Discografia

Lisa Ono mantém a bossa no recente Brasil

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mucd1296LisaOno_brasilJá vem de bastante tempo que Lisa Ono reivindica sua importância para a música brasileira. Paulistana de nascimento, a cantora, compositora e violonista foi cedo para o Japão, onde construiu uma carreira sólida à base de muita Bossa Nova (seu pai foi empresário do mestre Baden Powell). Como é sabido que o japoneses são alguns dos grandes fãs da combinação banquinho e violão, ela meio que assumiu o posto de embaixadora da bossa na terra dos sol nascente. Por outro, o país que pariu essa mesma bossa nunca deu grande importância para a artista de 52 anos. Fã de João Gilberto (igual a todo mundo que se liga em boa música), ela já participou de muitos projetos coletivos, cantou com alguns mestres do gênero, mas ainda pode ir a um supermercado em Copacabana sem se preocupar com o assédio dos fãs.

Pois é esta Lisa Ono que chega agora com o álbum Brasil, lançado pela Universal. Produzido pela cantora ao lado do excelente Mario Adnet, o disco reúne 12 pérolas óbvias da bossa nova em arranjos que balançam entre o protocolar e o belo, sem muitos arroubos. Nada desponta ou compromete, o que não é de todo ruim. A voz da nipo-brasileira esbanja técnica, mas peca na emoção. Falta tempero, personalidade, novidade. Em resumo, trata-se de um trabalho mediano de um gênero que já foi apresentado nas mais curiosas variáveis (até misturado com heavy metal! Argh!!).

Um dos melhores momentos fica para as mudanças de tom em Tim dom dom, de João Mello e Codó. Essa e Bossa na praia, de Geraldo Cunha e Pery Ribeiro (creditado como Peri), são as duas menos repetidas de Brasil. As demais são joias batidas como Chove chuva, Upa neguinho e O cantador. Pra quem não tem muita intimidade com bossa nova, é um trabalho interessante, com boas canções e arranjos honestos. Pra quem coleciona Wanda Sá, Astrud Gilberto ou Elis Regina, Lisa Ono acrescenta muito pouco.