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I Festival de Música da Assembleia confirma o talento da música cearense

 

Foto: Marcos Moura

Admito que não estava inicialmente nos meus planos. Mas a noite do sábado acabou sendo no prédio anexo da Assembleia Legislativa para assistir à final do I Festival de Música da Assembleia. Realizado no elegante auditório do sexto andar, a ideia do evento trazia algo da magia dos antigos festivais. Com transmissão pela própria TV Assembleia, o que se viu foi um espaço lotado de pessoas torcendo para seus preferidos.

Antes de falar das canções, é preciso ressaltar a organização do Festival. Nem alguns problemas técnicos conseguiram arranhar a boa impressão que esta primeira edição deixou. Sem perda de tempo ou longos discursos querendo capitalizar a porção política daquele local, tudo era feito com precisão cirúrgica, agilidade e respeito a quem estava na plateia. Muito bom mesmo.

Quanto aos nomes concorrentes, a final do I Festival de Música da Assembleia serviu como um bom panorama da música cearense. Principalmente para aqueles que acham que não surgiu ninguém depois do Fagner. Se outros não conseguiram o mesmo sucesso em termos de popularidade e comércio, não foi por falta de talento. Tanto os mais novos como os já consagrados, quem passou por aquele palco certamente tem um comprometimento com a música que se faz no Ceará, sem deixar de apontar para o mundo. Foram 12 finalistas entre mais de 400 inscritos. O prêmio:  R$ 10 mil, R$ 7 mil e R$ 5 mil em dinheiro para os três primeiros colocados, e R$ 3 mil para o melhor intérprete e a música de aclamação popular.

Partindo para os vencedores, Aparecida Silvino levou o primeiro lugar com Janela aberta, composição sua com Gilvandro Filho. Bem no estilo de música de festival, com diereito a refrão pegajoso, a música evidenciou a boa voz e presença desta cantora que tem uma longa relação com música. Não à toa ela levou junto o prêmio de Melhor Intérprete.

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Não fosse a pouca experiência, Lorena Nunes também poderia ter levado o prêmio de Melhor Intérprete. Mas ficou com um segundo lugar com Ai de mim, canção de Tom Drummond que também batiza o show solo da artista. Timidamente usando a teatralidade sugerida na letra – uma moça em busca do homem ideal – Lorena foi aos poucos envolvendo a plateia que a recebeu friamente, mas se despediu com aplausos. Detalhe: Ai de mim, realmente, não tem perfil de música de festival. Ponto pela ousadia.

Também em busca de alguma teatralidade, Marcus Caffé errou na dose e pareceu exagerado demais em Moça viola. Ainda assim, a composição de Marcio Resende e Fernando Rosa levou o terceiro lugar. É fato que Marcus também já é uma figura tarimbada da noite fortalezense, mas não pareceu em seu melhor momento.

O contrário aconteceu com o jovem Marcos Lessa que apresentou a sua Pra quando eu voltar. Soberbo e dono do terreiro, ele se mostrou um artista pronto pra qualquer parada. No I Festival da Assembleia, Marcos levou o prêmio de aclamação popular. Não ficou claro (pelo menos pra mim) como esse prêmio foi dado, mas, com certeza, o rapaz também era um forte concorrente a melhor intérprete.

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O melhor dessa primeira edição do Festival foi o alto nível dos finalistas. Mesmo os que não receberam premiação têm muitos méritos a explorar. Isaac Cândido, como dito em sua apresentação, já conta centenas de composições e tem dois discos na bagagem. Infelizmente, foi prejudicado por conta de um problema no microfone enquanto cantava Por gentileza, composição própria com Rogério Lima e Alan Mendonça. Mesmo que tenha tentado brincar com o fato, ter que recomeçar duas vezes tira o clima de qualquer cantor. Já Parahyba Kid incendiou o palco com a percussiva Cabras da Net, uma espécie de maracatu atômico cearense. Apostando no escracho, a banda Galáctico Papa apresentou Pici-Unifor, uma ode à linha de ônibus que passa em frente à Assembleia, e fez sucesso com o público.

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Ou seja, mesmo sem levar prêmios, já valeu para todos os 12 finalistas terem participado deste I Festival de Música da Assembleia. Ao final, um clima  de “todos juntos somos fortes” cercava todos os concorrentes de descontração e cumplicidade. Que venham mais festivais como esse, mantendo a qualidade, a organização e o alto nível.

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