3o, com interesse em me relacionar com todo esse novo ecossistema, que tal come\u00e7ar contratando uma <em>startup<\/em> ao inv\u00e9s de um fornecedor tradicional? Assim, eu j\u00e1 mostro para os meus colaboradores e processos internos como este novo pessoal trabalha. Depois, eu posso evoluir para uma parceria com uma aceleradora externa que ir\u00e1 rodar o programa para a minha empresa. Quem sabe, posteriormente, eu mesmo rodo um programa de acelera\u00e7\u00e3o dentro de casa! E finalizo o meu plano investindo equity nessas novas empresas, atrav\u00e9s do novo bra\u00e7o de corporate venture da minha organiza\u00e7\u00e3o. \u201cVoal\u00e1, <em>I am the new Google<\/em>\u201d. Vai sonhando&#8230;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o galera, a mensagem que eu quero deixar bem claro neste texto \u00e9: grandes organiza\u00e7\u00f5es podem, e devem, se relacionar com <em>startups<\/em> pelos mais diversos motivos e objetivos. O importante \u00e9 ter em mente que este relacionamento n\u00e3o deve ir direto pro casamento, se n\u00e3o vai terminar em div\u00f3rcio. Paquera, namora e depois casa com x amigx, que vai dar tudo certo!<\/p>\n<p>Espero que tenham gostado e n\u00e3o deixem de fu\u00e7ar todas as refer\u00eancias que eu mencionei aqui, todas valem a leitura!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto por\u00a0Bernardo Castellini Bichucher, formado em Engenharia Mec\u00e2nica pela USP, Bernardo trabalhou durante sua gradua\u00e7\u00e3o nas mais diversas \u00e1reas, desde aeron\u00e1utica at\u00e9 ao desenvolvimento integrado&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":166,"featured_media":497,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,38,12,10],"tags":[104,9,105,97,103,106,102,96],"class_list":["post-496","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-casa-azul","category-convidados","category-intermediario","category-niveis","tag-corporacoes","tag-corporate-venture","tag-coworkings","tag-empreendedorismo","tag-empresa","tag-hackathons","tag-open-innovation","tag-startup"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/496","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/users\/166"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=496"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/496\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":498,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/496\/revisions\/498"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/media\/497"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=496"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=496"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/varanda\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=496"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}