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Filme sobre atletas paralímpicos brasileiros estreia em junho nos cinemas

 

filme paratodos

Fernando Fernandes, campeão mundial de paracanoagem: personagem de Paratodos

Com estreia prevista para junho nos cinemas, o longa metragem Paratodos, do diretor Marcelo Mesquita, ganhou seu primeiro trailer oficial:

 

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=qM1pm8gaNfA[/youtube]

 

O filme  mergulha no cotidiano de alguns dos principais atletas paralímpicos brasileiros para investigar os bastidores do esporte de alta performance e discutir a inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. A produção é da  Sala 12 Filmes, co-produzido pela Barry Company e distribuído pela O2 Play.

 

O filme acompanha quatro equipes paralímpicas: natação, atletismo, canoagem e futebol, em um intervalo de quatro anos (2013 – 2016) com o objetivo de documentar a superação e os limites de cada atleta, a luta por vitórias, recordes e medalhas, que além de levantar e emocionar plateias mundo afora pelo alto nível das performances, desperta a atenção em torno de um tema latente: a necessidade de um diálogo pela inclusão do deficiente físico na sociedade brasileira.

 

Os personagens:


Alan Fonteles: é recordista mundial dos 100m e 200m no atletismo. Nos Jogos Paralímpicos Londres 2012, o atleta superou Oscar Pistorius, o único atleta da história a competir em igualdade entre os ditos regulares e paralímpicos, e conquistou o ouro nos 200m rasos. Sua luta pela vida começou cedo. Com apenas 21 dias de vida, teve as pernas amputadas depois de uma infecção. Começou a correr com oito anos depois de assistir ao ídolo Robson Caetano nas pistas. O menino que se apresentou utilizando próteses rústicas e indevidas ganhou do paratleta brasiliense Rivaldo Martins e passou a utilizar as lâminas especiais que o fizeram correr rumo ao sucesso. Porém, em 2014, passou a faltar em treinos, ganhou peso e até foi afastado da seleção pelo CPB. Ainda assim, no último ano, ele batalhou, voltou a participar de provas e já se consagra como grande aposta para as paralímpíadas do Rio 2016.

Daniel Dias: é nadador recordista brasileiro, com 15 medalhas em Jogos Paralímpicos. Ele recebeu o troféu Laureus, vulgo “Oscar do Esporte”, como Melhor Atleta com Deficiência em 2009 e em 2013. Apenas quatro outros brasileiros receberam este prêmio: Pelé, Ronaldo Fenômeno, Bob Burnquist e Raí. Daniel nasceu com 37 semanas de gravidez, 1,970kg e 41cm, em Campinas. Logo descobririam o motivo de números baixos: má formação congênita dos braços e perna direita. Mas isso nunca impediu que a criança participasse das peladas com os amigos, com uma pequena diferença: ao invés de quebrar perna, quebrava prótese. O tempo passou e com seus 16 anos, o campo deu lugar às piscinas. Hoje o nadador já tem conquistas suficientes para estar entre os maiores do esporte brasileiro.

Fernando Fernandes: atleta tetracampeão mundial de paracanoagem. Levava a vida como modelo, treinava boxe, participou do Big Brother, estudou teatro, morou no Rio de Janeiro, cursou educação física, fez fotos para Vogue e Dolce & Gabanna. Até que no dia 04 de julho, quando voltava para casa após uma partida de futebol, sofreu um acidente, que lhe causou lesões medular e cerebrais. Perdeu o movimento das pernas. Durante um período de fisioterapia em Brasília, o atleta descobriu a modalidade que o consagraria no mundo todo: paracanoagem. Voltou a viver em São Paulo para adquirir conhecimento e se aprimorar no esporte. Fernando tornou-se um vencedor na canoagem paralímpica: tricampeão sul-americano, tetracampeão mundial, bicampeão panamericano, pentacampeão brasileiro e campeão da Copa do Mundo. E o atleta quer mais: voltar a andar e a medalha nos Jogos Paralímpicos Rio 2016.

Ricardinho: é o melhor jogador do futebol de cinco da atualidade. Um atleta paralímpico brasileiro que depois de dois anos lutando contra um problema na visão, ficou cego aos oito anos de idade. Na época, pensou ser o fim do seu sonho de ser jogador. Hoje, é craque no futebol de cinco.Nas escolinhas do Santa Luzia, em Porto Alegre, o atleta reencontrou o futebol e já era destaque aos 12 anos, quando atuava contra meninos de 15, 16 e 17. Aos 15, ele foi selecionado para a seleção brasileira e um ano depois, foi eleito melhor jogador do Mundial. Em 2010, foi campeão e, daí em diante, sua carreira só melhorou. Ele treina em dois turnos, com ênfase na preparação física e no aprimoramento técnico. Acredita que ter enxergado antes ajuda na sua performance.

Susana Schnarndorf: é a única atleta da delegação paralímpica brasileira a ter representado o Brasil tanto entre os convencionais, antes de sua doença se manifestar, quanto entre os paralímpicos. Até os 30 e poucos anos, ela era uma das principais triatletas brasileiras, tendo participado de 13 edições Iron Man e vencido alguns deles. De um dia para o outro, esta pessoa que possuía um corpo perfeito cai na cama com uma doença degenerativa muscular gravíssima, uma espécie de Parkinson raríssimo combinado com outras moléstias. Através da natação, ela recupera parte de seus movimentos e volta a competir, vencendo uma medalha de ouro no mundial de natação no Canadá. Atualmente, Susana, que luta contra a doença que progressivamente diminui sua capacidade motora e intelectual para poder representar o Brasil nos jogos, precisa ser reclassificada para continuar competitiva e obter índices para participar da grande competição.

Terezinha Guilherminaé a velocista cega mais rápida do mundo. Nos Jogos Paralímpicos Londres 2012, ao completar aconsiderada prova rainha das corridas de velocidade (a dos 100m) em 12’01”, garantiu seu lugar no livro dos recordes. Mineira, de origem pobre, formada em psicologia depois de adulta, colecionadora de prendedores de cabelo, ela descobriu apenas aos 16 que que nasceu com retinose pigmentar, doença congênita que provoca perda gradual da visão. Antes, acreditava que era assim que todo mundo enxergava. Dos seus 12 irmãos, cinco também têm deficiência visual. Quando está competindo, ela diz que se sente uma “artista” diante da possibilidade de apresentar ao mundo aquilo que mais sabe e gosta de fazer: correr. Veterana, deseja que 2016 seja o ano de sua vida profissional, para, em seguida, alcançar seu ápice como mulher: ser mãe.

Yohansson do Nascimento: nasceu sem as duas mãos, fato que não o impediu de agarrar com força as chances que a vida lhe reservava. Aos 17 anos, entra em contato com o atletismo. Aos 21, recebe sua primeira medalha paralímpica. Ele é um exemplo de esportista. Obstinado por treinos, ele se sobressai pelos resultados: vencedor de quatro medalhas paralímpicas em duas edições diferentes dos jogos, e se destaca também pela alegria, pela simpatia, pelo carisma que possui. Em Londres, protagonizou uma cena que ficou imortalizada na historia dos Jogos, após vencer os 200 metros, ele pegou um cartaz e pediu sua noiva em casamento em plena pista.

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