Discografia

Entre a beleza e a mesmice, Dan Torres lança seu quinto trabalho, Bring it around

Revelado em 2004 pelo programa global Fama, Daniel (Dan) James Edward Torres nasceu em Londres, mas veio para o Brasil em 2003. Bom cantor de veia fortemente pop, ele já gravou um punhado de canções para trilhas de novelas, lançou quatro disco e ficou por isso mesmo. Três anos depois do seu último trabalho, ele volta com Bring it around (I! Produções). São 11 canções em inglês escritas pelo próprio Dan Torres, que estreou em disco ao lado da companheira de Fama Cídia. Ao longo dos 41 minutos do novo trabalho o que se ouve é um pop bem arranjado, redondinho, mas com aquela velha sensação de que você já ouviu em algum canto. Apesar da capa produzida por Ismael Lito e Tarik Ventura trazer refeências a Londres e Rio de Janeiro (a foto do cantor inclusive lembra muito o primeiro disco americano de Tom Jobim), Bring it around traz quase nada de brasilidade. São canções de criatividade rala, com fortes tendências radiofônicas (o que não é necessariamente um defeito), muito bem produzidas por Nani Palmeira e pelo próprio Dan, mas que em nada se difere de boa parte do que está tocando nas rádios atuais. Repito, o cara canta bem e o disco traz momentos bonitinhos como We’ll make it happen. Não, gente, “bonitinho” não é irmão de feio. É apenas sem nenhuma surpresa. O fato é que as referências ao que já está por aí são muito grandes. A little bit more, por exemplo, poderia estar num disco do Jack Johnson, enquanto Someone to love parece tanto com Free as a bird, faixa póstuma dos Beatles, que deveria pagar direitos autorais ao Fab Four. Segundo o release que apresenta o disco, as duas últimas faixas – It’s just the blues e I want love – mostram um lado mais rock’n’roll de Dan. De fato, a primeira traz um solo de guitarra honesto feito por Ricardo Marins. Mas fica nisso.