Discografia

Marcelo Camelo leva show intimista ao Dragão do Mar

Por Raphaelle Batista

 

Querido do público fortalezense desde os tempos de Los Hermanos, o cantor, compositor e multi-instrumentista Marcelo Camelo reencontra os fãs, hoje, com a turnê Violão e Voz. Mais intimista, o show mescla músicas da banda, como Casa Pré-Fabricada e Samba a Dois, em roupagem, digamos, germinal; com canções de seus trabalhos solo – Sou (2008) e Toque Dela (2011). Acompanhado apenas do rabequista Thomas Rohrer em algumas canções, Camelo disse ao O POVO, em entrevista por email, que o trabalho é “uma coisa diferente de qualquer outra que tenha feito”.

O POVO – Como surgiu o interesse por fazer uma turnê tocando suas músicas apenas no formato voz e violão?

Marcelo Camelo – Toco essas músicas há muitos anos neste formato. Quase todas elas foram compostas no violão, algumas têm características próprias quando tocadas nele. Por causa disso, eu sempre tive essa vontade de mostrar estas músicas assim. Procuro escolher as que ficam legais no violão.

OP – Em quais aspectos você acha que a apresentação ganha com a adoção desse formato? E em quais perde?

MC – Algumas músicas foram feitas para se tocar com banda. Essas, salvo algum caso, eu não trago pro show. Procurei montar um repertório que trouxesse essas particularidades e que se justificassem sem a referência do primeiro arranjo gravado.

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OPDepois dos Los Hermanos, seus trabalhos solo têm sido mais intimistas, apesar de acompanhados por uma banda, a Hurtmold. Essa turnê, em que apenas uma rabeca é complemento em algumas músicas, é uma continuação desse rumo que seu trabalho vem tomando?

MC – Não vejo assim. O show de banda tem muito pouco em comum com este. Vejo este show como uma coisa diferente de qualquer outra que tenha feito.

OPNeste show, você canta músicas suas que passaram por releituras de outros artistas, como Erasmo Carlos, Maria Rita , Roberta Sá etc. Chega a ser uma versão da versão ou é mais uma volta às canções em suas formas originais?

MC – As músicas existem neste formato, foram feitas assim e eu as toco assim desde sempre. Versões delas é o que eu faço com as bandas. Cada versão deveria ter sua força de expressão justificada por si mesma.

OPVocê disse, na entrevista ao jornalista Marcus Preto, no projeto Grandes Artistas da revista Cult, que “a palavra é limitante. Eu tento fazer uma música que ocupe esse lugar (que a palavra não alcança)”. Como é o seu processo de composição? O que mudou, nesse processo criativo, de quando você começou em comparação a hoje? Como nascem essas músicas que querem preencher um lugar que a palavra não consegue?

MC – Essa angústia da ineficácia da comunicação entre indivíduos de qualquer espécie é o mote pra todas as histórias do mundo. Acho que o ato de recompor estes signos vai estar sempre ligado a sua ineficiência em certos aspectos do que ela deseja representar. Isso está por detrás dos meus gestos não na frente do que faço.

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OP – Comumente, você é apontado como poeta-compositor – dada a carga lírica de suas letras – e já escreveu crônicas, poemas. O que acha dessa atribuição? Você pensa a música como poesia? Quais referências literárias você percebe na sua música? Ainda escreve de outra forma que não em forma de música?

MC – Eu me interesso pelos sentidos. O que eu faço tem a ver com ampliar a capacidade de metáforas do senso comum. Aumentar as ligações não necessariamente entre palavras e ideias, mas entre sentimentos.

OP – Além da relação afetiva com Mallu Magalhães, você também tem uma relação profissional, de troca e identificação musical, bastante forte com ela. Tanto que produziu o elogiado Pitanga. Como foi a experiência de produzir esse álbum? Você gosta, pretende enveredar por esse lado de produtor musical?

MC – Eu gosto de estar com pessoas de quem eu gosto e admiro. Não faria, podendo escolher, como ofício porque é muito desgastante e trabalhoso e consome muito de quem se propõe a fazer.

OP – Recentemente, você fez uma turnê internacional. Como foi a experiência de tocar para um público estrangeiro, que não conhecia seu trabalho como o público brasileiro?

MC – Onde se vai há o povo brasileiro que abraça, né, os conterrâneos, mas agora na Alemanha fiz este show de voz e violão e havia muitos alemães. Eu fiquei surpreso de perceber o quão bem isso funciona.

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OP – Também não faz muito tempo que você esteve em Fortaleza em turnê com a banda Los Hermanos, que, apesar dos apelos do público, não voltou definitivamente (Há chances?). Como foi o reencontro com os parceiros da antiga banda e com o público, ainda tão fã dessa formação? Há projetos com eles?

MC – Foi lindo. Nós amamos muito e foi muito gostoso estar por lá (aqui). Não temos nenhum plano de reencontro em show ou disco.