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Paul McCartney dá show de simpatia e profissionalismo em Fortaleza

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Fotos: Iana Soares

Em 1984, quando Roberto Medina anunciou que iria fazer um mega festival de música no Brasil, muita gente achou que ele não ia muito bem cabeça. É que a imagem do País no meio do show business andava meio manchada por conta de muitos problemas que já haviam acontecido. O empresário insistiu na ideia e o Rock in Rio saiu do papel para se transformar num maiores eventos de música do mundo.

Com algumas diferenças, essa sensação de desconfiança também tomava conta do fortalezense até a noite de ontem. Desde que foi anunciado, no início do ano, que Paul McCartney iria apresentar no estádio Castelão sua turnê Out There, uma série de discussões tomou conta das rodas de conversas – presenciais ou internéticas – para saber se Fortaleza estava ou não pronta para receber um espetáculo daquele tamanho. Apesar dos problemas na chegada – multidão, filas, engarrafamento – a noite foi de encanto para os 50 mil espectadores que compareceram à festa.

Paul subiu no imenso palco às 21h36 desta quinta-feira (9), para a terceira e última apresentação da turnê no Brasil. Próximo de completar 71 anos, o músico inglês segurou a emoção da plateia por duas horas e quarenta minutos, com um fôlego de causar inveja. A mesma disposição foi exigida do público, que começou a chegar ao estádio na noite anterior. À medida que o espetáculo se aproximava, imensas filas de carros sufocavam todas as vias de acesso ao estádio. Para complicar ainda mais, as reformas no entorno deixavam tudo parecendo o cenário do filme dos Vingadores. Vãs que agendaram muitos grupos, cancelavam as viagens em cima da hora, por que ficavam presas no mar de automóveis. Fluindo em ritmo muito lento, o trânsito da tarde da quinta-feira fez muita gente seguir para o show a pé, atravessando muita lama e areia.

Já no interior do Castelão, o clima era de total alegria. Exibindo sua já conhecida simpatia, Paul McCartney cantou, dançou, brincou com a plateia e ainda ensaiou algumas expressões em cearês. “Finalmente o Paul veio pro Castelão. Vamos botar bonecúúú”, gritou o músico para o público extasiado. Suando em bicas, ele tirou o casaco logo na segunda música e deixava claro que estava difícil aguentar o calor. Mas não perdia uma chance de homenagear os fãs que estavam ali.

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O repertório de 38 músicas foi exatamente igual ao das outras duas apresentações da turnê e repete alguns momentos que encantam as plateias há décadas. As explosões e os fogos em Live and let die, o imenso coro em Hey Jude (escolhida para fechar o primeiro bloco), o momento solo ao violão em Blackbird (com o músico sendo erguido numa plataforma), a homenagem a George Harrison em Something e o encerramento com The end. Entre as novidades, canções pouco ou nunca feitas ao vivo, como Eight days a week, Lovely Rita e Being for the benefit of Mr. Kite. Antes de Your mother should know, houve ainda uma homenagem ao velho amigo John Lennon em Here today. O encerramento de Let me roll it também trouxe linhas de guitarra de Foxy lady, num tributo a Jimi Hendrix.

Já próximo do fim, Paul McCartney solta um “tenho que vazar”, arrancando risos e mais aplausos da plateia. Sem parar sequer para tomar água, o beatle só descansou nos intervalos entre os dois bis. Para o segundo, ele ainda reservou um presente especial. Um casal foi ao palco para oficializar o pedido de casamento sob as benções do astro, que cedeu seu microfone e aguardou pacientemente enquanto o noivo buscava as palavras certas em inglês. Ao fim, ambos receberam um forte abraço do músico que, logo emendou a pesadona Helter skelter. Depois de Golden slumbers, Carry that weight e The end, Paul se despede às 00h17 dizendo “Tchau, Fortaleza. Até a próxima”. Com fogos e chuva de papel picado, o público acorda daquele sonho musical certo de que o medo de Fortaleza fazer feio foi vencido pela esperança de que venham novos grandes shows para a Cidade.

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