Clube da Luta

Conheça o cearense faixa-preta de jiu-jítsu com mais títulos mundiais

Oniel Ferraz | Foto: reprodução/Facebook

Oniel Ferraz mostra medalha de campeão Mercosul, conquistada na Argentina | Foto: reprodução/Facebook

Veterano do jiu-jítsu e faixa-preta de Sazinho Sá, o cearense Oniel Ferraz, 42, conquistou mais um título mundial. O atleta da Evolution se tornou vice-campeão mundial pela Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu Esportivo (CBJJE), no torneio realizado nos últimos dia 14 a 17, em Ibirapuera, São Paulo, na categoria sênior 2. A fera vem representando a arte suave do Ceará de forma brilhante e, desde 2004, tem subido ao pódio do campeonato mundial organizado pela Confederação.

Em entrevista ao Blog Clube da Luta, do O POVO, Oniel contou um pouco de sua trajetória e de suas conquistas, assim como falou sobre a relação com a equipe Nova União, no Rio de Janeiro, onde esteve recentemente e acompanhou os treinamentos de Renan Barão. Conforme Ferraz, ele é o cearense com mais títulos mundiais. Oniel sagrou-se campeão duas vezes, conquistou o vice em cinco oportunidades e ficou no terceiro lugar em duas ocasiões. Em 2004, ainda como faixa-marrom, o atleta venceu pela primeira vez o mundial da CBJJE e ganhou, em cima do pódio, a faixa-preta do mestre Sazinho, quando a dupla fazia parte da equipe Nova União.

Atualmente, o competidor da arte suave, que também é árbitro internacional da CBJJE, integra o time da Evolution, do líder Raspinha, onde adquiriu o 3º Dan na faixa-preta. Com a evolução do esporte, Oniel acredita que cada vez mais o lutador precisa entrar com uma boa estratégia para conquistar os campeonatos.

Oniel exibe medalha de vice-campeão mundial. Foto. arquivo pessoal

Oniel exibe medalha de vice-campeão mundial. Foto. arquivo pessoal

“As lutas (no jj) estão bastante disputadas. Você tem que bolar uma estratégia porque são várias lutas. Tem que finalizar ou administrar o tempo para não se cansar. Para ser campeão mundial, principalmente, os mais leves precisam estar preparados fisicamente e psicologicamente, pois são várias lutas. O atleta precisa dosar o gás”, conta o experiente faixa-preta.

No último mundial da CBJJE, para conquistar o vice, Ferraz precisou lutar quatro vezes. Na primeira luta, o cearense venceu por pontos, a segunda foi por vantagem e terceira também. No quarto duelo, válido pela final, ele enfrentou Alcenor Alves, de Manaus, e foi derrotado. O adversário era um velho conhecido da fera da Evolution, que já havia vencido o manauara em 2006, e ficado com título mundial pela segunda vez.

“Ele (Alcenor) é um atleta duro de Manaus. Quando fui campeão mundial pela segunda vez, eu ganhei dele. Na época (em 2006), dois meses antes, eu tinha perdido na final do Brasileiro para ele, na categoria pluma (64 kg de kimono). Inclusive, quando perdi, ele me ironizou. Tinha umas equipes de televisão, e ele disse: ‘Fica chateado não, só por que você perdeu’. Mas dois meses depois, eu dei o troco”, recorda Oniel.

O experiente jiu-jiteiro acredita que o clima o atrapalhou um pouco no último mundial realizado. Oniel precisou perder cinco quilos e sentiu a baixa temperatura, que variou entre 11 a 9 graus, dificultando o desempenho nos tatames. O cearense também percebeu que outros conterrâneos passaram pelo mesmo problema, mas depois da primeira luta foram se soltando. O veterano afirma que os cearenses têm representado bem o Estado, porém, ainda falta um melhor levantamento dos títulos para divulgação.

“Nossa equipe cearense não está tão unida. Depois de eventos como esse não tem nenhum tipo de abordagem para saber quantos perderam e quantos ganharam. Todos estão separados. Assim não tem como fazer um levantamento das medalhas”, diz ele.

O atleta faz um alerta sobre o cenário do jiu-jítsu no Ceará. O veterano, que é patrocinado pela barraca Sunrise Brasil, acredita que empresários poderiam olhar mais para a modalidade. “O Ceará tem um nivel muito grande, mas infelizmente convive com a falta de patrocínio. Eu tenho o apoio da CBJJE, já que sou árbitro da confederação, e também da Sunrise. Existem vários atletas de alto nível”.

Rony Jason e jiu-jítsu no Interior

Oniel ao lado de seu pupilo Rony Jason | Foto: reprodução/Facebook

Oniel ao lado de seu pupilo Rony Jason | Foto: reprodução/Facebook

O veterano teve um papel fundamental para a divulgação da arte suave no interior do Ceará. O atual faixa-preta foi enviado para Sobral pelo mestre Sazinho, quando Ferraz ainda era faixa-azul, para passar as técnicas e posições para iniciantes. Um dos principais alunos do cearense foi o lutador do UFC Rony Jason, motivo de orgulho para Oniel.

“Rony Jason foi meu aluno. Sempre que a gente se encontra nós trocamos uma ideia. Hoje, fico muito feliz por vê-lo lutar. Eu que introduzi o jiu-jítsu no Interior. Todos os faixas-pretas de Quixadá foram meus alunos”.

Amizade e contato com as feras da Nova União

Cearense entre Jair Lourenço (líder da Kimura/Nova União) e Renan Barão. Foto: arquivo pessoal

Cearense entre Jair Lourenço (líder da Kimura/Nova União) e Renan Barão. Foto: arquivo pessoal

Oniel já pertenceu a equipe da Nova União e, até hoje, mantém a amizade e o contato com os atletas e treinadores. Um deles é Léo Santos, campeão do TUF Brasil 2. Oniel ajudou bastante o peso-leve na preparação e perda de peso para o combate final do reality, contra William Patolino, realizado em junho de 2013, no Ginásio Paulo Sarasate, em Fortaleza.

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“Ele (Léo Santos) é muito amigo. Tenho o Léo como um técnico também. Nós temos um vínculo muito grande. Eu estava (em 2013 – preparação para a final do TUF Brasil 2) ajudando ele a bater o peso, pois sou formado em educação física”, conta o cearense.

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Depois do mundial da CBJJE em São Paulo, Ferraz deu um pulo no Rio de Janeiro, onde treinou e acompanhou a preparação de Renan Barão de perto. O cearense confia no potiguar para trazer o cinturão de volta ao Brasil. “A estratégia do Barão (na primeira luta) era trabalhar o chute na coxa e encaixar o ground and pound, mas o TJ minou a estratégia dele”, analisa.

O faixa-preta do Ceará afirma que o ex-campeão está muito afiado no chão – área que não explorou no primeiro combate contra TJ Dillashaw -, focado e forte fisicamente. “Ele (Barão) treinou muito chão: submission e com kimono (jiu-jítsu). Ele voltou as origens porque estava muito focado na parte de cima. O Renan vai entrar com duas ou três estratégias para cada round. Ele está afiadíssimo, no auge”, ressalta.

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