Sincronicidade

Meditações sobre o rosário

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Passaram-se vagarosos anos, Maria, mãe querida, e cada traço no rosto ou grisalho no cabelo representava um gesto de gratidão pelos dons da existência que se contavam como conquistas e sonhos de vitória, com a doçura alegre do dever cumprido e da missão realizada. Com o rosário nas mãos, nesses serenos anos, entendo cada vez com maior nobreza que minha vida foi um projeto divino no mundo, e que caminhar sob o teu olhar místico e maternal significa a maior felicidade do mundo.

Pe. Antônio Sagrado Bogaz

[Bogaz, Pe. Antônio Sagrado. Nos passos de Maria: para meditar o rosário a cada dia. – São Paulo: Paulinas, 2003, p. 10. – (Coleção um mês com…)]

Qualquer livro sobre a Virgem Maria me interessa. Uma vez que, conforme a máxima já popularizada entre os mariologistas e que serve de título a esta categoria do Sincronicidade, de Maria nunca se disse o suficiente, parto do pressuposto de que o simples fato de um livro tratar da Virgem Mãe já constitui motivo suficiente para que eu o adquira, pois seguramente encontrarei em suas páginas uma ou outra informação que eu não tinha ainda.

Apesar disso, há alguns livros sobre Maria que são especiais. É o caso deste que hoje apresento aos leitores deste blog. Ele é especial não apenas pelas informações nele hauridas, mas porque sua leitura constituiu para mim fonte e motivo para uma graça especialíssima, de valor inestimável mesmo para a minha vida.

Refiro-me ao livro Nos passos de Maria: para meditar o rosário a cada dia, escrito pelo Padre Antônio Sagrado Bogaz, sacerdote orionita. Devo dizer que quando o vi ele já me despertou particular interesse por tratar de um tema muito ligado à mariologia e pelo qual tenho particular apreço: o rosário. Tenho obtido tantos resultados pela recitação do rosário, que gostaria imensamente de um dia escrever uma obra tratando do assunto.

Na Apresentação que o Frei Márcio Couto escreveu para o livro, ele explica o que é o projeto de um itinerário de fé e de oração, proposta que o autor teve em mente ao redigir a obra:

O projeto desse ‘itinerário de fé e de oração’ é simples: seguir os passos de Maria para contemplar a alegria, a luminosidade, a dor e a glória do Filho de Deus, nascido de Maria e concebido pelo Espírito Santo. Com Maria, estamos seguros de realizar um itinerário de crescimento espiritual. As meditações são tiradas das mais belas páginas marianas de santo Agostinho, são Bernardo, santa Catarina de Sena, Isabel da Trindade e sobretudo dos poemas à Virgem Maria de José de Anchieta. Que os poemas que ele escreveu nas areias silenciosas sejam inscritos em nossos corações para sempre. E completa: Durante um mês, vivamos a cada dia um pouco do mistério de nossa fé, presente no rosário (p. 7).

A condição primeira para seguir esse itinerário – que tem como resultado principal o acesso ao conhecimento do projeto que Deus tem para cada um de nós, Seus filhos -, está posta de forma paradigmática no SIM de Maria diante do Anjo, relatada em Lucas 1,26-38. Escreve o Pe. Antônio Bogaz:

Maria entrou no coração da Trindade ao acolher a voz viva e verdadeira do Espírito Santo. O Espírito Santo, emanação da Trindade divina, trouxe ao mundo o Verbo de Deus. Com o jeito de Deus, que nunca impõe, mas sempre pede licença para entrar em nossas vidas, o Espírito Santo, por meio de um mensageiro divino, pediu a Maria que abrisse as portas do mundo para que o Salvador pudesse participar da reconstrução do reino de Deus. O SIM de Maria é o modelo de abertura a Deus para todos os seguidores de seu Filho. E, como Maria, todos os fiéis podem ser consagrados por Deus e para Deus para sempre (p. 16).

A cada um dos 31 textos que compõem o livro – um para cada dia do mês -, o autor pospõe uma oração e um compromisso. Transcrevo, para concluir, uma das orações de que mais gostei – na verdade, para dizer com todas as letras, para mim a mais ESPECIAL de todas. Ei-la:

Oremos

Mãe do amor, minha mãe, mãe do Redentor!

Tu foste escolhida por Deus para receber a visita do anjo Gabriel. Ele se aproximou de ti, enchendo de graças o teu coração, pois tu tinhas um coração solícito à luz do Espírito Santo.

Foi assim que ele te chamou pelo nome e te consagrou para sempre. A tua perturbação manifestava tua humildade e não tua dúvida, pois não te consideravas digna de tão grande honra diante de Deus e da humanidade.

A luz divina penetrou em tua vida como a luz da manhã penetra a neblina da noite e ilumina todas as coisas. Com a delicadeza de um vento suave, o sopro divino do Espírito Santo fecundou em teu ventre o Filho de Deus, como uma chama de fogo divino que incendeia toda a humanidade. Somente tu em teu silêncio reconheceste a graça divina que inundou teu ventre como um rio inunda o deserto e o torna verdejante.

Ensina-nos a humildade, mãe do Salvador, para que o sopro divino penetre em nossas vidas e nós reconheçamos seu projeto para nossas vidas. Consagro a ti, mãe de Deus, consagro a ti para sempre minha vida e meus passos. Amém. (p. 62).