Plínio Bortolotti

“O clube da repercussão”, do qual a revista CartaCapital é excluída

Meu artigo publicado na edição de hoje (16/8/2012) do O POVO.

Arte: Hélio Rôla (clique para ampliar)

O clube da repercussão
Plínio Bortolotti

Parece haver uma política de dois pesos e duas medidas na política que os jornais do Sul e Sudeste adotam para “repercutir” notícias publicadas por concorrentes. Uma das acepções de “repercutir”, no jargão jornalístico, é quando um jornal reproduz os pontos principais de reportagem publicada por outro veículo e aprofunda (ou não) as investigações.

Mesmo com questionamentos às frágeis apurações que sustentaram algumas matérias de Veja, muitos jornais reproduziram em grosso e a granel “reportagens” publicadas pela revista. Um dos exemplos, o fantasioso caso dos três milhões de dólares, que teriam sido enviados (acondicionados em caixas de uísque) pela alquebrada Cuba, para reforçar as finanças do PT (em 2005). Não havia provas, apenas especulações, mesmo assim a “reportagem” foi “repercutida” amplamente.

No entanto, algumas publicações, como a revista CartaCapital, ficam fora do clube dos “repercutíveis”. No caso do mensalão mineiro do PSDB (1998), por exemplo, a revista produziu várias matérias antes que o caso supurasse, mas fez-se silêncio nos outros terreiros. Mais recentemente, a CartaCapital divulgou que o ministro Gilmar Mendes teria recebido dinheiro do “valerioduto tucano” – e o assunto ficou circunscrito à revista.

Na edição desta semana, a CartaCapital publicou gravação em que o diretor da sucursal da revista Veja em Brasília, Policarpo Júnior, pede para Carlinhos Cachoeira levantar “umas ligações” de um deputado de Goiânia. O “contraventor” se põe à disposição. (Já faz algum tempo que a CartaCapital vem insistindo que Policarpo teria relação mais íntima com Cachoeira do que simplesmente a de um jornalista com sua fonte.) O silêncio no restante da imprensa também impera nesse caso.

Seria indevido condenar, de plano, Mendes ou Policarpo, mas se poderia esperar que os demais veículos de comunicação – rápidos no gatilho em outros casos – pelo menos investigassem o que CartaCapital publica, nem que fosse para desmenti-la.

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