Discografia

Após 13 anos, Claudia volta com ótimo tributo a Caetano Veloso

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A carioca Maria das Graças Rallo se lançou artisticamente como Claudia e foi um dos grandes nomes da música brasileira dos anos 60 e 70. Dona de uma voz segura e versátil, ela foi premiada numa infinidade de eventos nacionais e internacionais, mas, hoje, é praticamente desconhecida no Brasil. Segundo a própria, o motivo foi uma richa com Elis Regina que fez as portas se fecharem à sua frente. Chegou a engrenar a carreira internacional, mas no Brasil foi ficando cada vez menos ouvida. Um retorno digno com um bom cartão de apresentação aparece agora com o disco Senhor do tempo – Canções raras de Caetano Veloso (Joia Moderna). O tributo, produzido por Thiago Marques Luiz, traz uma seleção de 12 canções do compositor baiano que foram lançadas por outros artistas, em compactos ou em trilhas sonoras. Pra costurando tudo, um frescor jazzístico e a voz de Claudia que ganhou uma leve rouquidão que dá ainda mais charme aos lados B do compositor, como em Naquela estação, sucesso de 1990 na voz de Adriana Calcanhoto. Primando por canções mais obscuras, o tributo garimpa Amo-te (mesmo) muito, canção lançada em 1979 pela desconhecida Aline, e Samba em paz, gravada em compacto por Caetano em 1965. Menos rara, Menino Deus, sucesso do grupo A Cor do Som que ganhou a voz do autor no disco A Cor do Som Acústico (2005), ganha profundidade no registro voz e piano de Cláudia. Louco por você, blues em a Roberto Carlos lançado no indispensável Cinema Transcendental (1979) garante o melhor momento deste tributo. Canções como Luzes, gravada pelo grupo Nouvelle Cuisine em 1991, e Duas Manhãs, lançada no disco Vanusa 30 Anos em 1977, demonstram o quanto Cláudia correu atrás do que foi menos ouvido na obra de Caetano Veloso. Muitos estarão ouvindo-as pela primeira vez neste tributo, o que é muito bom, uma vez que esta cantora soube dosar seu canto na medida e provar o quanto ela é imprescindível para os fãs da boa MPB.

2 Comentários

  • Marco Santos disse:

    Fico pensando quando morre Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e outros da geração do final de 60 e começo de 70, como vai ficar a nossa música popular brasileira. Os movimentos da Tropicália foi inventado para combater a demanda das músicas internacionais no Brasil, mais isso poderá voltar daqui alguns anos, pela falta de pouca coisas boas produzidas no Brasil. Temos mesmo de reverenciar Caetano Veloso, que é um artista completo.

  • Gael Nietzsche disse:

    Claudia, tive contato com a obra desta magna artista por acaso, zapeando o controle da tv, e parei na tv cultura, e estava anunciando o programa do grande Faro, (ensaio) com esta cantora, parei pra ouvir, me interessei e assiti, marquei na agenda. Tamanha surpresa para mim, até então eu nem sabia quem era Claudia… Eu, que sou entusiasta das cantoras, me apaixonei pela voz de Claudia. Na entrevista ela citou o “embate” com Elis Regina, e a que a música “Bem que se quis”, eternizada na voz de Marisa Monte, a priori seria gravada por ela. E também mencionou o Marcelo D2 por trazê-la à tona novamente. Gostei dela. Que venham mais Claudias, que fique bem claro, eu disse Claudias.

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