Discografia

Meio desligado

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O Siará Hall estava lotado no último sábado. A expectativa para rever a Rainha do Rock, Rita Lee, em sua turnê ETC… era grande e atraiu um público pra lá de variado. Era um desfile curioso que unia todas as idades, desde jovens senhores até adolescentes coloridos dos pés à maquiagem. Não é à toa. Com mais de 40 anos de carreira e sempre muito engraçada e faladeira, Rita consegue arregimentar os públicos mais variados.

Antes de Rita, a banda cearense SoulPop animou o público com um repertório basicamente em cima de clássicos dos Anos 80, entre Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Engenheiros do Hawaii. Claramente empolgados e felizes, Guto Ribeiro (voz), Bynho Karuka (guitarra), Rafael Costa (bateria) e Daniel Ferrer (baixo) lançavam seu primeiro DVD, SoulPop ao vivo, gravado em abril no Mucuripe Club. Além de composições próprias, como Recordações, Eu e você e Me Diz, o show contou com a participação de Ítalo & Renno, Paulo Façanha e da cantora potiguar Thábata.

Enquanto trocavam os instrumentos, o público ficou ouvindo Bob Dylan e Michael Jackson (no lugar do instrumentalzinho do Jorge Vercillo). Apagam-se as luzes e, às 00h30, Rita Lee entra no palco de chapéu branco, terninho litrado e, por dentro, uma blusa preta estampando o famoso símbolo hippie da paz. Ladeada pelo maridão Roberto de Carvalho e pelo filho Beto Lee, mais uma super banda de baixo, bateria, teclados e duas backing vocals, ela começou com Agora só falta você e Vírus do amor. Parando para falar, como é de costume, aproveitou para alfinetar a metade sentada da plateia. “Quer dizer que aqui tem divisão de classes? Os abonados para um lado e os sem-teto pro outro. Bem que o Plínio falou…”, comentou com o seu tom maroto. Citar o candidato do PSOL foi motivo pra um discurso sobre política. “Meu voto é nulo”, afirmou taxativa.

Depois disso, Rita pouco conversou e se dedicou a enumerar seus muitos e muitos sucessos e algumas poucas que ela não cantava em shows há tempos. Nesse segundo time, foi o caso de Banho de espuma, Chega mais e Atlântida. No entanto, como sempre, em show de Rita Lee é sempre bom esperar alguma estripulia. No caso desta noite, ficou por conta de Nikki Goulart, um cover de Michael Jackson que tomou conta do palco dublando e dançando Bad enquanto Rita assumiu o posto de backing do ídolo e a banda faz de conta que toca. Em seguida, Rita se juntou à coreografia e arrancou boas risadas do público quando se ajoelhou pra botar a mão nas partes baixas de Nikki, seguindo o estilo Michael.

Um momento emocionante foi em Ovelha negra quando o telão exibiu fotos de uma Rita criança em São Paulo, ainda estudante, ao lado da mãe e em vários momentos da carreira. Muitas das fotos, aparentemente, pessoais. Com 1h e 20 minutos, ela se despediu voltando pouco tempo depois com Ando meio desligado. Por fim, perguntou o que o público queria ouvir, fez mais três sucessos e encerrou com Erva venenosa. Mesmo que aparentasse um certo saco cheio de fazer shows e não mostrando mais a energia de tempos passados, Rita Lee continua empolgando e arrastando multidões por onde passa. Não tinha uma música que não fosse cantada por todos e um movimento que viesse seguido de risadas. Rita Lee continua sendo sinônimo de diversão.

> Set List com a indicação do disco com a gravação original:

1. Agora só falta você (Fruto Proibido, 1975)

2. Vírus do amor (Rita e Roberta, 1985)

3. Pagu (3001, 2000)

4. Bwuana (Flerte Fatal, 1987)

5. Amor e Sexo (Balacobaco, 2003)

6. Ti Ti Ti (Saúde, 1981)

7. Atlântida (Saúde, 1981)

8. Bad (homenagem a Michael Jackson)

9. Doce Vampiro (Rita Lee, 1979)

10. Ovelha Negra (Fruto Proibido, 1975)

11. Banho de espuma (Saúde, 1981)

12. Chega Mais (Rita Lee, 1979)

13. Lança Perfume (Rita Lee, 1980)

Bis:

14. Ando Meio Desligado (A Divina Comédia dos Mutantes ou Anbdo Meio Desligado, 1970)

15. Mania de Você (Rita Lee, 1979)

16. Desculpe o Auê (Bom Bom, 1983)

17. Flagra (Rita Lee, 1982)

18. Erva Venenosa (3001, 2000)

1 comentário

  • Veleiro disse:

    Moço, eu que não fui ao show, lendo esse post quase que fui… Estive lá viajando no seu relato. A titia do rock continua a mesma, hem?

    Pena que 90% das músicas do show foram os clássicos das décadas de 70/80… Inevitáveis, claro, mas há tantas outras de 2000 pra cá…

    Um show que começa com “Agora só falta você, ieiê…” deve ficar na memória. Um belo dia resolvi mudar e fazer só o que eu queria fazer… Isso não é música, é mantra!

    🙂

    Abraços,

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