
Escrita a seis mãos e sem pressa, a biografia nasceu quando Aquiles começou a receber recados de admiradores que, após ler o que tem no seu site oficial, queriam saber mais detalhes sobre sua carreira. “Geralmente faz livro que a pessoa morre. Eu pensei, se naquela biografia as pessoas já estavam achando legal, imagine se eu escrever tudo com os detalhes”. Ele, então, arregimentou o jornalista Antonio Carlos Monteiro, da revista Rock Brigade, para uma entrevista que levou mais de 20 horas. Pegou o material e entregou para a escritora Circe Brasil, que deu o formato final ao texto. Ele ainda acrescenta que, preocupado em oferecer um trabalho realmente de qualidade, chegou a diagramar o livro duas vezes.
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“Uma das partes mais legais foi lembrar a ingenuidade, quando pensava o que era o show business. Você vai apreendendo da forma mais errada, na hora que as coisas estão acontecendo”, conta ele com um tom de quem ainda está se acostumando com a fama. Metaleiro de carteirinha, Aquiles começou a carreira integrando uma banda de baile de Nova Iguaçu (PR), onde morava. Antes, ele treinava dublando cações do Ultraje a Rigor. Sua primeira oportunidade de tocar o que realmente queria, o heavy metal, veio em 1989, quando entrou para a Lucas Scariotys. Em seguida veio a Spartacus, Pistys Sophia, Hangar e, em 2000, tornou-se o baterista oficial do Angra.
Recheado de fotografias, De fã a ídolo traz uma imagem de Aquiles com o filho Arthur, de três anos sentado no kit de bateria, com a legenda “Arthur se preparando para o futuro”. Esse é o desejo do paizão? “Eu não quero nada. Como nessa fase o filho se prende muito à figura do pai, é natural que ele queira fazer igual. Mas, juro que não estou forçando. Sempre que você faz uma coisa e é bem sucedido, a cobrança para os filhos é grande. De fato, tem que ser uma coisa que ele queira fazer. Quero mesmo que ele seja feliz”, afirma o músico que também é pai de Juliana, 11, pianista aprendiz.
Agora, Aquiles comemora o reconhecimento que vem recebendo da crítica e dos fãs. “Recebi uma notícia de que tinha sido indicado em duas categorias na revista Modern Drummer, na votação dos melhores nomes, e em janeiro estou indo para um workshop em Los Angeles, num dos mais importantes institutos de música do mundo. Isso é surreal”. Ainda assim ele sabe que, no Brasil, seu som ainda é pouco reconhecido. “Mesmo sendo uma coisa que ainda é underground, que nunca esteve na grande mídia como o sertanejo universitário, o metal é uma coisa muito verdadeira pela quantidade de fãs. O Brasil virou rota obrigatória tanto dos clássicos, quanto com os mais novos”, aponta. “É importante para o pessoal saber que existe outro tipo de música no Brasil e que também é bem feita”.
DE FÃ A ÍDOLO
Resenha: Biografia do baterista Aquiles PriestER, de Circe Brasil, baseada em entrevista a Antonio Carlos Monteiro. Ed. Anadarco. 162 páginas.
Preço médio: R$35.
À venda pelo site: http://www.aquilespriester.com/