Discografia

Jamais cantei tão lindo assim

No último dia 10 de fevereiro, Cauby Peixoto completou seus 80 anos de vida. Deste tempo, é difícil precisar o quanto foi dedicado à música. Quase impossível. Filho da elegância e da opulência da Era de Ouro do Rádio, ele nasceu numa família de pais, avô, primos e irmãos músicos e segue até hoje lapidando canções, como Molambo e Conceição, com sua voz grave e aveludada. Lançadas em 1956 no disco Você, a música e Cauby, estas tem lugar garantido até nos shows, como o que ele traz amanhã para comemorar os 82 anos do Clube Náutico.

Embora a vaidade impeça Cauby de falar mais sobre sua idade, ele não esconde os efeitos que ela lhe trouxe. “Eu to indo muito bem. Com muita saúde. E a voz é a mesma. Talvez até um pouco mais madura”, confirma ele sem muita modéstia. Sem vir a Fortaleza desde agosto de 2002, o cantor, que não dispensa o brilho e o glamour nas apresentações, confessa que está ansioso por este reencontro. “Já fiz muitas serenatas em Fortaleza. Antigamente, eu costumava me reunir com uns rapazes músicos e cantar na beira da praia”, relembra.

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Se não vai ser à beira da praia, pelo menos o mar vai estar pertinho no show de amanhã. Acompanhado dos músicos Jair Sanchez (teclado), André Melo (baixo), Élcio da Costa (baixo) e Gustavo Benedetti (sax), Cauby promete fazer um “repertório maravilhoso” incluindo um passeio pelos últimos trabalhos, Cauby interpreta Roberto e Cauby sings Sinatra. Pilotados pelo produtor Thiago Marques Luiz, os discos prestam tributo a, respectivamente, Roberto Carlos e Frank Sinatra. “E também vou atender pedidos da plateia. Tenho uns fãs aí que me pediram alguns sucessos e eu vou atender”, acrescenta o cantor citando uma pequena lista que inclui Molambo, Tarde Fria, My Way e New York New York.

Com agenda fixa às segundas-feiras no paulistano Bar da Brahma, Cauby não deixa de trabalhar um só dia. Mesmo com algumas dificuldades de locomoção, ele vai diariamente ao escritório, onde confirma compromissos e atende a imprensa. Com essa mesma vitalidade, ele está prestes a caixa Cauby Peixoto – O Mito – 60 anos de música, pela Lua Music. Programada para o mês de junho, nela vão estar três discos inéditos. A voz do violão é um registro acústico, acompanhado apenas pelo veterano violonista Ronaldo Rayol, irmão do Agnaldo Rayol. “Nesse, eu vou explorar mais os meus graves”, explica Cauby. Já Cauby ao vivo com os seus amigos é o registro da apresentação realizada em abril no Teatro Fecap com a participação de Vânia Bastos, Fafá de Belém, Ângela Maria, Emílio Santiago, Agnaldo Rayol e Agnaldo Timóteo (o show, gravado pelo Canal Brasil, também vai ser lançado em DVD). Fechando o conteúdo da caixa, o disco Caubytles traz uma seleção de canções românticas do repertório de um certo quarteto de Liverpool. Entre elas, And I love her, Michelle e The long and winding road.

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Do samba de Martinho da Vila aos standards de Cole Porter, Cauby Peixoto sabe conquistar seu público. “Ele é um dos melhores cantores da época da gente”, elogia o engenheiro civil Francisco Holanda, 65, já esperando para ver Cauby pela terceira vez. Fã de New York New York, Francisco não se espanta com a amplitude do seu repertório. “Gente que é versátil canta bem qualquer tipo de música. E ele é como vinho, a cada dia que passa, fica melhor”. Cauby aceita bem o elogio e já projeta outros trabalhos, agora dedicados a Nat King Cole e à música italiana. “Mas isso é pra depois”, anuncia.

Curiosidades:

> O diretor Nelson Hoineff está preparando para o segundo semestre de 2011 a cinebiografia Começaria tudo outra vez, sobre Cauby Peixoto. O longa vai ser pontuado pelas apresentações do cantor no Bar da Brahma.

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> Conhecido pelo repertório romântico, Cauby foi o primeiro brasileiro a gravar um rock. Rock and Roll em Copacabana, de Miguel Gustavo (o mesmo de Pra frente Brasil), foi lançado em compacto em 1957.

> Confirmando a veia musical da família Peixoto, Cauby lançou em 1957 o disco Quando os Peixotos se Encontram, ao lado dos irmãos Araken, Moacyr e Andyara.

> Cauby, durante muitos anos, teve como guru o empresário Di Veras, conhecido pelo jeito pouco ortodoxo de cuidar da carreira do pupilo. Entre outras, foi ele quem mandou arrancar todos os dentes de Cauby para reimplantar outros mais bonitos.

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> Mesmo sem assumir seu lado “roqueiro”, Cauby também foi convidado para participar do disco Humanos, da banda de rock oitentista Tokyo. Junto com o vocalista Supla (é ele mesmo!), Cauby canta Romântica, que chegou a render clipe para o Fantástico.

> Ainda nos anos 1950, Cauby passou uma temporada em excursão pelos Estados Unidos, onde chegou a gravar com o nome de Ron Coby. Considerado pelas revistas Tim e Life o “novo Elvis Presley” ele apareceu nas TVs americanas cantando uma versão em inglês de Maracangalha, de Dorival Caymmi.

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