Sincronicidade

Fátima, a caminho da reconciliação (II)

fatimaTreze anos depois dos acontecimentos de 1917, o bispo de Leiria, depois de lhe ser apresentado o relatório final da comissão canônica (lido, discutido e aprovado, a 13 e 14 de Abril de 1930) (DCF II, 159-260), pela “Carta pastoral sobre o culto de Nossa Senhora de Fátima”, de 13 de Outubro de 1930, declarava “dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria, freguesia de Fátima” e permitia “oficialmente o culto a Nossa Senhora de Fátima” (DCF II, 261-276).

Luciano Cristino

[Azevedo, Carlos A. Moreira; Cristino, Luciano (Coordenadores). Enciclopédia de Fátima. Estoril, Portugal: Princípia, 2007, artigo: Culto de Nossa Senhora de Fátima no mundo, p. 160.]

A história das aparições ocorridas em Fátima, Portugal, começa em 1916. No início desse ano, três crianças oriundas de uma família de camponeses, Lúcia dos Santos, de 8 anos de idade e dois primos mais novos, Jacinta e Francisco Marto pastoreavam algumas ovelhas em Chousa Velha, a leste do monte Cabeço, local situado próximo a Fátima. Num determinado momento, perceberam por diversas vezes a formação de uma nuvem muito branca. Surpresos, vêem aparecer na nuvem um jovem de grande esplendor, aparentando ter entre 14 e 15 anos. O jovem se dirige às três crianças com estas palavras: “Não temam, sou o Anjo da Paz. Rezem comigo”.

No ano seguinte, num domingo, dia 13 de maio, as mesmas três crianças se encontravam pastoreando as ovelhas no local chamado Cova da Iria. Por volta do meio dia, foram surpreendidos pela aparição de uma bela Senhora sobre a copa de uma azinheira. Conforme algumas fontes, a Senhora, ao se dirigir às crianças, teria dito: “Não tenham medo, não lhes farei mal”. Coube a Lúcia indagar à Senhora quem era ela, tendo recebido a resposta: “Sou do Céu”. Formulou-lhes, então, três pedidos: que fossem àquele mesmo local todo dia 13, sempre à mesma hora; que aprendessem a ler e escrever e que rezassem o terço todos os dias pela paz no mundo e o fim da guerra. Então, abrindo as mãos, fez descer um grande raio de luz sobre as crianças, sumindo, a seguir, em direção ao céu, que se abriu para receber a encantadora Senhora. As aparições, conforme o prometido, se sucederam até outubro, sempre no dia 13, com exceção do mês de agosto, que ocorreu no dia 19, em Valinhos, pois no dia 13 as crianças tinham sido confinadas pela polícia.    

As aparições de Nossa Senhora em Fátima têm sido objeto de estudo e controvérsias ao longo de décadas. Desde o início, esteve envolta em muita polêmica. As três crianças que tiveram o privilégio das visões muito

Jacinta, Francisco e Lúcia

Jacinta, Francisco e Lúcia

sofreram, sendo que duas delas, Francisco e Jacinta, conforme predito durante as aparições, faleceram pouco depois das hierofanias que tiveram lugar na Cova da Iria: Francisco faleceu em abril de 1919, aos dez anos, e sua irmã Jacinta, em 1920, aos nove anos.

A morte dos pequenos pastores havia sido predita durante a terceira aparição. Nessa mesma ocasião, pressionada pelo grande número de pessoas que já se aglomerava em torno das crianças, Lúcia fez um pedido: “Desejo pedir-lhe para nos dizer quem é e para fazer um milagre a fim de que todos acreditem que apareceu para nós”. A esse pedido, teria respondido que as crianças continuassem indo àquele lugar todos os meses, pois em outubro ela faria um milagre em que todos haveriam de acreditar, e revelaria quem era e o que queria.

No dia 13 de outubro, próximo ao meio-dia, uma grande multidão já se aglomerava em torno das crianças na Cova da Iria. Todos estavam ali ansiosos por presenciar o milagre prometido. Logo mais seria registrado um dos fenômenos mais controvertidos da histórias das aparições marianas. Deste episódio tratarei no próximo sábado.