Discografia

“Na idade em que estou, já sou sim uma referência pros mais jovens. Espero que boa”

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Foto: Mara Fernandes

O cantor e compositor Zeca Baleiro esteve na última semana em Fortaleza, fazendo show ao lado no amigo Nosly. Por email, ele falou com o DISCOGRAFIA sobre a música maranhense e seus futuros planos.

DISCOGRAFIA Seu último lançamento foi Concerto, um disco acústico. Você transita sempre entre o acústico e o elétrico. O que você mais gosta em cada um desses estilos? Tem preferência por algum?
Zeca Baleiro – Não tenho preferência, gosto de transitar. Inclusive pela eletrônica – alguns discos meus já andaram por essa seara. Tudo me diverte.
 
DISCOGRAFIA Em paralelo, você lançou também o Trilhas. Como é seu processo de composição para trilhas sonoras?
ZB – Nesse caso a criação é um pouco mais “dirigida”, afinal está a serviço de outra obra, outro artista. Mas é igualmente instigante.
 
DISCOGRAFIA Os dois discos foram para comemorar seus 13 anos de carreira. De onde vem esse carinho pelo número 13?
ZB – Um pequeno fetiche, mas não chego aos pés do Zagallo.

DISCOGRAFIA Além do seu trabalho como cantor e compositor, você vem se exercitando como produtor. Embora não seja uma novidade, o que tem achado da experiência? Qual é a marca do Zeca produtor?
ZB – Produzi cerca de 16 discos de outros artistas, além de alguns meus próprios. É uma experiência bem particular também, é ficar um pouco do outro lado, dirigindo os trabalhos, cortando alguns excessos, permitindo outros. Gosto muito. 
 
DISCOGRAFIA  Você também está à frente da Saravá Discos, que já lançou disco de Antonio Vieira e Chico Lobo, por exemplo. Como tem sido o trabalho do selo? Que outros projetos você tem em mente para o selo?
ZB – Estamos lançando esta semana o disco Sinceramente, último trabalho do Sergio Sampaio, compositor capixaba morto em 94. Para o ano devemos pensar em algo, mas agora estou bem centrado no meu novo disco de inéditas, que quero lançar no início do ano.
 
DISCOGRAFIA – Queria que você falasse especialmente de dois trabalhos da Saravá: o Cruel, do Sérgio Sampaio, e o do Tiago Araripe.
ZB –
 O Cruel é um disco póstumo, era um grande desejo do Sergio registrar sua última safra de composições, mas ele morreu em 94, aos 47 anos, sem realizar tal projeto. A ex-mulher dele, a Angela, me deu um material que ele tinha deixado e eu continuei. Foram três anos de trabalho árduo, recuperando dats, cassetes, gravações esquecidas e algumas sem qualidade. E o Cabelos de Sansão é uma jóia do cearense Tiago Araripe, foi meu disco de cabeceira por anos e nunca havia sido lançado em CD. Nos tornamos amigos e parceiros e amadurecemos a idéia de lançá-lo em CD. Foi um pequeno grande acontecimento. Esse disco pra mim é histórico.
 
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=L7GguWHTFqU[/youtube]

DISCOGRAFIA – Outro lançamento recente seu foi a caixa Vida é um souvenir made in Hong Kong. Como nasceu esse projeto?
ZB –
 Esse projeto não é meu, mas do André e da Graça, responsáveis pela Editora da Universidade Federal de Goiás, que criaram uma coleção de arte e me convidaram pra lançar esse livro. O projeto gráfico é de Roger Mello, e é uma obra prima.
 
DISCOGRAFIA – Este trabalho é crítica à sociedade de consumo e à relação arte e produto. O que você pensa sobre o assunto?
ZB –
 Na verdade esse livro é um recorte do meu trabalho, com ênfase nas letras mais ácidas e críticas. Tudo que penso sobre isso está lá, temo ser repetitivo.
 
DISCOGRAFIA Entre tantos projetos e caminhos, você também lançou um livro, Bala na agulha. O que acha da experiência de escritor?
ZB –
 Desafiadora. É muito diferente escrever em prosa, é uma perspectiva bem distinta da canção. Mas foi e tem sido um exercício muito enriquecedor.

DISCOGRAFIA – Ainda falando sobre o escritor Zeca Baleiro, suas letras misturam referências bem plurais da arte culta e pop. Gostaria de saber sobre sua formação. O que gosta de ler, ouvir, assistir, fazer, etc.
ZB –
 Em verdade, tudo. Sempre fui aberto a todo tipo de referência, e isso talvez seja um pouco responsável pelo caldeirão em que minha música se transformou. Sou um grande curioso, e a curiosidade é o primeiro ímpeto da criação artística.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=Fykmo4Gr7sA&feature=related[/youtube] 
DISCOGRAFIA – No início da sua carreira, você fez uma turnê com Moska, Lenine, Chico César e Marcos Suzano. Foi feito algum registro desses shows? Já pensaram em lançar um trabalho coletivo? Como andam suas parcerias com esses artistas/amigos?
ZB –
 Tem um registro da TV Cultura, mas o áudio não é muito bom. Não vejo muito sentido em lançar isso agora, são contextos muito diferentes. Mantenho parceria com Chico e a amizade com Paulinho, os outros pouco vejo.
 
DISCOGRAFIA – Seu show em Fortaleza vai contar com a participação do Nosly, seu parceiro. Queria que você falasse sobre o trabalho desse seu conterrâneo.
ZB –
 Nosly foi o primeiro grande responsável por minha música sair do quarto e ir pra rua. Somos amigos de infância e aprendemos violão mais ou menos na mesma época. Ele era atirado e eu tímido, e me convenceu a participar de festivais, e até mesmo de fazermos um show juntos, o “Umaizum”, que foi o começo de tudo. Continuamos parceiros e amigos até hoje.
 
DISCOGRAFIA – Como você vê a música maranhense da atualidade? Você se vê como uma influência para os novos artistas?
ZB –
 Acho que na idade em que estou, já sou sim uma referência pros mais jovens. Espero que boa rs. A produção musical de lá é muito rica. A realidade política é que é tenebrosa, e isso emperra qualquer progresso.
 
[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=wpuXPJDhFPA[/youtube]

DISCOGRAFIA – Do início da sua carreira até hoje, você já esteve ao lado de artistas novos e consagrados, como Gal Costa, Cyz e Pedro Joia. Algum dos convites que você recebeu foi uma surpresa pra você? Com quem ainda gostaria de dividir o microfone?
ZB –
 O da Gal foi incrível, uma grata surpresa. Já colaborei com muita gente e isso é algo que me agrada muito. Gosto muito do CD/DVD que fiz com Fagner e com a colaboração preciosa do Fausto Nilo, por exemplo. Mas adoro alargar o time de parceiros sempre. 
 
DISCOGRAFIA – Em meio a tantas atividades, como faz pra escolher as prioridades?
ZB –
 É a coisa mais difícil pra um ariano hiperativo como eu. Mas vou administrando.
 
DISCOGRAFIA – Quais são seus planos atualmente?
ZB –
 De imediato produzir esse novo trabalho. Em paralelo continuo com o Baile do Baleiro, uma festa-celebração à música brasileira que sempre faço, recebendo convidados. E ainda tem alguns projetos na agulha – um cd infantil, um de brega e outro de sambas.