Tem inauguração que entrega parede, luz e placa. E tem inauguração que entrega horizonte. É mais ou menos por aí que caminha o movimento da Casa de Vovó Dedé, que abre, neste sábado, 21, dois novos espaços com fôlego para mexer com a produção cultural cearense: o Estúdio Luz e a #SOL – Galeria Solidária Regina Barbosa.
Os nomes já dizem bastante. Um aponta para a criação, para a técnica, para o fazer. O outro, para a circulação da arte, para a visibilidade e para o encontro entre obra e público. Juntos, os dois espaços ampliam a atuação da instituição em uma frente que vai muito além do assistencialismo raso: formação, cultura, oportunidade e futuro.
A estreia da galeria acontece com a exposição “Mórulas, Girafas & Elefantes”, do artista cearense Marco Oriá, cuja produção passeia entre desenho, pintura e experimentação gráfica. É uma abertura simbólica: começa com um artista da terra e com uma obra que flerta com o imaginário, o humor e a linguagem contemporânea… sem pedir licença para ser estranha, inventiva ou livre.
Já o Estúdio Luz nasce grande. Literalmente. Com mais de 150 m² e pé-direito de 8 metros, o espaço foi pensado para receber produções audiovisuais de maior porte, de shows e espetáculos a programas de TV e registros artísticos. Mas o mais importante talvez não esteja só na estrutura, e sim no que ela permite: que adolescentes e jovens atendidos pela Casa tenham contato real com os bastidores de uma produção profissional, da captação à finalização.
Num tempo em que tanta gente fala de economia criativa como slogan bonito de seminário, a Casa de Vovó Dedé parece preferir a via mais difícil. E mais concreta. Desde 2015, seu curso de audiovisual já formou cerca de 255 alunos, e aproximadamente metade deles já chegou ao mercado de trabalho. Não é pouca coisa. É formação com consequência.
Há também um dado que merece atenção: segundo a instituição, mais de 200 shows foram gravados no último ano dentro da Casa, com estrutura oferecida gratuitamente a músicos e artistas de Fortaleza. É um trabalho que nem sempre vira manchete, mas ajuda a sustentar portfólios, trajetórias e possibilidades. Em silêncio, muita coisa importante é construída.
No fim das contas, a inauguração do Estúdio Luz e da #SOL não fala apenas sobre novos espaços. Fala sobre o que pode acontecer quando educação, arte, tecnologia e inclusão deixam de ser palavras bonitas no papel e passam a ocupar lugar físico, concreto, pulsante. Em vez de apenas abrir portas, a Casa de Vovó Dedé parece estar acendendo faróis.
