Discografia

O bom e velho rock’n roll

Antes de escolher definitivamente ser cantor, Nasi chegou a pensar em ser baterista. Fã de Ramones, Clash e Black Sabath, a decisão veio mesmo com o incentivo do amigo de colégio Edgard Scandurra. Guitarrista do power trio Subúrbio, ele queria se soltar mais com seu instrumento e precisava de alguém que assumisse o microfone. O encontro deu certo e dali nasceu o embrião do que seria uma das bandas mais emblemáticas do rock nacional da geração 80, o Ira!. O quarteto seguiu tocando até 2007, quando, em meio a brigas e xingamentos públicos, anunciaram o fim.

Como o bom soldado não foge à luta, Marcos Valadão Rodolfo, o Nasi, logo voltou ao seu ofício preferido, cantar rock. E é isso que ele mais faz no CD e DVD Vivo na Cena, recém lançado pela Coqueiro Verde Records. Ao longo de 17 faixas (14 no CD), mostra vigor ao interpretar sua carreira pré-Ira!, alguns lados B dos anos 80, uma nova geração de compositores, nomes mais emblemáticos como Raul Seixas e Zé Rodrix e, claro, Ira!. Até João Bosco, pasmem, ganhou uma versão blueseira de Bala com bala. “O Roy (Cicala, responsável pela gravação e mixagem) tem muitos amigos e eu tinha ideia de chamar o Dr. Jonh. Então, fiquei vendo alguma que ficasse bem no estilo dele”, revela Nasi por telefone. Na hora de escolher que música ficaria bem ao lado do pianista americano, o produtor Vagner Garcia apresentou-lhe esta que foi sucesso na voz de Elis Regina.

Para lhe acompanhar nesta empreitada, Nasi arregimentou uma grande turma de amigos. Membro da esquecida banda paulista Muzak, Nivaldo Campopiano é o responsável pelas (ótimas) guitarras do disco. Além dele, a banda é formada ainda por Johnny Boy (baixo), André Youssef (teclados) e Evaristo Pádua (bateria). Completando o time, uma longa lista de convidados desfila entre as faixas. Marcelo Nova dueta bem em Rockixe, de Raul Seixas. Vanessa Krongold, vocalista do Ludov, acrescenta pouca a Por Amor, de Zé Rodrix, gravada pelo Ira! no Acústico MTV (2004).

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Gravado ao vivo em estúdio, o passeio de Nasi começa com uma parceria envenenada com Nivaldo chamada Ogum. Rock de gente grande, trata-se de um bom cartão de visitas para as seguintes. Relembrando os Voluntários da Pátria, o anfitrião chamou o guitarrista Miguel Barella pra fazerem juntos Não caio mais. “O Voluntários foi uma das bandas mais cultuadas e respeitadas dos Anos 80 e eu gravei com eles o primeiro disco. É um disco interessante por que traz muito de uma nova geração de bandas, como Franz Ferdinand e Kaiser Chiefs. Tinha o baixo e a bateria na frente, uma guitarra mais espacial”. A oitentista do Picassos Falsos comparece com a sincopada Carne e osso, já gravada por Marina Lima em Abrigo (1995). Em O tempo não para, hino desabafo de Cazuza, ele repete o som, mas altera algumas partes da letra. “Me chamam de ladrão, de bicha, maconheiro”, por exemplo, vira “bandido, maluco, maconheiro”. Os pernambucanos do Eddie, comparecem com Eu só poderia crer e Desequilíbrio.

O Ira! também comparece com duas canções. Tarde vazia ganhou um belo arranjo mais soul com a forte presença de um nipe de metais. Um dos hits do Acústico MTV, a nova versão é mais encorpara e acelerada. A segunda, a ótima Milhas e milhas foi tirada de Entre seus rins (2001) e mudou pouco da versão original. “Uma das coisas mais legais que o Ira! deixou de legado foi uma banda que soube transitar entre o independente e o mainstream. Ter independência, mesmo lidando com a grande indústria sem perder aspectos do profissionalismo. Ela (a banda) podia fazer show com a mesma intensidade para 50 e para 100 mil pessoas”.

Virada a página, ele agora se dedica exclusivamente ao lançamento deste “Nasi Vivo Na Cena”. Nos planos agora, divulgação e shows com o novo trabalho, ainda sem data para Fortaleza. Para o segundo semestre, ele promete o lançamento do disco em vinil e um relançamento do Vivo na Cena com mais material extra além de já está compondo coisas novas. “Nesse trabalho, quero mostrar como é que é meu show ao vivo. Uma mistura de rock e blues, com intensidade musical”.

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