Discografia

Olodum pra balançar

12012015-IMG_9068Eventos internacionais recentes vêm chamando a atenção do mundo para a intolerância religiosa. O assunto, que provoca vítimas fatais por todo o planeta, parece ter pouca ou nenhuma conexão com a alegria do Carnaval. Ainda assim, o Olodum decidiu levar essa discussão para a rua este ano. O tema “Etiópia, A Cruz de Lalibela, O Pagador de Promessas”, escolhido para o desfile do bloco baiano, busca conexões entre a o país africano, o importante centro de peregrinação etíope e o filme brasileiro, de 1962, que contou a história de um homem que prometeu levar uma pesada cruz ao altar da catedral de Salvador, se Deus salvasse a vida do seu burro.

Fortaleza também entra para essa história hoje, no último desfile de Pré-Carnaval da Praia de Iracema. Junto com os blocos Unidos da Cachorra, Baqueta, Camaleões do Vila e Bons Amigos, o Olodum se mistura com a multidão para promover seu “arrastão de alegria”. “É assim que a gente chama aqui na Bahia”, aponta o cantor Mateus Vidal, por telefone, adiantando que o show vai ser dividido em duas partes. Na primeira, 10 percussionistas e três cantores seguem com o público pela Rua dos Tabajaras. Chegando ao palco armado no aterro, a banda se reúne outros músicos para lembrar sucessos como Nossa gente, Requebra e Faraó divindade do Egito, além de fazer releituras de Hyldon (Na rua, na chuva, na fazenda) e Paralamas do Sucesso (Uma brasileira).

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Fundado em abril de 1979, o Olodum é um filho do movimento pela valorização da cultura afrobaiana iniciado pelo Ilê Aiyê alguns anos antes. Um dos fundadores do bloco, Neguinho do Samba (Antonio Luís Alves de Souza, falecido em 2009) veio do Ilê com uma nova proposta sonora e um novo ritmo que, depois, ganharia o nome de sambareggae. “Pra muita gente, o sambareggae é a junção do samba com o reggae. Mas, não é só isso. O que ele fez foi inserir elementos do candomblé na música”, explica Mateus dizendo ainda que foi o percussionista quem acentuou o som dos repiques, criando, assim, uma das marcas registradas do Olodum.

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E foi essa batida que levou o Olodum a se tornar uma das bandas mais populares do Brasil no mundo. A fama garante ao grupo sucessivas turnês pelo exterior e parcerias luxuosas. Além de brasileiros como Beth Carvalho, Simone e Daniela Mercury, o bloco coleciona trabalhos com estrelas do brilho de Paul Simon e Michael Jackson. Com o ex-parceiro de Garfunkel, eles gravaram a faixa The obvius child, do premiado álbum The rhythm of the saints (1990). E com o pai do Thriller, eles participaram do clip They don’t care about us, com cenas gravadas no Pelourinho. Dirigidas por Spike Lee, as gravações contaram com 200 músicos do Olodum e geraram polêmica por que o poder público baiano teve medo que o vídeo denunciasse a pobreza da região.

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Para Mateus, o fato do grupo transitar por muitos ritmos é o que mais atrai os convites. “E o mais interessante é que, normalmente, esses artistas é que vêm procurar a gente”, comemora o músico acrescentando que o trabalho social do Olodum também chama muita atenção no exterior. Tendo a música, o Carnaval e a cultura negra como principais eixos, eles desenvolvem trabalhos como oficinas musicais e de dança afro, e cursos nas áreas de elaboração de projetos, produção de eventos, formação de roadies e outros. “Antes, esses trabalhos eram mais voltados para os filhos dos músicos, mas foi aberto para toda a sociedade baiana. Pra participar, tem que está matriculado e com frequência. Muitos músicos do próprio Olodum são oriundos do trabalho social”, salienta.

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Todo esse trabalho musical e social garantiu ao Olodum, em mais de 30 anos de carreira, fama e respeito em muitos palcos. Para o exterior, eles já têm agenda a partir de abril, enquanto no Brasil os convites não param. No entanto, para Mateus Vidal, ainda é no berço do bloco, a Bahia, onde os tambores batem mais forte. “Aqui na nossa terra tem aquela magia, principalmente no Pelourinho. É impressionante. Mas, tem lugares que chegamos fora do País que o cara já sabe todas as letras, tem a blusa (do bloco). Fortaleza também é assim. Tem quatro anos que não vamos aí. Vai ser legal voltar”, comemora.

Programação dos blocos de rua na Praia de Iracema (Percurso Poço da Draga – Rua dos Tabajaras)
16h – Unidos da Cachorra
16h30 – Baqueta
17h – Olodum
17h30 – Camaleões do Vila
18h – Bons Amigos

Percurso João Cordeiro
17h – Bonde Batuque
18h30 – Cheiro

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