iMãe

Seu filho tem alergia alimentar? Informe-se aqui!

5784 90

Gente, o post de hoje traz um assunto sério e importante. Informações para as mamães e papais que têm filhos alérgicos e para todas as pessoas interessadas. A minha prima Sofia Bedê, mãe da Leila, que é alérgica, faz questão de deixar sempre a família informada sobre as alergias alimentares da Leila, manda e-mails e conversa muito. Assim, fica todo mundo por dentro do que a Leila pode ou não pode ingerir. Façam isso também!

Pois é, existe aqui em Fortaleza, a Associação dos Portadores de Alergia Alimentar do Ceará (APAACE) responsável por promover encontros, conversas e orientar famílias sobre alergia alimentar e muito mais. Eles mantém um grupo no facebook para debater o tema. Caso esteja interessado em participar clica aqui e pede para ser membro do grupo: Meu filho tem alergia alimentar.

Abaixo, publico uma cartilha cheia de informações importantes, com as principais dúvidas das mães e pais que enfrentam o problema. A cartilha foi elaborada pela especialista em Ciências de Alimentos, Daniara Pessoa e aprovada por Lúcia de Fátima Rabelo – Pediatra – Gastroenterologista – CRM 4770.

Dieta para portadores de alergia alimentar

ALERGIA ALIMENTAR

A Alergia Alimentar é uma Reação Adversa a determinado alimento. Envolve um mecanismo imunológico e tem apresentação clínica muito variável, com sintomas que podem surgir na pele, no sistema gastrintestinal e respiratório. As reações podem ser leves com simples coceira nos lábios até reações graves que podem comprometer vários órgãos. A Alergia Alimentar resulta de uma resposta exagerada do organismo a determinada substância presente nos alimentos.

O que é Reação Adversa a Alimentos? É qualquer reação indesejável que ocorre após ingestão de alimentos ou aditivos alimentares. Estas podem ser classificadas em reações tóxicas e não-tóxicas. As reações não-tóxicas podem ser de Intolerância ou Hipersensibilidade. Exemplo de reação não-alérgica são as reações por ingestão de alimentos contaminados por microorganismos. Estas se apresentam agudamente com febre, vômitos, diarréia e geralmente acometem várias pessoas que ingeriram os alimentos contaminados.

A Intolerância à Lactose é uma reação alérgica? A intolerância à lactose é uma desordem metabólica onde a ausência da enzima lactase no intestino determina uma incapacidade na digestão de lactose (açúcar do leite) que pode resultar em sintomas intestinais como distensão abdominal e diarréia. Esta intolerância geralmente é dose dependente e o indivíduo pode tolerar pequenos volumes de leite por dia ou se beneficiar dos leites industrializados com baixos teores de lactose. Portanto, a Intolerância à Lactose não é uma Alergia Alimentar apesar de frequentemente confundida pelos familiares e profissionais de saúde. Torna-se importante esta diferenciação, pois a orientação nutricional é distinta. Enquanto na intolerância à lactose, eventualmente, é possível ingerir pequenas quantidades de leite, na Alergia às proteínas do leite, a alimentação não deve conter leite ou derivados.

Quais os alimentos mais frequentemente envolvidos na Alergia Alimentar? Qualquer alimento pode desencadear reação alérgica. No entanto, leite de vaca, ovo, soja, trigo, amendoins e castanhas, peixe e crustáceos são os mais envolvidos. A sensibilização a estes alimentos (formação de anticorpos IgE) depende dos hábitos alimentares da população. O amendoim, os crustáceos, o leite de vaca e as nozes são os alimentos que com maior freqüência provocam reações graves (anafiláticas). Os alimentos podem provocar reações cruzadas, ou seja, alimentos diferentes podem induzir respostas alérgicas semelhantes no mesmo individuo. O paciente alérgico ao camarão pode não tolerar outros crustáceos. Da mesma forma, pacientes alérgicos a soja podem também apresentar reação ao ingerir a lentilha , a ervilha ou outros feijões e também frequentemente pacientes alérgicos a leite de vaca podem reagir a carne vermelha e leite de cabra.

E quanto aos corantes e aditivos alimentares? As reações adversas aos conservantes, corantes e aditivos alimentares são raras, mas não devem ser menosprezadas. O corante artificial tartrazina (FD&C amarelo#5), sulfitos e glutamato monossódico são relatados como causadores de reações. A tartrazina pode ser encontrada nos sucos artificiais, remédios, gelatinas e balas coloridas enquanto o glutamato monossódico pode estar presente nos alimentos salgados como temperos (caldos de carne ou galinha). Os sulfitos são usados como preservativos em alimentos (frutas desidratadas, vinhos, sucos industrializados) e medicamentos tem sido relacionados a crises de asma em indivíduos sensíveis.

