Discografia

Poucas vogais, poucos integrantes e muita música

Por Isabel Costa (@IsabelCosta_) 

Acordes sinuosos e melódicos obtidos por violão, viola caipira, dobro, harmônicas, piano, guitarra e percussão. Músicas da lendária Engenheiros do Hawaii, algumas canções inéditas e outras da banda Cidadão Quem. Parece muito. Mas para obter essa mistura de influências e sons apenas dois músicos se fazem necessários no palco. O vocalista dos Engenheiros, Humberto Gessinger, e o líder da Cidadão, Duca Leindecker, são os únicos integrantes do projeto Pouca Vogal

Os instrumentistas veteranos apresentam-se em show duo e os palcos acostumados a receber bandas com formações numerosas se veem preenchidos apenas pela dupla. Hoje (17) vai ser a vez da Barraca Biruta assistir a apresentação baseada no CD e no DVD (2009, Som Livre) gravados em Porto Alegre. “Minas Gerais, São Paulo e Fortaleza são locais muito fiéis. Acho que todos os discos dos Engenheiros foram apresentados em Fortaleza”, pontua Humberto. 

Ele e Duca são amigos de longa data. Mais precisamente desde a década de 1980. Quando Humberto adquiriu uma Fender Telecaster (instrumento difícil de encontrar na época), foi surpreendido por um garoto que “ficou de passar lá em casa para tocar”. Esse menino era Duca. A visita prometida aconteceu e o próprio dono do utensílio ficou impressionado. “Tirou sons da minha guitarra que eu não imaginava que estivessem lá”, enfatiza. 

E a amizade musical percorreu os anos. Entre as trocas de figurinhas aconteceu um reencontro em 2007. Pouca Vogal é uma referência aos sobrenomes dos dois. Afinal, Gessinger e Leindecker possuem juntos sete vogais e 12 consoantes. O diferencial é a concepção inusitada. Sozinhos no palco, eles tocam vários instrumentos ao mesmo tempo. Ora apenas com as mãos, ora utilizando os pés. Esse viés curioso agradou o público e provocou reações positivas inesperadas. “Sabia que o pessoal iria curtir, mas não imaginei que fosse tão rápido. É um formato completamente novo. Mas as pessoas entenderam rápido”, afirmou Humberto Gessinger em entrevista, por telefone. 

No repertório desta noite estão baladas compostas especialmente para o projeto duo. Tententender, por exemplo, surgiu durante uma viagem de avião. Humberto enviou uma fita demo para Duca e ele reescreveu a melodia do refrão. Já Na paz e na pressão foi feita pelo vocalista da Cidadão Quem num momento expansivo. Mas as referências aos trabalhos anteriores não são deixadas de lado. Segundo Gessinger, várias músicas de Engenheiros do Hawaii são tocadas no show. Outras surgem tímidas em versos jogados nas novas letras. Como a canção Pouca Vogal, feita para explicar o projeto, que cita a famosa Piano Bar por repetidas vezes (“O táxi que me trouxe até aqui”). 

Jogado de cabeça nesse jovem projeto, Humberto Gessinger afirma que durante 2011 pretende se dedicar exclusivamente ao Pouca Vogal. Entretanto, os fãs assíduos de Engenheiros do Hawaii não precisam temer o fim da banda. É apenas uma pausa natural. E como afirmou o próprio vocalista: “Daqui a um tempo os dois projetos podem andar paralelos”. O músico Humberto Gessinger, bem-humorado e solícito, conversou com o DISCOGRAFIA sobre o show de logo mais à noite e seus planos para 2011. Acompanhe. 

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DISCOGRAFIA – Como é a musicalidade do Pouca Vogal? 

Humberto Gessinger – Nas composições tocamos muito as nossas bandas. A inovação é o formato, pois somos só nós dois utilizando vários instrumentos. Mas conseguimos uma sonoridade muito rica. Utilizamos os pés. É uma coisa bem diferente nesse sentido. As pessoas quem vão aos shows ainda não devem ter visto 

DISCOGRAFIA – Como tem sido a relação com os fãs dos Engenheiros e do Cidadão? 

Humberto Gessinger – Tem sido maravilhosa e muito mais rápida do que eu esperava. Sabia que o pessoal iria curtir, mas não imaginei que fosse tão rápido. É um formato completamente novo. Mas as pessoas entenderam rápido. 

DISCOGRAFIA – Quais lembranças você tem de Fortaleza? 

Humberto Gessinger – Fortaleza é uma das cidades que tem um polo legal de fãs. Minas Gerais, São Paulo e Fortaleza são locais muito fiéis. Acho que todos os discos dos Engenheiros foram apresentados em Fortaleza. Recebemos muitas mensagens por Facebook e Twitter dos fãs de Fortaleza. 

DISCOGRAFIA – Você e Duca já estão produzindo novas coisas? 

Humberto Gessinger – A gente tem coisas que pintaram durante os shows. Outras músicas dos Engenheiros que começamos a tocar sem planejar. 

DISCOGRAFIA – Depois de passar tanto tempo em uma banda, como tem sido a experiência de dividir o palco com apenas mais uma pessoa? 

Humberto Gessinger – Eu acho que tem muita diferença na relação com o público. Dá uma relação de maior proximidade. As pessoas se sentem muito próximas.  Uma banda é super legal, mas te deixa distante pelo volume do som. Com o Pouca Vogal é uma sensação de proximidade não só com o Duca. Às vezes parece que a gente está tocando na casa da pessoa. Uma ligação muito próxima. 

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DISCOGRAFIA – E a decisão de colocar as músicas free na Internet? De onde partiu? 

Humberto Gessinger – Quando a gente montou o projeto nem imaginamos em gravadora, pois é uma coisa diferente. Foi um caminho normal disponibilizar as músicas para que as pessoas já soubessem nos shows. Surpreendeu-nos o interesse da gravadora. O lançamento on-line foi uma expressão natural. Não sei se é o melhor caminho para quem está começando. Para a gente funcionou muito bem, pois precisávamos que as pessoas conhecessem. Eu não sei se estivesse começando hoje qual caminho eu adotaria.

DISCOGRAFIA – E os Engenheiros? Já existe plano para um retorno?

Humberto Gessinger – Eu achei que como estamos tocando músicas dos Engenheiros é fundamental focar só nesse projeto novo. Daqui a um tempo os dois projetos podem andar paralelos. Em 2011 pretendo ficar só com Pouca Vogal. 

DISCOGRAFIA – E o show de hoje, como será? 

Humberto Gessinger – O repertório é de músicas das nossas bandas e algumas inéditas. O show é em cima do CD e do DVD que gravamos em Porto Alegre. 

Para mais (inclusive baixar todas as músicas!!): www.poucavogal.com.br

SERVIÇO 

Show do Pouca Vogal na Barraca Biruta (Av. Zezé Diogo, 4111), hoje (17), a partir das 20h. Ingressos: Pista: R$60 / R30 (meia) Front Stage R$50 Outras informações: 3230 1917

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