Discografia

Joss Stone de volta ao começo

Terreno para grandes vozes e instrumentistas, a soul music viveu seus áureos tempos há mais de 40 anos. Ainda assim, sempre aparece um novo nome em busca de resgatar a sensualidade e o suingue do som negro americano. Entre as vozes femininas, duas de grande destaque recente foram as inglesas Adele e Amy Winehouse. Figurando entre o poderio vocal da primeira e o sentimento exposto da segunda, Joss Stone é outra artista em busca de resgatar a magia daqueles saudosos tempos de Motown e Stax.

Logo no seu primeiro disco, The soul sessions (2003), a também inglesinha mostrou que tinha talento e gogó suficiente para tal oficio. No disco, Joss Stone põe sua privilegiada voz a serviço de 10 covers, de Jack White a Aretha Franklin. De longe, este se tornou seu melhor trabalho. E olha que ela só tinha 16 anos na época. Em seguida veio um mergulho num som mais radiofônico, a descoberta da veia compositora e uma parceria com Mick Jagger na banda Superheavy (que não deu em muita coisa). Até tingir sua linda cabeleira loura de ruivo ela fez.

Em 2012, ela decide parar de testar e volta a dar um tiro certeiro. The Soul Sessions Vol. 2, lançado pela Warner, volta a apostar nos covers. Apesar da fórmula dos covers ser batida, o disco tem um mérito que lhe dá um certo status. São 11 faixas que, assim como o irmão mais velho de 2003, fogem dos clássicos óbvios e dão luz a canções que, para os desavisados, até vão parecer inéditas. Embora não traga o mesmo impacto da estreia, neste segundo Soul Sessions, Stone volta a desfilar com classe, agora entre composições de Eddie Floyd e Terry Callier, e não dispensa sua bela voz em vão.

Como um autêntico disco de soul music, The Soul Sessions Vol 2 tem bons momentos funkeados, pra balançar o coreto, e baladas arrasadores, pra dançar juntinho. No primeiro time, o destaque vai para (For God’s sake) Give more power to the people, uma pedrada na orelha lançada em 1971 pela banda The Chi-Lites, feita para incendiar multidões. Teardrops, de Cecil e Linda Womack, também é destaque pelo sotaque disco music anos 80 (a música é de 1988). Já entre faixas mais apaixonadas, I don’t want to be with nobody but you (Eddie Floyd/ Joe Shamwell) é um arroubo para os corações apaixonados que pode tomar conta das rádios e novelas brasileiras a qualquer momento. Já Pillow talk (Sylvia Robinson/ Michael Burton) tem cara de tertúlia ao som de Tina Charles e mostra Joss Stones sedutora ao conter sua garganta. Esta, por sinal, é a melhor faixa destas soul sessions. Pra encerrar, a melosa Then you can tell me goodbye (John Loudermilk) dá o adeus cercado de cordas e piano. Mas um adeus temporário, pois Joss Stone ainda tem muita estrada pela frente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.