Plínio Bortolotti

Razão & destruição

HÉLIO RÔLA: Imagem a partir de foto de desenhos, anotações e lembretes em uma lousa branca uma superfície virgem de risco de onde, em princípio tudo pode surgir?

Do artista plástico Hélio Rôla, recebo mais esta Rolanet, com sua arte e texto de Michel Serres, que segue abaixo:

“O turismo é uma guerra vulgar movida contra as pessoas, a paisagem e o sossego…. é preciso estatuir acerca dos vencidos, escrevendo o direito dos seres que não o tem. Pensamos o direito a partir de um sujeito de direito, cuja noção progressivamente se ampliou. Não era qualquer um que outrora tinha acesso a ele: a Declaração dos direitos do homem e do cidadão deu a possiblidade a todo homem em geral de ter acesso a este estatuto de sujeito de direito. O contrato social então se completava, mas encerrava-se em si, deixando fora o mundo, enorme coleção de coisas reduzidas ao estatuto de objetos passíveis de apropriação. Razão humana maior, natureza exterior menor. O sujeito do conhecimento e da ação goza de todos os direitos e seus objetos, de nenhum. Ainda não tiveram acesso a nenhuma dignidade jurídica. Isto porque, desde então, a ciência tem todos os direitos. É por isso que necessariamente entregamos as coisas do mundo à destruição… Exclusivamente social, nosso contrato se torna mortífero para a perpetuação da espécie, sua imortalidade objetiva e global” [Michel Serres, em  “O Contrato Natural” Ed. Nova Fronteira.]

Sobre a arte que ilustra a postagem, Hélio Rôla escreveu: “Imagem a partir de foto de desenhos, anotações e lembretes em uma lousa branca uma superfície virgem de risco de onde, em princípio tudo pode surgir?”