Discografia

McCartney em tons de azul

Levante a mão quem nunca ouviu uma música dos Beatles. Alguém? Deve ser realmente difícil acreditar que exista algum terráqueo minimamente ligado em música que nunca tenha ouvido uma canção ou versão da obra do FabFour. Foram apenas 13 discos (mais alguns compactos) em menos de 10 anos, mas que foram suficientes para mudar de vez os rumos da música.

Embora esse repertório nunca saído do set list das carreiras solo de John, Paul, Ringo e George, com o fim da banda, cada um foi para o seu lado fazer o que bem quis. O conforto do Olimpo permitiu isso. E permitiu também trilhar caminhos e sonoridades além do rock. E é isso o que Paul McCartney fez no recente Kisses On The Botton.

Em seu 15º trabalho fora do quarteto, o ex-beatle pisa seguro no terreno do jazz, se cercando de 12 temas menos conhecidos do gênero. Como se trata de um disco de Paul McCartney, a proposta não poderia ser tão simples. Por isso, a banda que o acompanha conta com Diana Krall no piano e John Pizzarelli na guitarra. É pouco? Pois ele ainda incluiu duas composições próprias, My valentine e Only our hearts, que entram no clima aveludado de Kisses on the botton. Pra completar, essas faixas trazem Eric Clapton na guitarra e Stevie Wonder na gaita.

Diferente do que fez Ringo Starr em Sentimental Journey (1970), Maaca prima por uma seleção menos popular, tirada principalmente da sua memória afetiva, como ele explica no encarte. It’s only a paper moon e Home (when shadows fall) fizeram fama na voz de Nat King Cole. Velha companheira de Paul e John, Bye Bye blackbird também foi gravada por Ringo.

Apesar da breve polêmica do título do título (Kisses on the botton pode ser Beijos nas flores ou no traseiro), McCartney se mostra um crooner apaixonado e inspirado no novo disco. Cantando com maciez, ele não pretende mudar de rumo e até já prometeu novo disco roqueiro para esse ano. E mais, depois de duas vindas recentes ao Brasil, uma nova está programada .