Quais as principais manifestações clínicas da Alergia Alimentar? São mais comuns as reações que envolvem a pele (urticária, inchaço, coceira, eczema), o aparelho gastrintestinal (diarréia, dor abdominal, vômitos) e o sistema respiratório, como tosse, rouquidão e chiado no peito. Manifestações mais intensas, acometendo vários órgãos simultaneamente (Reação Anafilática), também podem ocorrer. Nas crianças pequenas, pode ocorrer perda de sangue nas fezes, o que vai ocasionar anemia e retardo no crescimento. Sintomas nasais isolados não são comuns.

O que é Reação Anafilática? É uma reação súbita, grave que impõe socorro imediato por ser potencialmente fatal. A Reação Anafilática pode ser provocada por medicamentos, venenos de insetos e alimentos. Na Alergia Alimentar, o alimento induz a liberação maciça de substâncias químicas que vai determinar um quadro grave de resposta sistêmica associado à coceira generalizada, inchaços, tosse, rouquidão, diarréia, dor na barriga, vômitos, aperto no peito com queda da pressão arterial, arritmias cardíacas e colapso vascular (“choque anafilático”).

Qual a importância da Alergia Alimentar na Dermatite Atópica? Segundo alguns autores, a Alergia Alimentar está presente em 38% das crianças com Dermatite Atópica moderada/ grave. A Dermatite Atópica se apresenta com um quadro de coceira de intensidade moderada a grave, irritabilidade, escoriações provocadas pelo ato de coçar a pele, ressecamento generalizado da pele e eczema simétrico nas dobras dos cotovelos e joelhos, pescoço, face e superfície extensora dos braços e pernas. Os alimentos mais envolvidos são o leite de vaca, ovo, soja e trigo.

Como tratar a Alergia Alimentar? Até o momento, não existe um medicamento específico para prevenir a Alergia Alimentar. Uma vez diagnosticada, são utilizados medicamentos específicos para o tratamento dos sintomas (crise) sendo de extrema importância fornecer orientações ao paciente e familiares para que se evite novos contatos com o alimento desencadeante. As orientações devem ser fornecidas por escrito visando a substituição do alimento excluído e evitando-se deficiências nutricionais até quadros de desnutrição importante principalmente nas crianças. O paciente deve estar sempre atento verificando o rótulo dos alimentos industrializados buscando identificar nomes relacionados ao alimento que lhe desencadeou a alergia. Por exemplo, a presença de manteiga, soro, lactoalbumina ou caseinato apontam para a presença de leite de vaca. Todas as orientações devem ser fornecidas aos pacientes e familiares.

Existe algum meio de prevenir a Alergia Alimentar? Algumas orientações devem ser dadas aos recém-nascidos de pais ou irmãos atópicos. O estímulo ao aleitamento materno no primeiro ano de vida é fundamental assim como a introdução tardia dos alimentos sólidos potencialmente provocadores de alergia. Recomenda-se aleitamento materno exclusivo até seis meses de idade , introdução dos alimentos sólidos após o 6º mês, o leite de vaca após 1 ano de idade, ovos aos 2 anos e amendoim, nozes e peixe, somente após o 3º ano de vida.
Fonte do texto: http://www.sbai.org.br/ – Associação Brasileira de alergia e imunopatologia

Iniciando e mantendo uma dieta de exclusão
1° Passo: – Procure um bom médico e um nutricionista que seja capaz de acompanhar, apoiar e orientar os pais sobre a dieta correta.
– Esteja munido de informações acerca da alergia alimentar. Tenha em mente que, uma dieta mal feita pode retardar a cura ou até mesmo prejudicar o desenvolvimento físico e intelectual da criança.

– Água fervente elimina apenas bactérias e microrganismos, proteínas permanecem nos utensílios formandos os ‘traços’, que impactam na dieta tanto quanto o próprio alérgeno. Portanto, todos os utensílios da criança devem ser substituídos: copos, pratos, talheres, mamadeiras, bicos, chupetas, formas, panos de prato, panelas e esponjas. A louça da criança deve ser lavada separada da louça da ‘casa’ sendo utilizada uma esponja somente para ela, evitando a contaminação cruzada.

– Lembre-se alergia é qualitativa e não quantitativa, portanto uma gota tem o mesmo efeito de um litro. Muito cuidado com traços, contaminações e escapadas. Eles podem retardar a cura e prejudicar a qualidade de vida do seu filho.

