Discografia

Discobertas embala os primeiro anos de Pery Ribeiro

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Pery RibeiroUma notícia para quem critica Luan Santana e Michel Teló: apesar do esforço dos sertanejos, ainda é a Bossa Nova que faz a cabeça do público no exterior. Mesmo tendo passados 51 anos da lendária apresentação no Carnegie Hall, em Nova York, a batida elegante de João Gilberto continua fazendo de artistas praticamente anônimos no Brasil estrelas internacionais. É assim com Joyce, Roberto Menescal e o próprio João.

No entanto, não existe estrela mais verde e amarela pelo mundo do que aquela menina que passava com graça a caminho do mar. Composta por Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Garota de Ipanema segue, há muitos anos, como uma das canções mais regravadas da história (ao lado Yesterday, do beatle Paul McCartney). Em tempo, vale lembrar que a primeiríssima gravação foi do carioca Peri de Oliveira Martins, o Pery Ribeiro.

A estreia da “garota” aconteceu no show dividido por João, Tom, Vinicius e Os Cariocas na boate carioca Au Bon Gourmet, em 2 de agosto de 1962. Da plateia, Pery ficou encantado com a canção e, no dia seguinte, correu para registrá-la no disco que estava gravando, Pery é todo Bossa. Além de ter o orgulho de ser o responsável pelo lançamento de Garota de Ipanema, ele aproveitou a ocasião para mudar o rumo da sua história, antes marcada por canções pesadas e tristes.

Isso fica resumido no box Pery Ribeiro Anos 60, lançado pelo selo Discobertas para marcar um ano da morte do cantor (completado em 24 de fevereiro). Reunindo os sete primeiros discos do intérprete carioca, a caixa é valiosa não só pelas muitas raridades que contém, mas também por fazer justiça a um intérprete, quase sempre lembrado somente por ser filho de Dalva de Oliveira e Herivelto Martins.

PERY-RIBEIRO-ANOS-60-SAINDO-DO-FORNOAntes de entrar na Bossa Nova, Pery Ribeiro gravou dois discos que mais se aproximavam do repertório dos seus pais. Com arranjos de Lindolpho Gaya, Eu gosto da vida (1961) traz canções típicas da dor de cotovelo, como Vou me aposentar do meu amor (Paulo Tito / Ricardo Galeno) e Até quando (Marino Pinto/ Vadico). “A vida nunca foi amiga de Pery” é o que diz na contracapa. Mais leve e de uma beleza incomum, Pery Ribeiro e seu mundo de canções românticas (1962) é um tour de force de 20 canções interpretadas com o acompanhamento luxuoso de Luiz Bonfá ao violão. O encontro cheio de maciez e delicadezas é feito em canções como Caminhemos (Herivelto Martins) e Só louco (Dorival Caymmi).

Daí em diante, a caixa Pery Ribeiro Anos 60 mostra o encontro do cantor com a turma de Tom Jobim. Pery é Todo Bossa (1963) é o tal azarão que apresentou a Garota de Ipanema para o mundo. Ainda preciosidades de Menescal e Bôscoli, como Rio, Ah! Se eu pudesse e Nós e o mar, esse disco mostra algumas tímidas composições de Pery divididas com Geraldo Cunha. Seguindo a linha vitoriosa aberta em 1963, Pery Muito Mais Bossa (1964) e Pery (1965) trazem outro apanhado de boas músicas, com destaque para Berimbau (Baden Powell/ Vinicius de Moraes), Você (Menescal/ Bôscoli) e para os arranjos americanizados de Lyrio Panicali.

Em seguida, dois discos ao vivo (já lançados na série Odeon 100 anos) dão um baile de um improviso e ritmo. Fruto das produções Miele e Bôscoli, o show Gemini V (1965) colocou Pery e Leny Andrade no palco da boate Porão 73, acompanhados pelo virtuoso Bossa 3, de Luiz Carlos Vinhas (piano), Tião Neto (baixo) e Edison Machado (bateria). Extremamente fértil, a mistura dos cinco talentos resultou em 25 canções que dão um intensivão de Bossa Nova. No ano seguinte, Pery voltaria a se encontrar com o Bossa 3 no disco Encontro. Olê olá (Chico Buarque), Canto de Ossanha (Vinicius/ Baden) e Samba da pergunta (Marcos Vasconcellos/ Pingarilho) são algumas faixas desse registro que, embora mais modesto, é igualmente rico. Pery Ribeiro Anos 60 vem ainda com 21 bônus raros que só reafirmam o talento de um cantor que, de modo discreto, fez muito pela música brasileira.

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