Discografia

Beth Carvalho volta com disco de inéditas depois de 15 anos

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Uma das maiores responsáveis pela popularização do samba verdadeiro pelo Brasil, a rainha Beth Carvalho está de volta às lojas com um disco de inéditas. Nosso samba tá na rua chega 15 anos depois de Brasileira da Gema, disco marcado pela presença de compositores do Cacique de Ramos, como Arlindo Cruz e Sombrinha (creditado sobriamente como Sombra). Beth Carvalho descobriu e se apaixonou pelo som do bloco carioca no início dos 80 e logo lançou o clássico De pé no chão, cuja capa trazia a sambista rodeada por compositores da região carioca de Ramos (aquela do piscinão). E é baseado na capa deste álbum de 1978 que Beth montou uma nova roda de artistas para ser clicada por Guto Costa para a capa de Nosso samba ta na rua. Na produção, uma das maiores autoridades vivas do samba, o maestro Rildo Hora. Desde Coração Feliz, lançado há 27 anos Rildo não trabalhava em um disco de Beth. Já no repertório, seus recorrentes Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Almir Guineto. Entre as novidades, a primeira gravação da filha Luana e o também estreante Edinho do Samba. O mestre Nelson Cavaquinho, a quem Beth sempre homenageia, comparece com a quase inédita Palavras malditas. E, pra encerrar, Minha História, de Chico Buarque.

Veja os comentários faixa-a-faixa escritos pela própria Beth Carvalho:

1) NOSSO SAMBA TÁ NA RUA (Roberto Lopes/Alamir/Nilo Penetra/Canário) – Inédita que batiza o disco. A letra faz uma verdadeira exaltação ao samba (“É de Deus esse som que a gente faz”).
 
2) TAMBOR (Almir Guineto/Adalto Magalha/Daniel Oliveira) – É um samba religioso e forte.
 
3) CHEGA (Leandro Fregonesi/Rafael dos Santos) –  Samba de amor e de bloco, no estilo dos sambas do Cacique de Ramos, com direito a tamanco e tudo. Foi criado por dois ótimos compositores da nova geração.

4) ARRASTA A SANDALIA (Dayse do Banjo/Luana Carvalho) – Samba inédito que ganhei de presente da minha filha, Luana Carvalho, em parceria com a Dayse do Banjo, sambista da melhor qualidade. É um partido alto com refrão contagiante e que ainda ganhou a participação mais que especial do meu afilhado Zeca Pagodinho nos vocais.

5) COLABORA (Serginho Meriti)  – Samba de carnaval inédito, criado por um dos maiores compositores do samba, autor de sucessos como “Deixa a vida me levar”, dentre outros.

6) SAMBA MESTIÇO (Ciraninho/Rafael dos Santos/Leandro Fregonesi) – Samba de embalo inédito que tem um refrão que contagia, criado por três grandes  compositores da nova geração, vencedores de quatro sambas enredo da Portela.

7) NEGRO SIM SINHÔ (Efson/Marquinho PQD/Franco) – Criada por três grandes compositores do samba. Original em sua forma, a música faz uma apologia à raça afrodescendente.

8) SE VIRA (Arlindo Cruz/Marquinho PQD) – Com uma melodia muito rica, essa inédita do Arlindo e do Marquinho PQD tem uma letra feminista.

9) TÔ FELIZ DEMAIS (Edinho do Samba) – Outra música inédita. Samba romântico de um excelente compositor estreante que estou lançando nesse disco.
 
10) ISSO ACONTECE (Wanderley Monteiro/ Jorgito Sápia/Agenor de Oliveira) – Samba de amor, de co-autoria de Wanderley Monteiro, de quem eu gravei o sucesso “Água de chuva no mar”.
 
11) PALAVRAS MALDITAS (Nelson Cavaquinho/Guilherme de Brito) – Como o Nelson é bem trágico na maioria de suas músicas, pedi ao Rildo Hora que fizesse um arranjo bem dramático, como um tango de Piazzola. A canção é pouco conhecida do grande público, somente foi gravada por um cantor chamado Ari Cordovil em um disco de 78 rotações.

12) EM CADA CANTO UMA ESPERANÇA (D. Ivone Lara/Délcio Carvalho) – Obra prima da D. Ivone Lara, a quem dedico este CD, e do seu fiel parceiro, Delcio Carvalho.

13) GUARACY (Zeca Pagodinho/Arlindo Cruz/Sombrinha) – Inédita, de três grandes compositores que dispensam apresentações. 
14) VERDE E ROSA DE PAIXÃO (Claudinho Guimarães) – Música inédita. Como não poderia deixar de ser, trago neste novo álbum mais um samba em homenagem à minha querida Mangueira.

15) MINHA HISTÓRIA (Lúcio Dalla/Paola Pallottino – versão de Chico Buarque) – Clássico de dois italianos, que teve uma antológica versão do Chico Buarque. A música ficou em primeiro lugar no bate-bola que eu promovi para escolher o repertório final do disco (em junho desse ano, como de costume, reuni amigos e formadores de opinião para me ajudarem na seleção das canções, através de uma pré-gravação de 25 músicas).