Discografia

Ele é o bom

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minha-fama-de-mauQuando Erasmo Carlos decidiu escrever suas memórias no livro Minha fama de mau, a primeira impressão que passou a boa parte dos futuros leitores é que ali estariam estampadas boa parte das intimidades de uma das mais importantes parcerias da música brasileira (se não a mais): Roberto e Erasmo. Além de amigos de longa data, eles são protagonistas de um importante capítulo da nossa história, os anos 1950 e 1960. No entanto, o carioca Erasmo Esteves é um gentleman e trata muito cuidadosamente do assunto. Nos momentos onde fala das manias do parceiro, ele faz isso de forma muito respeitosa. Entre relatar as centenas de presepadas que ambos devem ter dividido quando tiveram sucesso na juventude e lembrar momentos sublimes de uma amizade que já conta algumas dezenas de anos, ele fica com a segunda opção. Por exemplo, é emocionante ele relembrando sua emoção ao ouvir pela primeira vez a música “Amigo”, feita em sua homenagem. Ainda assim, não faltam boas histórias da turma da Jovem Guarda, dos amigos Tim Maia e Jorge Ben e sexo, muito sexo. Minha fama de mau deixa claro que este é um dos principais assuntos de Erasmo. Talvez, este seja o único tema que justifique o título da biografia. Até porque, temas mais pesados, como o suicídio da sua ex-esposa Narinha, merecem apenas breves registros.  Fora isso, a imagem que fica é de uma pessoa feliz e realizada com o próprio trabalho. Também fica a impressão que ainda falta muito por ser dito. Ponto pra ele quando apresenta sua visão sobre sua participação no Rock n’ Rio, quando teve que enfrentar a fúria de uma juventude alimentada a base de nescau e Iron Maidem. No fim das contas, se por um lado Minha fama de mau parece pálido por não trazer grandes revelações, por outro ele é um registro sincero escrito por e sobre um senhor de 68 anos que um dia descobriu a fonte da juventude no Rock’n’roll.