Discografia

People, Hell & Angels reúne o que seriam os últimos registros em estúdio de Jimi Hendrix

3003va0630Desde que morreu, em setembro de 1970, Jimi Hendrix já teve sua discografia multiplicada em muitas vezes. Em grande parte, isso se deve à administração vampiresca exercida por Janie Hendrix, meia-irmã do guitarrista, sobre sua obra. Aproveitando toda e qualquer sobra de estúdio ou gravação ao vivo, ela chega a manter um estranho contrato com a Sony para o lançamento regular de trabalhos “inéditos”.

Em vida, Jimi gravou apenas três discos, mas morreu envolvido com um quarto trabalho, que ele planejava ser duplo. É baseado neste inconcluso projeto que saem as 12 canções do recente People, Hell and Angels. Formado, basicamente, por takes alternativos de faixas já conhecidas do guitarrista, o disco flutua entre a legitimidade e o caça-níqueis. Se é fato que qualquer coisa envolvendo o maior guitarrista da história soa empolgante, por outro lado fica difícil se surpreender diante de mais um lançamento póstumo de Hendrix.

Ainda assim, justiça seja feita, People, Hell and Angels tem seus méritos. O maior deles fica para o funkaço Let me love you, guiado pelo sax e pela voz de Lonnie Youngblood. Segurando o ritmo do groove, Mojo man traz o dedilhado certeiro de Jimi duelando com a banda The Ghetto Fighters. Stephen Stills também marca presença no disco fazendo um baixo discreto em Somewhere. A releitura furiosa de Hear my train a comin’ também merece registro.

Boa parte das faixas de People, Hell and Angels foram gravadas entre 1968 e 1969 e contaram com a presença dos músicos da Band of Gypsys – Billy Cox (baixo) e Buddy Miles (bateria). Segundo o engenheiro Eddie Kramer, que trabalhou em praticamente todos os trabalhos de Jimi, estes são os últimos registros de estúdio deixados pelo guitarrista. Para os fãs, isso é motivo para muitas lamentações. Resta agora torcer para quem não inventem um absurdo projeto de duetos póstumos.

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