Discografia

Mutantes em Fortaleza

Quando os Mutantes anunciaram, em 2006, que iriam tocar juntos na exposição Tropicália – A Rrevolution in Brazilian Culture, em Londres, boa parte dos fãs incrédulos viram ali uma oportunidade de, enfim, rever uma das mais importantes e irreverentes bandas brasileiras de volta aos palcos. Os pedidos e as orações funcionaram e, mesmo sem Rita Lee e Arnaldo Baptista, eles voltaram às atividades, lançaram no exterior o disco de inéditas Haih ou Amortecedor e, desde 2007, correm o mundo numa turnê que passa por Fortaleza amanhã, dentro da programação do I Festival das Juventudes – América Latina e as Lutas Juvenis.

O evento, uma parceria da Prefeitura de Fortaleza com vários movimentos locais e nacionais de juventude, acontece entre os dias 3 e 6 de junho, no Clube Cofeco, em Sabiaguaba, sempre encerrando as atividades do dia com um show musical. Com seus mais de 40 anos de história, os Mutantes são umas das atrações mais esperadas. Pela primeira vez em Fortaleza, eles trazem a banda toda renovada, formada por Fábio Recco (teclado e vocal), Henrique Peters (teclado e vocal), Vinicius Junqueira (baixo) e Vitor Trida (cordas, sopros e vocal) além do guitarrista Sérgio Dias e do baterista Dinho Paes Leme, ambos da formação original.

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No repertório, além daquelas que resistiram ao tempo como Ando meio desligado, Panis et circenses, Balada do louco, Baby e Dom Quixote, estarão canções novas, fruto de parcerias com Jorge Ben Jor, Tom Zé e Erasmo Carlos. No entanto a maior expectativa fica para Bia Mendes, vocalista que hoje assume o posto que um dia foi de Rita Lee. “Confesso que entrei bem preocupada. Minha geração é completamente influenciada pela Rita”, comentou ela em entrevista por telefone para o Jornal O POVO. “Eu tava esperando uma coisa mais complicada, mas me sinto como uma afilhada da Rita. Sempre alguma parte dela continua no palco. É a música deles que ta ali”. Estudante de canto desde os 15 anos, Bia entrou para o grupo após a gravação de Mutantes Depois, primeira faixa inédita lançada após o retorno. Apesar da responsabilidade que assumiu, ela se mostra bem tranquila. “Trabalhar com o Sérgio é uma coisa muito família. É quase uma comunidade alternativa”.

Quem também está empolgado com as críticas que vem recebendo após o retorno dos Mutantes é o baterista Ronaldo Leme, o Dinho. Membro da banda desde 1968, ele passou um bom tempo afastado das baquetas até que recebeu o convite para o reencontro de 2006. “Foi um baque muito grande por que não pensava que iria ter a repercussão que teve. Isso tudo foi acontecendo. Após seis shows nos EUA com recepção extraordinária, pensei ‘Que diabo é isso?’”, conta ele, simpático, por telefone, sem esconder a emoção de rever amigos que não via há mais de 10 anos. “Tudo foi surgindo de uma forma muito legal. Sentamos juntos e fomos tocando, trocando arranjos, sons. Num momento, olhamos um pro outro e choramos. Ta tudo  muito mais together”.

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Longa programação

Além dos Mutantes a programação do I Festival das Juventudes – América Latina e as Lutas Juvenis inclui Teatro Mágico, Zeca Baleiro, Luiz Melodia, Tribo de Jah o trio argentino de hip hop Actitud Maria Marta e um bom time de bandas cearenses como Coda, Vitrola São Jorge e Fulo de Aurora. Segundo o paulista Gabriel Medina, Coordenador Institucional do Fórum Nacional de Movimentos Juvenis (Fonajuves) e membro do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), a proposta do evento é servir como uma orientação para os desejos da juventude. “Embora haja muitas atividades em torno da juventude, esse ainda é um tema recente. Antes, falava-se em criança e adolescente. São poucos os espaços para discutir o assunto juventude. Um festival como esse é importante porque ajuda a fortalecer o movimento”.

No campo da política, ele destaca as conferências sobre a participação dos jovens nos processos de mudança da América Latina, sobre políticas públicas para a juventude e o lançamento da Plataforma das Juventudes com o tema “é possível unificar as lutas da juventude?”. Em paralelo, também acontece o 4º Fórum Nacional de Hip Hop, o encontro do Projovem Urbano de Fortaleza, o Seminário do Plano Nacional de Juventude de Fortaleza, o encontro Nacional da Juventude Kalunga, o lançamento da 7º Bienal de Arte e Cultura da UNE (que vai acontecer em janeiro de 2011, em Fortaleza) e outras atividades. A expectativa da organização é atrair um público em torno de 4 mil pessoas. “O mais importante é que se possa fortalecer o diálogo entre os movimentos”, afirma Gabriel. “Afinal, as bandeiras dos jovens não são só para a juventude. O avanço do país também é importante para nós. Queremos ter um olhar específico, mas também queremos aprofundar as políticas estruturais do país”.

E mais:

> O I Festival das Juventudes vai contar com a participação de diversas lideranças vindas de vários países como Bolívia, Paraguai e Chile. Com as inscrições já encerradas, o evento recebeu 3.600 inscrições.

> Para o cantor Fauzi Beydoun, da Tribo de Jah, a iniciativa de promover um festival como este é valida por levar discussão para uma juventude que ainda considera alheia às questões políticas. “O movimento estudantil era muito mais combativo. Hoje, estamos perdidos e sem disposição para o embate. Estamos precisando de militância para os novos quadros políticos. Se não for através dos jovens vai ser difícil renovar”.

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Serviço:

I Festival das Juventudes em Fortaleza, de 3 a 6 de junho, no Clube Cofeco (Rua Abreulândia, s/n – Sabiaguaba). Mais informações: www.fortaleza.ce.gov.br/festivaldasjuventudes ou pelo telefone (85) 3255.8343

Programação de shows:

Dia 3

18h30 – Banda Coda

19h30 – Banda Alegoria da Caverna

20h30 – Grupo Unidos da Cachorra

21h – O Teatro Mágico

22h30 – Os Mutantes

Dia 4

19h30 – Banda Vitrola São Jorge

20h30 – Grupo Dona Zefinha

22h – Actitude María Marta (Argentina)

23h – Tribo de Jah

Dia 5

19h30 – Banda ZàZ

20h30 – Grupo Fulô da Aurora

22h – Luiz Melodia

23h – Zeca Baleiro