Sincronicidade

Magnificat: reflexões de uma mãe sobre Maria

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Eu percebi naquele momento que eu tinha uma escolha. Eu poderia tentar argumentar com Deus e descobrir o objetivo d´Ele, ou eu poderia simplesmente me render. Não é necessário compreender Seu objetivo, para depois ceder a Ele. De fato, eu penso que agrada a Deus quando estamos dispostos a recebermos aquilo que Ele nos oferece, antes mesmo de compreendermos totalmente. Com frequência, é pelo ato de nos rendermos que começamos a compreender. Pois, assim foi para mim com relação à consagração ao Imaculado Coração de Maria.

Patti G. Mansfield

[Mansfield, Patti G. Magnificat: reflexes de uma mãe sobre Maria. Tradução Donato Krachevski. – São Paulo: Palavra & Prece, 2011, p. 43.]

Indo ontem à livraria Ave-Maria, ao dar uma olhada na prateleira dedicada a livros de mariologia deparei-me com um livrinho que, de imediato, me interessou. Primeiro, pela imagem estampada na capa, Nossa Senhora de Guadalupe, uma das representações de Maria de que mais gosto; depois, pelo próprio título do livro, Magnificat: reflexões de uma mãe sobre Maria. Há décadas fiz do Magnificat minha oração predileta. Qualquer oração que eu faça, eu sempre inicio pela recitação do Magnificat. Na verdade, tomei-o como meu mantra pessoal, a ponto de repeti-lo com frequência, mentalmente, nos mais diferentes lugares e nas mais diversas ocasiões. Por esse motivo, se encontro um texto, um livro ou seja o que for que faça referência ao Magnifcat, só isso já constitui motivo suficiente para me despertar o interesse.

Pois bem, foi o que aconteceu com o livreto mencionado. Tirei-o da prateleira e não precisou mais que uma rápida folheada para que logo me decidisse por sua aquisição. Ontem mesmo, por volta das dezessete horas, sentei-me e iniciei a leitura. Pouco mais de uma hora depois eu havia devorado com prazer suas 78 páginas.

Ao longo do livro, a autora, Patti Gallagher Mansfield, relata o fato que deu origem à sua devoção à Virgem Maria, durante sua participação em um retiro espiritual. Na ocasião, ela esteve com algumas pessoas que faziam parte do grupo que participara de um outro retiro de fim de semana, realizado nos dias 17 a 19 de fevereiro de 1967, na Universidade de Duquesne (Pittsburgh, Pensylvania, EUA).

O evento, que ficaria conhecido como Fim de semana de Duqesne, foi o marco inicial da Renovação Carismática Católica. Nesse sentido, o livro tem também um interesse especial, por ser um relato de uma pessoa que, de alguma forma, teve contato direto com aquele que foi o ato fundador de um movimento surgido no seio da Igreja Católica e que, depois, se difundiria por diversos países.

Tendo como referência e ponto de partida o Magnificat, a autora proporciona ao leitor desfrutar de um relato apaixonado dos benefícios da devoção e entrega à Virgem Maria.

Conforme relata, depois de ter sido batizada no Espírito, por ocasião do retiro espiritual, deixou a capela e se dirigiu a seu quarto. Tomando a Bíblia em suas mãos, pediu a Deus palavras que fossem dirigidas especificamente a ela naquele momento, abrindo-a, a seguir, aleatoriamente. O texto obtido foi Lucas 1,46-55, ou seja, o Magnifcat. A propósito, escreve Patti:

Deus me permitiu receber as palavras de Maria, nossa mãe, como a primeiríssima palavra pessoal que Ele me disse. Toda vez que, ao longo dos anos, eu partilhei a história daquilo que aconteceu naquele Final de Semana de Duquesne, eu sempre incluí o Magnificat.

E, a seguir, completa: Desde o primeiro momento, eu sabia que havia sido lançada no mistério da resposta de Maria a Deus. O Magnificat de Maria transbordou para dentro de minha vida e agora é o meu próprio Magnificat. O ´sim` que ela disse a Deus na Anunciação, de algum modo, tem-se tornado no meu ´sim` (p. 16).

Patti Gallagher Mansfield é natural de Irvington, Nova Jersey (E.U.A.). Graduou-se na Universidade de Duquesne, onde participou, em 1968, do retiro espiritual mencionado no livro. Frequentemente ela é convidada para proferir palestras, conferências, retiros e seminários nos Estados Unidos e em vários países, inclusive no Brasil.