Discografia

Maria Bethânia cercada de amigos

“Diva da música brasileira” é o mínimo que se diz de Maria Bethânia. Merecidamente colocado, o título se deve, resumindo bastante, a dois pontos básicos. O primeiro é que, ao longo desses 47 anos de carreira, ela cuidou do próprio repertório como quem cuida de um filho, e, por conta disso, são poucos seus pontos fracos (nem precisa lembrar da nefasta É o amor). O segundo ponto é que, para construir esse repertório, ela se cercou das melhores referências que existem no Brasil, desde a balada mais radiofônica, até a MPB mais tradicional.

E foi ao lado dessas referências que a baiana quis comemorar seus 35 anos de carreira. Marcado pela informalidade de quem toma cerveja no bar, o show foi gravado em setembro de 2001, no extinto Canecão (RJ), e teve, além da banda dirigida por Jaime Alem, um desfile de amigos ilustres que ajudaram a pavimentar essa trajetória. Recém lançado no DVD Noite Luzidia (Biscoito Fino), o show agrega 31 canções e 19 convidados, que vão do irmão Caetano, na seminal É de manhã, até Ana Carolina, em Pra rua me levar. Em meio a um desfile tão cheio de estrelas, os pontos altos ficam para os amigos de velha data Chico Buarque, na operística Sem Fantasia, e Gilberto Gil, apresentando, entre outras, a belíssima Se eu morresse de saudade.

Delicada e com ar blasé, Adriana Calcanhoto também faz bonito duentando em Depois de ter você, que encerra com um selinho na Abelha Rainha. Fechando a apresentação com O que é, o que é, do sempre necessário Gonzaguinha, Noite Luzidia traz ainda depoimentos de cada um dos convidados, todos falando sobre a importância de Maria Bethânia em suas vidas e carreiras. A informalidade que permeia o registro é incomum e até empalidece as presenças de Arnaldo Antunes e Branco Mello. Ainda assim, o que se mostra é uma artista que faz do palco sua igreja, mas que, naquele momento, só queria celebrar o aniversário entre os amigos.

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