2° Passo: Reaprender a fazer compras no supermercado, sim reaprender, porque para pessoas sem restrições ir às compras pode ser simples, mas para pais de alérgicos muitos detalhes tem de ser observados:
– Leia atentamente TODOS os rótulos. Não há nenhuma lei obrigando aos fabricantes colocar mensagens sobre alérgenos presentes nos produtos. Na dúvida ligue no SAC da empresa para ter certeza que aquele alimento pode ser consumido. Lembre-se de perguntar sobre compartilhamento de maquinário entre produtos COM e SEM alérgenos, para as empresas uma simples ‘limpeza e higienização’ bastam, mas para os alérgicos não, os ‘traços’ que ficam fazem estragos.
– Para dieta de restrição a leite e soja: não compre frios e embutidos como salsichas, mortadelas, presuntos, pois TODOS levam proteína isolada de soja e alguns têm leite em sua composição.
– Para dieta de restrição a carne bovina: não compre frangos inteiros ou pedaços em açougues, pois podem estar contaminados com a carne vermelha, dê preferência aos congelados em bandejas de empresas ‘seguras’, ligue no SAC. Observe bem, pois muitas empresas têm a versão temperada do mesmo frango congelado, ocorrendo então os ‘traços de soja’. Evite também sorvetes, balas, jujuba, gelatina, geleia de mocotó, marshmellow, pois todos estes produtos contêm proteínas do soro bovino em seus ingredientes.
– Para dieta de restrição a proteína do trigo e glúten, já existe farinha de arroz no mercado, ligue no SAC e consulte sobre compartilhamento de maquinário e possíveis contaminações.
– Dê preferência a temperos naturais como: cebola, pimentão, alho, salsinha, cheiro verde, urucum. Os temperos prontos em tabletes possuem leite e/ou soja em sua composição.
– Cuidado com os ‘traços’ por compartilhamento de maquinário em doces como balas, bombons, pirulitos e chicletes, ligue sempre no SAC. Observe também que todos eles possuem corantes em sua composição o que os torna bem perigosos para alérgicos. Evite estas guloseimas para seu filho, atrapalha o apetite e estraga os dentes.
– Pão francês: nenhuma padaria é confiável, embora na massa do pão não leve leite ou margarina, as formas e maquinário utilizado são os mesmo para as demais versões de pão fabricado. E também ultimamente tem se utilizado farinha de soja na fabricação dos pães. Faça pão em casa, ou compre uma máquina de pão.
– Pipoca: utilize milho natural e faça em panela segura. Pipocas de micro-ondas existem em versões temperadas, portanto possuem soja ou leite e as pipocas de carrinho sempre terão os traços de leite por conta da margarina utilizada.
– Para crianças com reações cutâneas: verifique também rótulos de cosméticos, muitas empresas utilizam mel, proteína do trigo, leite e soja em sua composição, além dos corantes, grandes responsáveis pelos problemas de pele em alérgicos. Ligue no SAC para certificar-se destas informações e verifique com o médico o cosmético mais indicado para seu filho.
– Chocolates: Já existe no mercado marcas de chocolates sem leite, soja ou traços, geralmente encontrados em casas de produtos naturais, verifique sempre no SAC.
– Algumas crianças que estão extremamente sensibilizadas podem reagir ao alérgeno presente no ambiente como trigo, leite em pó, etc, sendo assim é necessária a exclusão do alérgeno por uns meses da casa.

3° Passo: Conviver com restrições não é tarefa fácil, mas pode ser simples se as pessoas aprenderem a compreender o outro dentro de suas possibilidades.
– A mãe que amamenta e está em dieta de restrição e a criança alérgica não podem comer fora de casa, restaurantes tem todos os seus utensílios contaminados, o óleo utilizado pra fritar a batata frita é o mesmo que frita bolinha de queijo, camarão e outros alérgenos.
– Faça bolos, salgados, doces, biscoitos e congele, quando tiver aniversário, festa ou comemorações fora do ambiente de casa, leve as guloseimas com vocês.
Sobre alimentação complementar
Amamentar exclusivo (sem chás ou água) até seis meses de idade. Na impossibilidade da amamentação, seguir o procedimento com fórmula especial hidrolisada ou de aminoácidos. Iniciar introdução de sólidos por alimentos leves, um a um, sem pressa por no mínimo 4 a 7 dias, pra observar reações, muitas crianças alérgicas a leite podem reagir a outros alimentos também. Dê primeiramente os legumes, ao iniciar frutas dê preferencialmente cozidas, após 15 dias de aprovadas, pode dar crua.

***

A APAACE está organizando dois eventos importantíssimos aqui em Fortaleza:

* II Caminhada “Eu não posso tomar leite”

Local: Aterro – Praia de Iracema. Data e Horário: 02/09,às 15:30.
OBS: compareça de camisa branca ou camisa APAACE.

* Rodas de Conversa
A APAACE sabe que conviver com a APLV não é tarefa fácil, preocupada com a angústia de cada família, iremos criar um momento para dividir nossas aflições, tirar nossas dúvidas e escutar histórias de cura.
O primeiro encontro será no dia 18/08 às 15h.
Precisamos de duas mães novatas para contribuir com sua história.
Inscrições por e-mail ou telefone.
Contato:(85) 8803 2104 – contatoapaace@yahoo.com.br

Recomendado para você